Agronegócio

Exportações do agro de Minas caem 12,8% até maio com recuo do café

Receita do agronegócio mineiro cai 12,8% até maio, pressionada pelo café, enquanto soja e carnes ajudam a reduzir as perdas
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Exportações do agro de Minas caem 12,8% até maio com recuo do café
Foto: Reprodução Site Max Coffee

As exportações do agronegócio de Minas Gerais movimentaram US$ 7,33 bilhões entre janeiro e maio de 2026. O resultado ficou 12,8% menor frente ao obtido em igual período do ano passado. A queda também foi observada no volume destinado ao mercado internacional, que chegou a 6,5 milhões de toneladas, 7,4% a menos. Apesar do resultado negativo, conforme a avaliação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Minas Gerais manteve relevância no comércio exterior nacional, com participação próxima de 10,3% nas exportações brasileiras do setor e permanência entre os três maiores estados exportadores do agronegócio.

Na avaliação da assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, o resultado mineiro foi influenciado, principalmente, pela concentração da pauta em cadeias de maior peso, especialmente café e complexo sucroalcooleiro, que pressionaram o desempenho agregado.

“Mesmo com o recuo no acumulado parcial, Minas Gerais mantém uma pauta exportadora robusta, sustentada pela liderança do café, pela relevância da soja, pelo avanço das carnes e pela presença dos produtos florestais. Ao mesmo tempo, o resultado reforça a importância de ampliar mercados e fortalecer cadeias com desempenho positivo, de modo a reduzir a dependência de produtos mais concentrados na pauta”.

Gado
Alta foi verificada nos embarques de carne e a maior receita veio das negociações da proteína bovina, com alta de 12% entre janeiro e maio deste ano | Foto: Reprodução Adobe Stock / Marcus

Ao longo dos primeiros cinco meses do ano, os produtos mineiros foram embarcados, principalmente, para a China, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão, que responderam por cerca de 54,6% das exportações. A China permaneceu como principal mercado, com cerca de US$ 1,9 bilhão em compras, seguida pelos Estados Unidos, US$ 659,9 milhões, Alemanha, US$ 634,1 milhões, Itália, US$ 502,9 milhões, e Japão com compras somando US$ 328 milhões.

Café concentra perdas e impacta resultado das exportações do agro

Entre os produtos mais exportados, o café registrou queda de 21% na receita movimentada, que encerrou os primeiros cinco meses do ano em US$ 3,8 bilhões. O menor faturamento é resultado da queda do volume embarcado, uma vez que o preço médio pago pela tonelada do produto subiu. Conforme os dados da Seapa, foram 541,5 mil toneladas de café destinadas ao mercado internacional, volume 26,4% menor. No mesmo período, a cotação da tonelada cresceu, chegando a US$ 7.062,51.

“O café permaneceu como o principal produto do agronegócio mineiro no mercado internacional. O grupo respondeu por 52,1% das vendas externas do setor, o que confirma sua centralidade na pauta exportadora. Apesar da liderança, houve queda em receita e volume. Por outro lado, o preço médio avançou 7,3%, indicando que a retração esteve mais associada à redução da quantidade embarcada do que à perda de valor do produto mineiro. Esse comportamento reforça a competitividade estrutural do café de Minas, mas também evidencia a forte influência da cadeia sobre o resultado total do agro estadual”, explicou a assessora.

Desempenho dos grupos da soja e das carnes reduz impacto negativo

A queda observada na receita das exportações do agro de Minas foi amenizada pelo desempenho do complexo soja, que tem a segunda maior representatividade e responde por 22,9% dos embarques totais do setor. Os dados da Seapa mostram que os embarques movimentaram US$ 1,6 bilhão e 3,9 milhões de toneladas, o que gerou uma alta de 3,7% na receita e queda de 3,3% no volume. O preço médio da tonelada, de US$ 424,43, aumentou 7,18%.

“O grupo da soja cresceu 3,7% em valor, mesmo diante de uma redução de 3,3% no volume embarcado. Como consequência, o preço médio apresentou alta aproximada de 7,2%, o que permitiu ganho de receita em um cenário de menor quantidade exportada. Esse resultado mostra que a soja atuou como um dos principais fatores de sustentação do desempenho mineiro no período, contribuindo para compensar parcialmente as quedas observadas em cadeias de maior retração”, confirmou Manoela Teixeira no relatório da Seapa.

Alta também foi verificada nos embarques de carnes. As exportações do grupo somaram US$ 753,8 milhões, 10,8% a mais. O volume, 201,5 mil toneladas, cresceu 1,1%. Mesmo com redução de 4,5% no volume, a maior receita veio das negociações da carne bovina, com alta de 12% e faturamento de US$ 541 milhões. A carne de frango movimentou US$ 168 milhões, com o embarque de 84 mil toneladas, altas de 5,4% e 2,4%, respectivamente. Em suínos, a alta de 22,4% em receita e de 33,3% em volume fez com que o valor das negociações externas chegasse a US$ 37,4 milhões e 18,8 mil toneladas exportadas.

“Com o resultado, as proteínas animais se destacaram como vetor de diversificação, agregação de valor e maior equilíbrio da pauta exportadora”, reiterou.

Destaque também para as exportações dos produtos florestais, com receita de US$ 445,8 milhões e participação de 6,1% no total do agronegócio mineiro. O grupo apresentou queda de 4,4% em valor, embora o volume tenha crescido 0,9%.

“Esse comportamento indica que a retração foi determinada principalmente pela redução do preço médio, que recuou de US$ 623,44 para US$ 591,06 por tonelada. A celulose permaneceu como o principal item do segmento, com US$ 434,9 milhões exportados, representando praticamente a totalidade da receita do grupo. Apesar da queda em valor, a estabilidade do volume embarcado mostra que a cadeia manteve presença relevante no mercado externo”, ressaltou a assessora da Seapa.

Entre janeiro e maio, o complexo sucroalcooleiro movimentou US$ 351,3 milhões com as exportações. O grupo registrou retração de 30,6% em valor e de 12,8% em volume. Além disso, o preço médio caiu cerca de 20,4%, passando de US$ 467,24 para US$ 371,87 por tonelada.

Perspectivas dependem da safra e do mercado internacional

Manoela Teixeira analisou que, para os próximos meses, o comportamento das exportações deve ser observado em conjunto com a evolução da safra e das condições de mercado.

“As estimativas da Conab para a safra 2025/26 indicam um cenário nacional de maior oferta de grãos, o que pode favorecer cadeias com peso nas vendas externas, especialmente soja e milho. No entanto, a recuperação do resultado mineiro dependerá não apenas da disponibilidade de produto, mas também da sazonalidade dos embarques, dos preços internacionais, do câmbio e da demanda dos principais destinos compradores”, finalizou.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas