Vamos repensar o teto de vidro corporativo
O telhado das organizações é masculino e o piso é feminino. Uma menção metafórica, mas que reflete uma realidade persistente.
Segundo estudo da Deloitte (2024), apenas 6% dos CEOs no mundo são mulheres. No Brasil, levantamento recente da Evermonte Institute revelou um dado semelhante: somente 5,2% dos cargos de CEO são ocupados por lideranças femininas.
Vejamos, de acordo com esse estudo, os tijolos que precisam ser assentados nessa construção de carreira sob a perspectiva das mulheres:
• Para chegar à cobertura, as executivas passam, em média, por cinco empresas, uma a mais do que os homens.
• Elas possuem, em média, três especializações. Os homens que ocupam a mesma posição apresentam pouco mais de uma titulação equivalente.
• A maior barreira para alcançar o topo está na transição entre a gerência e a diretoria, fase que frequentemente coincide com a maternidade e com o aumento das responsabilidades familiares.
Conclusão: as mulheres precisam acumular mais credenciais acadêmicas, mais experiências profissionais e percorrer uma trajetória significativamente mais complexa para alcançar a posição mais alta.
A essa arquitetura de desafios soma-se o etarismo feminino. Muitas profissionais relatam que, após os 50 anos, passam a enfrentar um duplo preconceito: por serem mulheres e por serem consideradas “velhas” para determinadas posições.
Em uma sociedade que envelhece rapidamente, empresas continuam desperdiçando talentos justamente quando essas profissionais acumulam experiência, repertório, maturidade emocional e capacidade de tomada de decisão em cenários complexos.
No universo do capitalismo consciente, a diversidade não pode ser compreendida apenas como uma questão de representatividade. Trata-se de inteligência organizacional. Equipes diversas produzem visões mais amplas sobre clientes, mercados, comportamentos e oportunidades. Da mesma forma, a diversidade geracional amplia perspectivas e fortalece a inovação.
Promover equidade de gênero exige, portanto, olhar para toda a jornada profissional das mulheres: desde os processos de recrutamento e seleção até a capacitação, o acolhimento, o desenvolvimento e o planejamento de carreira. Isso requer intencionalidade, compromisso e programas genuínos.
Para que o topo das organizações seja mais robusto e plural, é preciso refletir sobre toda a construção, da fundação aos acabamentos. Caso contrário, o teto de vidro continuará existindo e, quem sabe, pode trincar.
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