Um país que não é mais aquele
“Sob o manto da retórica diplomática, o que se avista é a sanha imperialista de quem não tolera ver emergirem novos protagonistas no tabuleiro global.” (Antonio Luis da Costa)
Isso mesmo: os Estados Unidos não são mais aquele. O país do truculento Donald Trump não é, positivamente, o país de Lincoln, Jefferson, Washington, Franklin, Roosevelt, Kennedy, Carter e Obama. A pátria da liderança confiável, da democracia pujante e da cultura exuberante, sintonizada com o sentimento do mundo, vê-se a cada dia que passa no estrambótico momento atual, distanciada daqueles valores que concorrem para a política de boa vizinhança, erigida como poderoso instrumento de confraternização universal. Maltrata, de forma sádica, amigos tradicionais, provocando mal-estar e desassossego incessantes.
O supertarifaço imposto às exportações brasileiras, com inocultável conotação política, representa ato desleal e inamistoso contra uma nação amiga que sempre se pautou, no relacionamento com os EUA, pelo respeito e espírito de fraternidade que devem reger a conduta entre Estados soberanos. A indignação pelo gesto descabido da Casa Branca só faz crescer quando se tem sob mira ainda a informação de que muito contribuiu para a decisão tomada a perversa movimentação de bastidores desencadeada por maus brasileiros com intuitos politiqueiros. Configura-se aí, inquestionavelmente, crime de lesa-pátria. Esse deplorável delito está muito bem gravado na consciência popular. Parece óbvio concluir que das ruas resultara inevitável resposta, nalgum momento eleitoral, ao desatino cometido.
Não passa despercebido ao olhar atento de especialistas em negociações internacionais que, além do torpe intuito de politização, a decisão do governante estadunidense objetiva também alvejar o agronegócio brasileiro, a cada dia mais potente. Esse setor acha-se em condições de, em breve, alcançar em definitivo a absoluta primazia mundial. O olho gordo nas estupendas reservas de minerais raros de nosso País constitui, igualmente, objeto de cobiça por parte do aliado de má-fé. Faz sentido também imaginar que os planos sibilinos de Trump contemplem a exploração do patrimônio de riquezas da Amazônia, território equivalente em tamanho à Europa.
O comportamento de Washington soa mais descabido face às alegações de que o Pix “prejudica” as empresas americanas, o desmatamento ilegal em terras brasileiras aumentou e que existe entre nós trabalho escravo, tudo isso representando mentira deslavada.
Quanto ao mais, a manifestação de nosso governo vem sendo a que se é de esperar de uma nação soberana que não se curva a arreganhos vindos de quem quer que seja, consciente de suas prerrogativas cívicas, republicanas e democráticas que a tornam credora da admiração no concerto internacional. É consolador, por último, saber que lideres e jornais dos EUA vêm criticando Trump pelas estripulias contra o Brasil.
Ouça a rádio de Minas