PT busca vice para Patrus capaz de ampliar eleitorado além da base petista em Minas
O PT nem bem se viu livre de um longo e demorado imbróglio, escolher um nome forte para disputar o governo de Minas, e já se encontra em outro, conseguir um candidato a vice que seja capaz de furar a bolha do eleitorado petista. O partido oficializou o deputado federal Patrus Ananias como candidato a governador e agora concentra esforços em um dos pontos mais delicados da chapa: a escolha do vice. O partido só oficializou o nome de Patrus em 27 de julho, durante a convenção estadual. Antes disso, petistas esperaram por meses um posicionamento do senador Rodrigo Pacheco, então cotado para disputar o governo de Minas, e articularam para convencer a ex-prefeita de Contagem Marília Campos a desistir de disputar o Senado e se arriscar na corrida pelo Palácio Tiradentes.
Depois das tentativas frustradas e superada a dificuldade inicial com a escolha de Patrus, o partido enfrenta, agora, outro cenário complexo. O PT mineiro queria repetir a aliança nacional com o PSB, que vai colocar pela segunda vez consecutiva o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin na disputa eleitoral, no entanto, o acordo em Minas não avançou e agora sigla vem negociando internamente nomes que possam ampliar a votação de Patrus para além do eleitorado tradicional da legenda. Segundo a presidenta do PT em Minas e responsável por costurar essas alianças, deputada estadual Leninha, o partido ainda está na “estaca zero” nessa questão do nome para vice.
Nos próximos dias, Leninha estará em constante diálogo com a ala do partido ligada a Patrus e com lideranças de outras legendas para analisar cenários políticos e pesquisas eleitorais e avaliar possíveis nomes para fechar a chapa. “É importante escolher um nome que seja capaz de ampliar a votação do Patrus, que seja capaz de furar a bolha e buscar voto num eleitorado diferente do eleitorado do PT”, afirmou. Para a dirigente, o vice precisa ajudar a alcançar eleitores de centro esquerda e do interior do Estado, onde existe maior dificuldade de penetração. Apesar de ser de Bocaiúva, no Norte de Minas, Patrus tem maior adesão dos eleitores da Capital devido aos anos em que esteve à frente da Prefeitura de Belo Horizonte (1993-1996).
A indefinição reflete também o cenário complexo de possíveis alianças de centro esquerda. No PSB mineiro, deputados pressionaram o presidente estadual, Otacílio Neto, para que o partido ficasse com a segunda vaga ao Senado na chapa majoritária e não com a indicação do candidato a vice-governador. Com isso, o nome que está posto até agora é o do ex-procurador-geral Jarbas Soares. Além dele, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) já está definida como candidata ao Senado. O vereador Pedro Patrus, de Belo Horizonte, responsável pela coordenação da campanha de Patrus, afirma que as mudanças do PSB complicaram a escolha de um vice. “As conversas estão em andamento, mas a vaga de vice segue sem definição. Não tem nada decidido ainda”, resumiu.
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A mudança no tabuleiro do PSB complica outra aliança histórica do PT em Minas: com o Psol. A segunda vaga ao Senado ficaria com a ex-deputada federal Áurea Carolina. No entanto, como vem sendo avaliado pelo próprio PT, o nome da socialista não contribui para ampliar o eleitorado de Patrus, já que ela é de Belo Horizonte e tem o voto do eleitor de esquerda, eleitorado que já votaria no petista. Assim, a chapa corre o risco de ficar restrita à base já consolidada, sem avanço em regiões onde o partido precisa crescer.
O quadro se aperta ainda mais porque outros partidos já definiram candidaturas próprias ao governo e fecharam portas para composição. No MDB, o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo está decidido a disputar o Palácio Tiradentes. No PDT, a escolha foi pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Com isso, PT e Patrus perdem duas legendas de centro que poderiam oferecer quadros para a vaga de vice e estrutura mais ampliada de campanha.
Diante disso, a estratégia petista para 2026 em Minas passa por encontrar um vice fora do eixo PT-PSB-PSOL, com trânsito em outras bases e capacidade de levar voto em regiões estratégicas. Até lá, a prioridade é fechar o diagnóstico eleitoral nas reuniões internas e só depois apresentar um nome. O desafio, reconhecem dirigentes, é conciliar a necessidade de ampliar a votação com um calendário curto e um tabuleiro de alianças cada vez mais congestionado.
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