Demora de Cleitinho para decidir sobre governo de Minas gera crise no Republicanos e trava alianças
A indefinição do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, sobre disputar ou não o governo de Minas em 2026 criou um impasse de mais de um semestre na sigla e paralisou negociações de outros partidos. Após meses de espera e a ausência do senador na convenção estadual do partido no sábado (25), o Republicanos divulgou nota comunicando que Cleitinho não seria mais o candidato da legenda ao Palácio Tiradentes. No mesmo dia, o senador veio a público, pediu desculpas aos correligionários, justificou o silêncio por causa do luto pela recente morte de seu irmão, Matheus Azevedo, e se declarou candidato a governador. Até agora, o partido não se posicionou se vai voltar atrás e aceitar o posicionamento de Cleitinho.
A decisão de Cleitinho, além de não ter encerrado um período de pressões internas no Republicanos, ainda criou um novo cenário de rearranjos no campo de direita. Enquanto correligionários cobravam do senador uma posição, em paralelo, outras siglas, que também estavam em compasso de espera, pressionavam o Republicanos por uma definição. Progressistas federado ao União Brasil e PL tinham nomes postos para disputar o governo ou para compor chapa como vice ou senador, e a falta de resposta do Republicanos impedia o avanço de acordos. O vácuo deixou alianças em aberto e acirrou a disputa por espaço na chapa majoritária.
O deputado federal Domingos Sávio, do PL, é um dos que segue em compasso de espera, ciente de que os prazos estão se esgotando. Sua candidatura ao Senado foi oficializada na convecção do PL, na segunda-feira (27) e havia a expectativa numa aliança que, num primeiro momento, dependia da candidatura de Cleitinho ao governo. “Seguimos aguardando o desfecho dessa questão entre o senador e o Republicanos”, disse. Sávio afirmou que a preferência do PL continua sendo pelo nome de Cleitinho para o governo. Caso o impasse não se resolva, o partido já coloca como alternativas o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli.
A demora do senador também mexeu com o tabuleiro da federação Progressistas/União Brasil. Marcelo Aro, do PP, que até então era pré-candidato ao Senado, diante da confusão entre Cleitinho e Republicanos, teria colocado seu nome à disposição para disputar o governo. A possível mudança arrasta o União Brasil, parceiro na federação, e redesenha a estratégia das duas siglas para 2026. Como neste ano são duas vagas para o Senado, até então os nomes em pauta eram de Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP), com Cleitinho na cabeça de chapa.
- Saiba mais: Assista às entrevistas do Diário do Comércio com os pré-candidatos ao governo de Minas, no canal do Diário do Comércio no YouTube.
A situação se complicou ainda mais pela relação de Aro com o Palácio Tiradentes. O progressista vinha negociando apoio do governador Mateus Simões, do PSD, pré-candidato ao governo, para a disputa ao Senado. O acordo, no entanto, esbarra no compromisso do governador de apoiar também a reeleição do colega de partido, o senador Carlos Viana, do PSD. A insatisfação de Aro com os termos da parceria se somou ao desencontro entre Cleitinho e o Republicanos.
Com isso, o campo que pretendia se organizar em torno de um nome competitivo para disputar o governo estadual vê suas peças se embaralharem. O rompimento com Cleitinho deixa o Republicanos sem candidato próprio ao governo, o PL e o PP reavaliam alianças e o PSD precisa equilibrar os compromissos com Viana e com possíveis aliados, o que também impacta na tentativa de reeleição do governador Mateus Simões. O resultado é um cenário de indefinições que deve se estender até as próximas convenções, quando os partidos serão obrigados a bater o martelo.
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