Javier Milei, o trapalhão
“Ato infamante e sem precedentes”: (Assim o Itamaraty classificou manifestação de Javier Milei em solo brasileiro)
Não se sabe dizer com certeza se o presidente argentino recebeu instruções do seu cão de estimação, via “contato mediúnico”, ou se valeu apenas de uma ideia brotada de seu próprio bestunto. O fato é que, participando em São Paulo da convenção política do PL que sufragou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o chefe de governo portenho resolveu agredir intempestivamente o presidente da República e a alta corte do Brasil.
Os impropérios ouvidos deixaram estarrecidas as pessoas de mente sã, ferindo todos os princípios de civilidade e as regras diplomáticas que balizam a convivência civilizada, tendo em vista, sobretudo, a relação fraterna e centenária existente entre dois países irmãos e vizinhos de fronteira. A referência ao “contato mediúnico” decorre de espantosa revelação feita por ele próprio, Milei, de que mantém comunicação permanente com o cão para se aconselhar, revelação que, por sinal, correu mundo à época de sua posse.
Comprazendo-se em ser reconhecido como caricatura de seu ídolo Donald Trump, Milei parece personagem saído de um filme de Tim Burton, mestre do gótico-cômico e da fantasia excêntrica. Sentindo-se o “rei da cocada preta”, surfa nas águas enganosas de uma realidade paralela. Alheia-se aos rudimentos da prudência política e ignora os interesses concretos da nação que governa, convertendo arroubos retóricos em burlescos espetáculos. Tal qual aconteceu nessa sua malfadada passagem pela capital paulista.
A resposta do Estado brasileiro ao descabido ato de agitação ideológica demonstrou maturidade e firmeza. A diplomacia brasileira deixou claro que não se rebaixa ao nível do insulto pessoal gratuito. Ao contrário, responde com o peso da gravidade institucional e o respeito a normas internacionais consagradas.
A inamistosa atitude produziu reações desfavoráveis tanto no Brasil quanto na Argentina, envolvendo numerosos próceres políticos que, no país vizinho, não se coadunam com as posturas de Milei. A manifestação de Marcelo Brignoni, especialista em integração regional, é altamente elucidativa. Diz ele “a necessidade que a Argentina tem de trabalhar com o Brasil é muito maior do que o contrário”.
O Brasil segue sendo o principal parceiro comercial dos “hermanos”, um pilar de sustentação para a estabilidade regional. Ao apostar em ofensas gratuitas contra o governo e o Judiciário brasileiro por fanatismo extremista, Milei comete um grave erro de cálculo político. Expõe a risco relevantes interesses econômicos de sua própria gente em nome de bravatas. Dispara tiro no próprio pé. Cena típica de um trapalhão.
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