Nova fronteira da agroindústria
As usinas do setor sucroenergético estão encontrando na integração entre a produção de etanol de cana-de-açúcar e o de milho uma boa oportunidade de negócio. Porém, a adoção desse modelo ainda enfrenta gargalos em Minas Gerais, tornando necessário criar um ambiente para que esses investimentos sejam realizados, diversificando ainda mais a agroindústria.
Conforme publicado nesta semana pelo Diário do Comércio, investimentos bilionários estão em andamento para adaptar usinas de cana-de-açúcar para a produção do biocombustível à base de milho e sorgo. Somente o Grupo Aroeira está investindo R$ 600 milhões no Alto Paranaíba para produzir etanol a partir do cereal.
Essa adaptação, na avaliação do setor, é vantajosa, uma vez que aproveita parte da estrutura existente para produzir o combustível. O bagaço da cana, por exemplo, fornece a biomassa utilizada na geração de energia e calor para o processo industrial, reduzindo a necessidade de novos investimentos em infraestrutura energética.
A nova frente aberta para o etanol no Brasil, porém, ainda enfrenta alguns desafios em Minas Gerais. Um dos gargalos está na oferta de cereais. Será necessário ampliar a área cultivada, bem como garantir a irrigação.
Os desafios, entretanto, vão além. Será preciso assegurar uma cadeia de suprimentos capaz de atender à demanda das usinas, com investimentos em armazenagem, transporte e logística.
Também será importante que Minas Gerais desenvolva instrumentos de incentivo semelhantes aos existentes em outros estados. O avanço depende não apenas da iniciativa privada, mas de um ambiente de negócios competitivo.
O potencial existe. Minas reúne um parque sucroenergético consolidado, tradição na produção agrícola e localização estratégica para atender importantes mercados consumidores. A integração entre cana, milho e sorgo ainda traz uma vantagem adicional: reduz a sazonalidade das usinas, melhora o aproveitamento dos ativos industriais e amplia a geração de empregos.
Os investimentos anunciados demonstram que o Estado entrou definitivamente no radar dessa nova fronteira da bioenergia. Agora, cabe transformar iniciativas pontuais em uma política consistente de desenvolvimento. Se conseguir remover os gargalos que ainda limitam a expansão do setor, Minas poderá assumir posição de destaque também na produção de etanol de cereais, consolidando-se como protagonista da transição energética brasileira.
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