Receita para o caos

Recuperação judicial da Saritur escancara a crise estrutural do transporte coletivo no País
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Receita para o caos
Foto: Divulgação Marcopolo

O pedido de recuperação judicial do Grupo Saritur revela um cenário desafiador para as empresas do segmento de transporte urbano de passageiros. O conglomerado empresarial, um dos maiores do Estado, precisou adotar a medida em meio a dívidas de quase R$ 1 bilhão.

As empresas e entidades ligadas ao transporte público de passageiros, além de especialistas, vêm alertando há bastante tempo que o quadro não é favorável para esses prestadores de serviço. Nas últimas décadas, são observadas mudanças no comportamento dos cidadãos, que cada vez mais trocam o transporte coletivo pelo individual.

Entre os fatores que levam a essa mudança está a falta de planejamento das grandes cidades para o crescimento ao longo dos anos. Ao enfrentar longos períodos de espera pelo coletivo, viagens demoradas, ônibus precários e passagens caras, o cidadão passou a recorrer ao transporte individual.

Para piorar, com a pandemia de Covid-19, o segmento enfrentou uma queda abrupta na demanda. Dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) apontam que, em 2020, o número de passageiros chegou a cair mais de 70%. Até o ano passado, as empresas ainda não haviam recuperado a movimentação registrada anteriormente.

Em Belo Horizonte, por exemplo, foram necessários subsídios públicos para manter o serviço em operação, uma vez que as contas das empresas não estavam fechando. Mesmo com milhões em recursos aplicados, o segmento continuou enfrentando problemas.
Outro fator que vem afetando as empresas é o aumento dos custos operacionais. O preço do diesel vem sofrendo com a volatilidade provocada pelas tensões no cenário internacional. O combustível é uma das maiores despesas das transportadoras.

O quadro atual reúne os ingredientes para agravar a crise do segmento de transporte urbano de passageiros, cujo colapso pode provocar o caos nas cidades brasileiras. A sociedade precisa agir rapidamente para encontrar soluções para esse problema.
Esse modelo de transporte coletivo deve ser repensado para incentivar a população a deixar o carro em casa e utilizar o sistema público. Ônibus novos e confortáveis, pontualidade e trajetos mais eficientes estão entre os pontos que precisam de atenção.

Além disso, a integração entre sistemas, como ônibus, metrô e veículos leves sobre trilhos, é uma solução amplamente testada e conhecida para garantir um transporte público de qualidade. Cabe a nós, como sociedade, cobrar do poder público ações eficazes para evitar o caos nas cidades.

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