Vendas de combustíveis crescem 1% no 1º semestre em Minas Gerais

Crescimento é impulsionado pela gasolina, apesar da queda do etanol; especialistas avaliam cenário de estabilidade e desafios futuros para o setor
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Vendas de combustíveis crescem 1% no 1º semestre em Minas Gerais
A gasolina foi responsável por 29,7% das vendas da atividade nos primeiros seis meses deste ano no Estado; o combustível registrou alta de 9,4% na comercialização e o diesel teve elevação de 0,3% no período | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Charles Silva Duarte

As vendas de combustíveis pelas distribuidoras em Minas Gerais subiram 1% no primeiro semestre de 2026 quando comparadas com o mesmo período do ano passado. A queda de 9,6% na comercialização do etanol, a maior entre os combustíveis, influenciou para que o desempenho não fosse melhor. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No total, foram comercializados 8,7 milhões de metros cúbicos (m³) de combustíveis nos seis primeiros meses do ano no Estado, sendo 29,7% (2,6 milhões de m³) de gasolina, que registrou alta de 9,4%. O diesel teve elevação de 0,3%. Os demais combustíveis apresentaram retração nas vendas.

Na avaliação do economista e docente do Centro Universitário UniBH, Fernando Sette Junior, um crescimento de aproximadamente 1% nas vendas totais de combustíveis pode ser considerado um resultado de estabilidade, especialmente diante de um ambiente econômico marcado por juros ainda elevados, desaceleração da atividade em alguns setores e maior cautela de consumidores e empresas. “Não se trata de um desempenho ruim, mas sim de um mercado relativamente resiliente, indicando que a demanda por mobilidade e transporte permaneceu sustentada”, afirma.

Além disso, ele pontua que o volume agregado esconde mudanças importantes na composição do consumo. “O mercado não cresceu de forma homogênea: houve migração entre combustíveis, influenciada principalmente pela relação de preços, pela eficiência energética e pelas condições de oferta”, avalia.

Com relação ao comportamento dos combustíveis separadamente, o principal fator para a alta da gasolina é a mudança na competitividade entre esta e o etanol. “Em diversos momentos do semestre, a gasolina tornou-se relativamente mais vantajosa economicamente, explicando o movimento praticamente inverso entre os dois combustíveis”, observa.

Em consonância com o professor do Centro Universitário UniBH, o professor de ciências contábeis da Estácio BH, Alisson Batista, reforça as análises e comenta que, no caso do diesel, o cenário se apresenta estável. “Por ser utilizado, principalmente, por transportadoras, com transporte de cargas ou de passageiros, nota-se uma estabilidade econômica nesse contexto, trazendo uma boa referência para tomadas de decisões para o segundo semestre, já que é um termômetro da economia”, comenta.

Nesse ponto, Sette Junior avalia que é um consumo menos dependente da escolha do consumidor final. “Por possuir forte base logística, agrícola e mineral, Minas Gerais tende a apresentar um comportamento mais estável nesse combustível do que nos combustíveis voltados ao transporte individual”, pontua.

Variação mensal

Quando observada a variação mensal, chama a atenção a venda do etanol. De maio para junho, as vendas aumentaram 3,53%. Nesse caso, Sette Junior explica que o comportamento é típico do mercado brasileiro de veículos flex. “A recuperação das vendas de etanol em junho, acompanhada da pequena retração da gasolina, sugere que houve uma substituição de consumo motivada pela melhora da competitividade do biocombustível. Competitividade que está associada ao avanço da safra da cana de açúcar e ao aumento da oferta, fatores que costumam pressionar os preços do etanol para baixo nesta época do ano”, analisa.

Já a redução do diesel, o professor da UniBH disse acreditar que é um comportamento provavelmente mais relacionado a fatores operacionais e conjunturais do transporte de cargas do que à substituição por outro combustível. “Oscilações mensais de frete, calendário agrícola, ritmo industrial e logística podem provocar pequenas variações sem indicar uma mudança estrutural da demanda”, comenta.

Ele ressalta ainda que o comportamento do mercado de combustíveis continua sendo influenciado pelas políticas de preços da Petrobras, que atualmente buscam maior flexibilidade em relação às oscilações internacionais do petróleo e do câmbio. “Essa estratégia reduz a transmissão imediata das variações externas aos preços internos, proporcionando maior estabilidade ao consumidor e diminuindo movimentos bruscos de migração entre combustíveis”, diz.

Tendências

Além disso, Sette Junior ressalta que, embora não tenham ocorrido mudanças de grande impacto capazes de explicar isoladamente os resultados do semestre, o conjunto de políticas favoráveis, como fatores tributários ou incentivos ao biocombustível, cria um ambiente de maior previsibilidade para distribuidores e consumidores.

O professor de ciências contábeis da Estácio BH lembra, no entanto, que o aumento de 30% para 32% da porcentagem de etanol na gasolina, que começou a valer a partir do dia 1º de agosto, pode favorecer o combustível fóssil nos próximos meses. “Pode parecer pouco, mas os dois pontos percentuais do etanol anidro na gasolina proporcionam um impacto relevante. A gente fica menos dependentes da gasolina plena, aquela 100%, para ter uma gasolina com um adicional de etanol maior, o que acaba puxando o preço para baixo”, finaliza.

Venda de combustíveis em Minas Gerais
Combustível
1ºsem/26 x 1ºsem/25
Jun/26 x Maio/26
Combustíveis totais
+1%
+0,52%
Diesel
+ 0,3%
-1%
Gasolina
+9,4%
-0,32%
Etanol
-9,6%
+3,53%
GLP
-0,1%
+8,22%

Fonte: ANP

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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