Kinross estuda ampliar vida útil de mina em Paracatu além de 2034

A mineradora estuda prolongar o período de lavra no Noroeste de Minas, mas ressalta que a decisão depende de fatores internos e externos
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Kinross estuda ampliar vida útil de mina em Paracatu além de 2034
Mineradora dispõe de 3,5 milhões de onças de ouro em recursos medidos e indicados em Paracatu | Foto: Divulgação Kinross

A Kinross Brasil Mineração, subsidiária da canadense Kinross Gold Corporation, trabalha para ampliar a vida útil da mina Morro do Ouro, em Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, afirma o presidente e gerente-geral da companhia, Rodrigo Gomides, em entrevista ao Diário do Comércio. Neste momento, o fim da operação está previsto para 2034.

A mineradora estuda prolongar o período de lavra, mas não há garantia de que isso ocorrerá. Segundo o executivo, fatores internos e externos influenciam na decisão, incluindo condições econômicas e a capacidade de transformar recursos em reserva, conversão que depende do preço do ouro e da otimização de custos.

Atualmente, a Kinross dispõe de 3,5 milhões de onças em recursos medidos e indicados em Paracatu, além de 4,8 milhões de onças em reserva. Gomides pondera sobre a tendência de que os recursos restantes sejam mais complexos, levando a um custo mais pressionado, por isso a importância de investir em melhora de performance e ganhos de eficiência.

Maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, a Morro do Ouro também possui o menor teor aurífero do mundo. Conforme ele, são 0,4 gramas de ouro por tonelada de minério, portanto, é preciso ser eficiente para manter a operação ativa e com resultados favoráveis.

Gomides diz que a Kinross atua em Paracatu com eficiência, escala, disciplina de custos e reivestimento em melhorias operacionais. Exemplo disso é que a companhia investiu mais de US$ 30 milhões em um processo de separação por gravidade nas plantas de beneficiamento para aumentar a recuperação de ouro gravítico.

Produção da Kinross
A produção da Kinross em Paracatu foi de 318,1 mil onças equivalentes de ouro no primeiro semestre deste ano | Foto: Divulgação Kinross

“Isso foi extremamente importante porque ajuda a gente na margem e melhora a aproveitamento do recurso e da reserva que temos”, realça, explicando que a empresa executou esse projeto há dois anos e começou a colher os frutos no ano passado.

Ainda segundo o presidente da Kinross, os investimentos recorrentes na Morro do Ouro, destinados à manutenção e reforma de estruturas e equipamentos, por exemplo, ficam entre US$ 60 milhões e US$ 100 milhões por ano. Adicionalmente, a mineradora segue investindo em estudos e pesquisas para aumentar a eficiência das plantas, e também está aplicando recursos em um novo alteamento da barragem Eustáquio.

Ele esclarece que essa é a última etapa de alteamento da Eustáquio e que o processo de descaracterização da barragem tem previsão de início para 2033. Já a outra barragem da empresa em Paracatu, a Santo Antônio, deve começar a ser descaracterizada antes, em 2028. Ambas as estruturas são do método de construção linha de centro.

O executivo pontua que uma possível extensão da vida útil da mina está conectada à existência de barragem. A Kinross vem estudando formas de depositar rejeitos, porém, neste momento, considera esse tipo de estrutura necessário para a atividade.

“A nossa operação é de teor muito baixo e operamos com sulfeto, então acreditamos que barragem é a operação mais segura para rejeitos como o nosso”, reitera.

Cautela com o preço do ouro e pressão de custos

A Kinross Brasil reportou resultados positivos no primeiro semestre de 2026. A produção da companhia em Paracatu foi de 318,1 mil onças equivalentes de ouro, com alta interanual de 7,5%, as vendas somaram 315,9 mil onças (+6,8%), a receita chegou a US$ 1,5 bilhão (+62,8%) e o lucro da operação totalizou US$ 988,3 milhões (+95,7%).

No período, a mineradora registrou um aumento de 52% no preço médio realizado do ouro, um dos fatores que motivou o desempenho. O metal valorizou fortemente neste ano, alcançando máximas históricas, e atualmente está cotado em cerca de US$ 4.400 a onça.

O presidente da mineradora diz que a valorização do ouro destrava investimentos e impulsiona o crescimento dos produtores de ouro no Brasil, porém ressalta que é preciso cautela para não estabelecer metas baseadas em preços que podem não se sustentar nos próximos meses. Por isso, a empresa trabalha com cautela nas projeções.

Conforme Gomides, a Kinross continua focada em entregar os resultados que projetou para a mina Morro de Ouro em 2026 e na gestão dos custos operacionais. Ele pondera que a produção está dentro daquilo que estava previsto, mas os custos estão sendo pressionados por inflação interna e externa, como o aumento do frete, do diesel e da energia.

“Temos que ter cuidado, porque se gente não frear esse aumento de custo considerável, podemos ter que tomar uma decisão de paralisar operações que até então são viáveis, mas não se tornam viáveis no futuro”, afirma, destacando a importância de uma atuação conjunta entre as mineradoras, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e o governo federal para criar incentivos o setor mineral e mitigar as pressões inflacionárias.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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