Plataforma com IA pode reduzir custo do aço em até US$ 5 por tonelada
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio, desenvolveu a plataforma digital integrada NB.ON, que permite simular processos produtivos complexos, prever propriedades do aço e identificar oportunidades de otimização de custos, produtividade, qualidade e sustentabilidade ao longo da cadeia produtiva. O sistema, que começou a ser desenvolvido há 12 anos, é oferecido de maneira gratuita aos clientes da companhia. Na fabricação do aço, o uso da plataforma pode reduzir de US$ 2 a US$ 5 o custo por tonelada e reduzir as emissões na ordem de 2% a 5%.
O gerente executivo de Desenvolvimento de Mercado da CBMM, José Britti Bacalhau, explica que a ferramenta foi construída de forma colaborativa, envolvendo centros de pesquisa globais, universidades e usinas siderúrgicas parceiras. O diferencial tecnológico da plataforma é a união da metalurgia com a ciência de dados. Atualmente, 58 clientes em diferentes partes do mundo utilizam a plataforma.
“A plataforma começou a ser desenvolvida há 12 anos e vem sendo equipada, melhorada e construída até hoje com base em muita colaboração. A ferramenta evoluiu nos últimos anos ao integrar modelos estatísticos, inteligência artificial e machine learning ao conhecimento metalúrgico acumulado pela CBMM sobre o comportamento do nióbio durante a produção do aço”.
O desenvolvimento teve início em 2014 e os primeiros softwares começaram a ser utilizados por clientes já no ano seguinte. Em 2022, a plataforma já era utilizada por 18 clientes e encerrou 2025 com 58 usuários. Segundo Bacalhau, o crescimento está relacionado à evolução da própria ferramenta e à incorporação de recursos.
“A CBMM sempre veio se capacitando, estudando e entendendo cada vez mais os mecanismos do nióbio, conseguimos potencializar e escalar esse conhecimento. A combinação da metalurgia do nióbio no meio siderúrgico com a ciência de dados é o que chamamos de modelo híbrido, e tem permitido otimizar processos, reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos, quantificar a emissão de CO2 e reduzir custos”, explicou.

Com o NB.ON, que é customizável conforme a necessidade de cada usina, é possível realizar testes, simulando e analisando alternativas antes de levar uma determinada condição à produção, permitindo a escolha do cenário mais adequado para os equipamentos e processos das usinas. A ferramenta também permite avaliar o uso dos elementos de liga na composição química do aço.
De acordo com Bacalhau, os clientes que utilizam a plataforma têm reportado reduções de custo de fabricação de aço entre US$ 2 e US$ 5 por tonelada. O impacto, segundo ele, ganha dimensão diante dos volumes produzidos pelas siderúrgicas e das margens mais apertadas características do setor.
Além da redução de custos, a tecnologia permite trabalhar na redução das emissões de CO2 sem investimentos em novos equipamentos, a partir do redesenho da liga e de um uso mais adequado dos elementos de liga na composição química.
Ainda conforme Bacalhau, a plataforma digital integrada NB.ON faz parte do Programa de Tecnologia da CBMM, no qual a empresa investe entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões por ano em tecnologia e inovação.
A ferramenta também vem sendo utilizada por clientes no exterior. A expansão ocorreu principalmente nos últimos anos, acompanhando a popularização das ferramentas de inteligência artificial e de programação, que permitiram ampliar a aplicação do modelo híbrido desenvolvido pela CBMM.
“A plataforma não é algo que consideramos pronto. Nós sempre queremos melhorar, progredir e ampliar as parcerias com institutos de pesquisa e clientes. O objetivo é continuar trabalhando de maneira colaborativa para avançar nas tecnologias do nióbio para a siderurgia e também para outras aplicações que vêm sendo desenvolvidas. Esse processo permite que a ferramenta acompanhe as necessidades dos clientes e contribua para a competitividade das usinas”, disse.
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