Cigarro contrabandeado alimenta o mercado mineiro

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Cigarro contrabandeado alimenta o mercado mineiro
A evasão fi scal no Estado somente com o cigarro chegou a R$ 327 milhões no ano passado / Ciete Silvério/ A2img

O contrabando de cigarros, que em Minas Gerais chega a ser maior que o da média brasileira, vem ganhando cada vez mais espaço sobre o mercado formal. Somente em 2017, os cigarros ilegais conquistaram 50% de participação no mercado mineiro, índice superior aos 48% registrados em todo o País. É o que revela o estudo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) sobre contrabando e mercado ilegal no Brasil.

Quando comparados com os anos anteriores, no caso do Estado houve estabilidade, uma vez que em 2015 o mercado ilegal girava em torno de 52% do total. Já no País, foi registrado crescimento, sendo que há dois anos a representatividade da informalidade era de 39% e um ano antes, de 45%.

Para o presidente do Etco, Edson Vismona, a principal causa do aumento da participação do contrabando na indústria do tabagismo vem da assimetria tributária existente entre os cigarros do Brasil e do Paraguai, de onde se estima que venham 98% dos cigarros contrabandeados no País. Para ele, é justamente essa diferença que faz com que os produtos paraguaios cheguem ao Brasil com preços tão inferiores aos fabricados nas indústrias nacionais.

“Enquanto no Brasil praticamos preços nivelados mundialmente e recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), no Paraguai os valores são muito menores. Para se ter uma ideia, lá, cerca de 18% dos preços dizem respeito a impostos. Aqui, a participação varia de 70% a 90”, diz.

Outro fator que, segundo o estudo, serve de estímulo ao contrabando é a falta de fiscalização eficiente nas fronteiras brasileiras. Dessa maneira, somente em 2017, as perdas com esse crime somaram R$ 146 bilhões em todo o País, e o acumulado desde 2014 ficou em R$ 491 bilhões, de acordo com dados do Fórum Nacional Contra a Ilegalidade (FNCP).

No caso de Minas, conforme o levantamento, a evasão fiscal somente com o cigarro chegou a R$ 327 milhões no ano passado. Além disso, 77% dos municípios mineiros apresentaram redução de volume do mercado legal entre 2015 e 2017, comprovando que o Estado é um dos principais destinos do contrabando oriundo do Paraguai.

Vismona alerta que o dinheiro arrecadado com o mercado ilegal serve muitas vezes para financiar as organizações criminosas e, em consequência, a violência, estimulando práticas como o tráfico de drogas e as milícias. O presidente do Instituto alerta que, no Rio de Janeiro, por exemplo, estes grupos já estão proibindo a venda de cigarros legais.

“O cigarro é um dos produtos de maior liquidez para as organizações criminosas e já se transformou no meio mais eficaz de se financiar organizações ilegais. Como forma de diminuir a entrada desse tipo de produto no Brasil, temos adotado uma série de medidas em parceria com os governos federal e estadual”, explica.

Sistema tributário – Entre as ações, ele cita a simplificação do sistema tributário brasileiro, uma atuação de repressão integrada entre os países vizinhos, atualização da legislação e maiores investimentos em segurança. “Há também a conscientização entre os usuários.

Estamos tentando mostrar às pessoas que ao comprarem produtos mais baratos, estarão financiando diretamente as ações criminosas que comprometem a segurança pública do nosso País”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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