Castanha Baru, do Cerrado Mineiro, chega ao mercado europeu
A castanha de baru, produzida no Cerrado de Minas Gerais, chegou à Europa. Pela primeira vez, a Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase) concluiu a exportação direta de 200 quilos de baru para a Áustria. O feito histórico é resultado de uma longa jornada em busca de certificações, capacitações, participação em feiras e do esforço de muitas famílias que vivem do extrativismo. O comércio com o mercado europeu é considerado importante pela agregação de valor e para mostrar a importância da sociobioeconomia brasileira.
O embarque da castanha de baru foi possível devido à aprovação feita em julho de 2025 pelo bloco econômico, que considerou o fruto como um alimento seguro e permitiu as exportações de castanhas torradas de baru do Brasil para os países-membros. Considerado um superalimento e com grande potencial de crescimento nos mercados de alimentos funcionais e naturais, a tendência é de aumento dos embarques.
A exportação para a Europa foi a segunda operação realizada pela cooperativa em junho de 2026. O primeiro embarque, conforme a gestora da Copabase, Dionete Figueiredo, foi uma carga de 800 quilos para os Emirados Árabes, com destino a Dubai. Pela 3ª vez, a exportação aconteceu de forma indireta em parceria com a Trade Masterint.
Ela destaca que o embarque para a Europaa, além de uma diversificação de mercado, é resultado de um amplo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos, que envolveu parcerias com diferentes entidades, capacitações diversas, reorganizações internas e aprimoramento do departamento comercial e da gestão da cooperativa.
“Toda essa jornada, que incluiu a participação em vários eventos nacionais e internacionais para promover e divulgar a castanha de baru, tem gerado resultados positivos. Essa comercialização com o cliente da Áustria aconteceu de forma espontânea, com eles nos procurando por meio do site em 2024, quando ainda não havia autorização para os embarques para a Europa. O processo avançou e agora conseguimos exportar”.
Ainda segundo a gestora da Copabase, o mercado europeu é bastante promissor, principalmente pela valorização dos produtos. A remessa enviada à Áustria garantiu uma remuneração 25% superior ao valor convencional do baru em relação a outros mercados internacionais, que é de 18 a 20 euros por quilo.
“A agregação de valor, em parte, se deve ao fato de o consumidor europeu valorizar os alimentos seguros e de alta qualidade. Além disso, há falta do produto. O preço subiu após uma safra muito menor colhida em 2025/26. A produção da castanha do baru também é artesanal, e falta mecanização, o que torna o custo mais alto. Acredito que a valorização do mercado europeu deve se manter”.
Copabase amplia mercado externo e projeta crescimento da safra de castanha baru
A Copabase tem participado de diversos eventos no mundo, o que é essencial para a divulgação e promoção da castanha de baru, assim, como estreitar relacionamentos e se aproximar de possíveis compradores. A Copabase esteve na Biofach 2026, na Alemanha, considerada a maior feira mundial de produtos orgânicos. Além disso, já participou da Expoalimentaria, no Peru, e da SIAL, nos Estados Unidos. No início do mês, a cooperativa também participou da NaturalTech 2026, em São Paulo, considerada a maior feira de produtos naturais, orgânicos e de bem-estar da América Latina.
O analista do Sebrae Minas, Marcos Elias, explica que o processo de internacionalização da castanha de baru vem sendo construído a partir de uma estratégia de longo prazo voltada para a qualificação da gestão, desenvolvimento de produtos, rastreabilidade, adequação sanitária e inteligência comercial.
“O Sebrae Minas teve papel fundamental ao apoiar a estruturação da cooperativa para novos mercados, por meio de consultorias, capacitações e ações voltadas à promoção comercial nacional e internacional”.
As expectativas para a safra 2026/27 do baru são positivas e a estimativa inicial é colher entre 20 e 25 toneladas da castanha. Além do clima, o ano é de bienalidade positiva do baruzeiro.
“A produção do baru vai crescer neste ano, mas, a demanda é muito maior. Nós temos uma demanda reprimida, articulada, que pode chegar a 33 toneladas anuais para exportação, hoje, exportamos de oito a 10 toneladas por ano. Poderemos atender esse mercado se avançarmos em um desafio gigante, que é a falta de equipamentos para a cultura do baru, o que torna todo o processo muito difícil”, explica Dionete.
A gestora explica que todo o processo é artesanal, desde a coleta até a quebra dos frutos, que é feita um a um, de forma manual e usando foice.
“Precisamos que as indústrias de equipamentos olhem para a castanha do baru e para tantos outros frutos do Cerrado para que haja a mecanização dos processos. Isso permitirá maior aproveitamento, maior qualidade, gerando mais renda para as centenas de famílias que participam da produção. Soja, algodão, café, entre outros, se tornaram potências no Brasil porque houve aporte de vários segmentos. Por isso, precisamos que o setor industrial olhe e perceba o valor que está por trás da sociobioeconomia”, conclui.
Ouça a rádio de Minas