Azeite de Delfim Moreira, no Sul de Minas, avança para final do Prêmio CNA Brasil Artesanal
Uma iguaria produzida em Minas Gerais está entre os finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026: o Azeite Alto das Oliveiras. Produzido em Delfim Moreira, no Sul de Minas Gerais, o óleo conseguiu uma vaga entre os cinco melhores na categoria Monovarietal, para produtos elaborados com uma única variedade de azeitona.
A classificação ocorre em um momento de expansão da produção mineira. Segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o Estado deverá produzir aproximadamente 300 mil litros de azeite em 2026, volume recorde e seis vezes superior aos 50 mil litros registrados em 2025. A projeção também supera o recorde anterior, de 150 mil litros, alcançado em 2024.
Produzido a partir da variedade italiana Grappolo, o azeite Alto das Oliveiras foi selecionado após avaliação técnica que considerou critérios como aroma, amargor, picância, complexidade e identidade regional. Elaborado em uma propriedade de três hectares pelo produtor José Martins, o sítio tem uma produção anual de 1,5 mil quilos de azeitonas e 150 litros de azeite.
Martins é certificado como produtor orgânico e biodinâmico. Ele decidiu participar da premiação após incentivo da equipe técnica do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Olivicultura.
“O Prêmio CNA, mais do que dar visibilidade ao meu produto, representa visibilidade para os azeites brasileiros, que hoje apresentam altíssima qualidade. O consumidor está aprendendo a reconhecer e valorizar azeites de excelência”, afirma.
Azeite finalista é impulsionado com assistência técnica
José Martins integra um grupo de aproximadamente 30 produtores da Serra da Mantiqueira acompanhados pelo ATeG Olivicultura. O primeiro grupo voltado para a atividade em Minas Gerais foi criado em janeiro de 2025.
Os resultados obtidos pelos produtores atendidos pelo programa mostram a recuperação da atividade após as dificuldades climáticas registradas no ano passado. Na safra de 2026, o grupo colheu mais de 74 toneladas de azeitonas em uma área de 46 hectares. Em 2025, a produção havia sido de apenas 2 toneladas em 16 hectares.
Segundo o técnico de campo do ATeG Olivicultura, Daniel Miranda, a assistência técnica tem contribuído para o aprimoramento do manejo das lavouras, incluindo ações de controle de pragas e doenças e melhoria da fertilidade do solo. “Nosso trabalho foi mostrar a importância do manejo adequado para a cultura. Mas, na olivicultura, o clima continua sendo um fator decisivo para o sucesso da safra”, diz.
De acordo com ele, as oliveiras necessitam de pelo menos 400 horas de frio, com temperaturas abaixo de 12°C e baixa amplitude térmica, para garantir desenvolvimento adequado e produtividade.
Promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o prêmio reconhece produtores que se destacam na elaboração de produtos artesanais e considera, além da avaliação sensorial, aspectos relacionados à história de produção e às características de origem dos azeites.
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