Soja, carnes e florestais amenizam perdas do café nas exportações do agronegócio de Minas Gerais
As exportações do agronegócio de Minas Gerais totalizaram US$ 11,97 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, com embarques de 11,7 milhões de toneladas. Conforme os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), houve retração de 7,1% no valor exportado, enquanto o volume permaneceu estável em comparação com o mesmo período de 2025. Mesmo com a queda, o setor permaneceu entre os maiores exportadores do Estado, respondendo por 41% do valor total embarcado por Minas Gerais.
Conforme a assessora técnica da Seapa, Manoela Oliveira, o comportamento dos principais produtos da pauta exportadora do agronegócio explica grande parte desse resultado. “O café e o complexo sucroalcooleiro registraram retração, enquanto o complexo soja, as carnes e os produtos florestais apresentaram crescimento e compensaram parcialmente as perdas”.
Os dados mostram que os embarques de café, item mais exportado pelo setor, movimentaram US$ 5,84 bilhões, com 14,5 milhões de sacas de 60 quilos destinadas ao mercado externo. Na comparação com o mesmo período de 2025, tanto a receita como o volume recuaram 15,2%.
“Apesar da queda, o resultado permanece historicamente elevado. A receita acumulada no período é a segunda maior da série, atrás apenas de 2025. O valor médio das exportações ficou próximo de US$ 402 por saca, praticamente estável em relação ao ano anterior e cerca de 71% acima do observado em 2024. O desempenho indica que a retração da receita em 2026 está relacionada, principalmente, ao menor volume embarcado, e não a uma perda relevante de valor do café mineiro no mercado internacional”, explicou Manoela.

Assim como no café, as negociações do complexo sucroalcooleiro com o mercado internacional movimentaram US$ 909 milhões, 28,4% a menos em comparação com igual período de 2025. Em volume, a queda ficou em 12,6%, com o embarque de 2,5 milhões de toneladas.
Conforme os dados da Seapa, o açúcar concentrou a maior parte das exportações do complexo, com Minas Gerais embarcando 2,47 milhões de toneladas do produto e gerando receita de US$ 882,2 milhões. A receita caiu 27,7% e o volume diminuiu 11,9% em relação aos oito primeiros meses de 2025.
“O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) apontou a maior demanda por etanol como uma das variáveis que podem influenciar a destinação da cana-de-açúcar entre açúcar e biocombustível. A Conab projeta aumento da produção brasileira de etanol de cana na safra 2026/27 e redução da produção de açúcar. Esse cenário reforça a importância de acompanhar os preços internacionais do açúcar, o mercado de combustíveis e as decisões das usinas sobre o mix de produção”, explicou Manoela.
Soja, carnes e produtos florestais compensam parte das quedas no café e açúcar
No complexo soja, as exportações somaram US$ 2,82 bilhões e 6,52 milhões de toneladas embarcadas entre janeiro e agosto de 2026. Com o resultado, a receita cresceu 15,5% e o volume aumentou 7,5% em relação ao mesmo período de 2025. O complexo, que fica atrás apenas do café, respondeu por 23,6% das vendas externas do agronegócio estadual. Dentre os produtos, o destaque foi a soja em grãos, com as exportações crescendo 16% em receita (US$ 2,7 bilhões) e 7,8% em volume (6,3 milhões de toneladas).
O resultado positivo também aconteceu no grupo das carnes. Os embarques geraram US$ 1,22 bilhão em receita, alta de 5,6%. Ao todo, foram destinadas ao mercado internacional 324,3 mil toneladas de carnes, volume que permaneceu estável frente aos oito primeiros meses de 2025. Conforme Manoela, o resultado indica melhora da receita sem expansão da quantidade embarcada.
No período, os embarques de carne bovina cresceram 1,5% em valor e caíram 11,2% em volume. Ao todo, foram exportadas 152,2 mil toneladas de carne bovina, o que gerou uma receita de US$ 871 milhões.
A exportação de carne de frango cresceu 17,6% em receita, que alcançou US$ 286,6 milhões, e o volume embarcado, 137,2 mil toneladas, aumentou 9,6%. A comercialização de carne suína gerou um embarque de 30,3 mil toneladas, alta de 30,1%. O faturamento ficou 17,4% maior, encerrando o período em US$ 59,4 milhões.
“Os produtos florestais somaram US$ 728,7 milhões e 1,21 milhão de toneladas. A receita avançou 11,4% e o volume cresceu 9,8%. A celulose respondeu pela maior parte das vendas do segmento e alcançou US$ 710,4 milhões e 1,18 milhão de toneladas”, disse a assessora técnica da Seapa, Manoela Oliveira.
Destinos
Nos oito primeiros meses de 2026, a China permaneceu como o principal destino das exportações do agronegócio mineiro, com US$ 3,29 bilhões, equivalentes a 27,5% da receita do setor. Em seguida, vieram os Estados Unidos, com US$ 1,02 bilhão, e a Itália, que se destacou entre os principais mercados ao registrar crescimento de 12,3% e alcançar US$ 746,1 milhões.
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