Temporal com granizo deve afetar safra de café de 2027 no Sul de Minas; assista ao vídeo

Granizo derruba flores dos cafezais em período de florada e produtores ainda calculam a extensão dos danos
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Temporal com granizo deve afetar safra de café de 2027 no Sul de Minas; assista ao vídeo
Chuva no Sul de Minas destruiu lavoura de café e pode comprometer a próxima safra. | Foto: Fernando Barbosa

O forte temporal acompanhado de granizo que atingiu cidades do Sul de Minas Gerais nessa terça-feira (15) deve afetar a safra de café do próximo ano, segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Varginha, Arnaldo Bottrel. Desde a tempestade, produtores da região realizam levantamentos para avaliar os impactos e contabilizar as perdas.

“Temos que levantar também o número de hectares e culturas afetados. No nosso caso, o café é predominante, mas também outras culturas foram atingidas”, revela o presidente, em entrevista ao Diário do Comércio. As estimativas iniciais, segundo ele, apontam que pelo menos dez municípios tenham sido atingidos pela ocorrência climática desta semana, entre eles Varginha, São Tomé das Letras, Alfenas e Três Corações.

Bottrel explica que a chuva da última terça-feira atingiu a produção no momento em que os cafezais passam pela florada, período de dez dias em que as plantações se cobrem de pequenas flores, marcando o início da fase reprodutiva. “A chuva de granizo, infelizmente, é prejudicial porque derruba muita flor. Derrubando a flor, isso está derrubando o café que iria nascer e ser colhido no ano que vem”, explica.

Ainda segundo o dirigente sindical e produtor rural, quando as pedras de gelo provenientes da chuva caem sobre os galhos e as folhas dos cafezais, a plantação fica mais suscetível à contaminação por microrganismos. “É como se você fizesse pequenos machucados nos braços e não se curasse. Eles podem infeccionar. Nesse sentido, temos que fazer tratos culturais caros para cicatrizar”, diz.

Estragos nas lavouras podem ultrapassar R$ 50 milhões

Proprietário de uma lavoura de 80 hectares de café, em Boa Esperança, o produtor rural Henrique Pacheco estima uma perda de 30% na próxima safra, prevista para maio de 2027.

“As flores que estavam prestes a abrir caíram por causa do granizo, o que compromete a produção futura”, destaca.

Já o presidente da Associação dos Sindicatos Rurais do Sul de Minas (Assul), José Eduardo Nunes de Souza, acredita que as chuvas localizadas contribuíram para derrubar cerca de 15% a 20% dos grãos de café. Embora ainda não haja levantamentos oficiais sobre os dados, ele estima que pelo menos 200 propriedades rurais tenham sido afetadas, o que pode resultar em uma perda financeira de pelo menos R$ 50 milhões.

Produtor deve documentar perdas

De acordo com o advogado e especialista em Direito do Agronegócio, Vinícius Souza Barquette, em casos de prejuízos causados por eventos climáticos, os produtores devem verificar as condições do seguro rural contratado.

O granizo pode estar entre os riscos cobertos pelas apólices agrícolas, conforme as condições previstas em cada contrato. Assim, ele orienta que os produtores devem fazer a comunicação do sinistro o quanto antes, com registros dos danos através de fotos, vídeos, laudos e outros documentos que comprovem as perdas.

“No crédito rural, produtores que comprovarem perdas de safra decorrentes de eventos climáticos podem ter direito à prorrogação do financiamento nas mesmas condições originalmente contratadas, desde que atendidos os requisitos aplicáveis”, explica. Segundo ele, o pedido deve ser formalizado junto à instituição financeira e acompanhado da documentação que comprove a frustração da produção.

Barquette destaca que também merecem atenção os contratos de venda antecipada de café, uma vez que, em caso de perda ou redução da produção, é importante verificar cláusulas relacionadas à força maior, à impossibilidade de cumprimento das obrigações e à aplicação de multas.

“A documentação dos danos é uma das principais medidas após um evento climático. Fotografias, vídeos, laudos técnicos, registros meteorológicos e documentos relacionados à produção podem ser importantes para comprovar as perdas e resguardar os direitos do produtor”, comenta.

No que se refere especificamente ao setor cafeeiro do Sul de Minas, o advogado conclui que o episódio reforça a importância de avaliar os efeitos dos eventos climáticos não apenas sobre a lavoura, mas também sobre os seguros, financiamentos e contratos relacionados à atividade rural.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

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