Agronegócio

Produção mineira de tangerina recua com avanço do greening

Minas está no pico da colheita da fruta mas, neste ano, estimativa da Emater é que safra seja 8,8% menor na comparação com o ano passado
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Produção mineira de tangerina recua com avanço do greening
Projeção da Emater-MG é que o Estado colha 213,8 mil toneladas da fruta na atual safra e principal fator responsável pelo recuo é a doença que afeta os pomares de citros | Foto: Reprodução Adobe Stock / Andrewhagen

Segundo maior produtor de tangerinas do País, Minas Gerais está no pico da colheita da fruta. Este ano, apesar do clima favorável para o desenvolvimento de uma safra de alta qualidade e de boa produtividade, a produção ficará menor em função do greening. A estimativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) é colher 213,8 mil toneladas de tangerina, volume que se alcançado ficará 8,8% menor que o registrado na safra passada.

O coordenador de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, explica que, em Minas Gerais, o principal fator responsável pelo recuo na produção é o greening, uma doença bacteriana que afeta os pomares de citros. O impacto tem sido severo em regiões tradicionais, como o município de Campanha, no Sul de Minas, que registrou uma redução superior a 50% na produção e uma eliminação de 20% de sua área de cultivo devido à necessidade de erradicação das plantas doentes.

“Em 2025, Campanha produziu 24,88 mil toneladas de tangerina e, agora, a previsão é de que a produção caia para 7,35 mil toneladas, número que pode mudar com o avanço da colheita que, este ano, está atrasada. É uma redução grande que fez com que o município saísse da segunda posição entre os maiores produtores de Minas para a sétima em 2026”.

Ainda conforme Sanábio, no município, produtores que antes investiam na tangerina estão migrando para outras culturas como o abacate, macadâmia e até mesmo retomando a produção de café.

Greening
Greening deixa frutos deformados e folhas com manchas amareladas | Foto: Divulgação Fundecitrus

“Muitos produtores, diante do greening, estão migrando para outras culturas. A doença é o grande desafio da citricultura no Brasil e no mundo. Hoje, temos ações preventivas que ajudam a conviver com a doença, para a qual ainda não há cura e, quando acomete as lavouras, pode gerar grandes perdas”, declara.

Sanábio explica que a queda na produção e na área em função do greening foi amenizada pela adoção da produção em municípios que antes não apostavam na cultura, o que tem acontecido em Minduri, Aiuruoca, São Vicente e Madre Deus. Assim, para a safra 2026 de tangerina é esperado recuo de 8,4% na área, estimada em 11,7 mil hectares no Estado.

Em Minas Gerais, a colheita da tangerina começou no fim de fevereiro e terminará na primeira quinzena de agosto. O pico de produção acontece nos meses de junho e julho, quando a fruta ofertada ao mercado chega ao período ideal de colheita.

“Os produtores de tangerina, muitos deles, iniciam a colheita em fevereiro, com as frutas ainda meio verdes e não tão doces. Mas é um período de baixa oferta e, assim, eles conseguem preços mais valorizados. A comercialização no fim, em meados de agosto, também acontece a preços maiores. Já entre junho e julho, os preços caem, mas a qualidade da fruta é melhor em termos de aparência e sabor”, explica o coordenador da Emater-MG.

Entre os municípios produtores, Belo Vale é o maior. A estimativa da Emater-MG é que a colheita na cidade alcance 32,3 mil toneladas. Logo em seguida, vem Brumadinho, com 23,75 mil toneladas, seguido por Várzea da Palma, com 19,49 mil toneladas e Tocantins, com a estimativa de colher 18,6 mil toneladas. Em quinto lugar está Piedade dos Gerais, com 13,6 mil toneladas e em sexto, Coronel Xavier Chaves, com previsão de 7,35 mil toneladas.

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