Produção mineira de tangerina recua com avanço do greening
Segundo maior produtor de tangerinas do País, Minas Gerais está no pico da colheita da fruta. Este ano, apesar do clima favorável para o desenvolvimento de uma safra de alta qualidade e de boa produtividade, a produção ficará menor em função do greening. A estimativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) é colher 213,8 mil toneladas de tangerina, volume que se alcançado ficará 8,8% menor que o registrado na safra passada.
O coordenador de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, explica que, em Minas Gerais, o principal fator responsável pelo recuo na produção é o greening, uma doença bacteriana que afeta os pomares de citros. O impacto tem sido severo em regiões tradicionais, como o município de Campanha, no Sul de Minas, que registrou uma redução superior a 50% na produção e uma eliminação de 20% de sua área de cultivo devido à necessidade de erradicação das plantas doentes.
“Em 2025, Campanha produziu 24,88 mil toneladas de tangerina e, agora, a previsão é de que a produção caia para 7,35 mil toneladas, número que pode mudar com o avanço da colheita que, este ano, está atrasada. É uma redução grande que fez com que o município saísse da segunda posição entre os maiores produtores de Minas para a sétima em 2026”.
Ainda conforme Sanábio, no município, produtores que antes investiam na tangerina estão migrando para outras culturas como o abacate, macadâmia e até mesmo retomando a produção de café.

“Muitos produtores, diante do greening, estão migrando para outras culturas. A doença é o grande desafio da citricultura no Brasil e no mundo. Hoje, temos ações preventivas que ajudam a conviver com a doença, para a qual ainda não há cura e, quando acomete as lavouras, pode gerar grandes perdas”, declara.
Sanábio explica que a queda na produção e na área em função do greening foi amenizada pela adoção da produção em municípios que antes não apostavam na cultura, o que tem acontecido em Minduri, Aiuruoca, São Vicente e Madre Deus. Assim, para a safra 2026 de tangerina é esperado recuo de 8,4% na área, estimada em 11,7 mil hectares no Estado.
Em Minas Gerais, a colheita da tangerina começou no fim de fevereiro e terminará na primeira quinzena de agosto. O pico de produção acontece nos meses de junho e julho, quando a fruta ofertada ao mercado chega ao período ideal de colheita.
“Os produtores de tangerina, muitos deles, iniciam a colheita em fevereiro, com as frutas ainda meio verdes e não tão doces. Mas é um período de baixa oferta e, assim, eles conseguem preços mais valorizados. A comercialização no fim, em meados de agosto, também acontece a preços maiores. Já entre junho e julho, os preços caem, mas a qualidade da fruta é melhor em termos de aparência e sabor”, explica o coordenador da Emater-MG.
Entre os municípios produtores, Belo Vale é o maior. A estimativa da Emater-MG é que a colheita na cidade alcance 32,3 mil toneladas. Logo em seguida, vem Brumadinho, com 23,75 mil toneladas, seguido por Várzea da Palma, com 19,49 mil toneladas e Tocantins, com a estimativa de colher 18,6 mil toneladas. Em quinto lugar está Piedade dos Gerais, com 13,6 mil toneladas e em sexto, Coronel Xavier Chaves, com previsão de 7,35 mil toneladas.
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