Safra mineira de grãos cresce 3,5% e fecha ciclo em 19 milhões de toneladas

Ganhos de produtividade e expansão de área cultivada sustentam o desempenho do Estado
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Safra mineira de grãos cresce 3,5% e fecha ciclo em 19 milhões de toneladas
Foto: Reprodução Adobe Stock / Dusan Petkovic

Minas Gerais consolidou mais um ciclo de expansão na produção agrícola na safra 2025/26. De acordo com os dados do 12º Levantamento de Safras, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total de grãos em território mineiro atingiu 19,05 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 3,5% em relação aos 18,4 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.

Em nível nacional, a produção de grãos na safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas, volume que indica alta de 2,6% sobre a temporada anterior.

Conforme a Conab, o avanço da safra estadual foi impulsionado pela combinação entre o aumento da área semeada e o ganho em produtividade, favorecidos pelo clima. A área cultivada em Minas Gerais cresceu 1,9%, passando de 4,29 milhões de hectares no ciclo passado para 4,37 milhões de hectares. Ao mesmo tempo, a produtividade média registrou incremento de 1,6%, alcançando 4,3 toneladas por hectare.

Soja manteve a liderança

Grão mais cultivado no Estado, a soja manteve a liderança em volume, mas registrou estabilidade frente à safra passada com a produção de 9,1 milhões de toneladas. Segundo a Conab, houve expansão de 1,1% na área cultivada, de 2,3 milhões de hectares, mas queda de 1,4% na produtividade. A redução na produtividade ocorreu pelo clima, com atraso no início do plantio e chuvas no período da colheita.

Vale lembrar que a colheita da soja já foi concluída e o Estado encontra-se no período de vazio sanitário, que ocorre de 1º de julho a 30 de setembro, e tem como objetivo reduzir a presença da ferrugem asiática entre uma safra e outra.

Produção de milho total cresce, mas safrinha tem perdas

Quanto ao milho, Minas Gerais tende a colher 7,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que, se alcançado, representará avanço de 9,8%. Conforme o levantamento da Conab, o cenário do milho no Estado variou entre os ciclos. Na primeira safra, Minas Gerais registrou incremento expressivo de 23,4% na produção, alcançando 4,7 milhões de toneladas.

No período produtivo, a área cresceu 8,3% e a produtividade chegou a cinco toneladas por hectare, aumento de 8,3% e 14%, respectivamente. Com a demanda aquecida, principalmente em razão da pecuária, produtores têm investido mais na produção do cereal.

“Tivemos, na primeira safra, um aumento da área mostrando o interesse cada vez maior na produção do cereal, principalmente, em Minas Gerais, Goiás e no Sul do País. Além disso, as condições climáticas foram excelentes no período”, explicou o gerente substituto de Acompanhamento de Safras na Conab, Marco Antônio Chaves.

Já o milho segunda safra enfrentou gargalos operacionais e climáticos. Assim, a estimativa é de queda de 9,4% no volume colhido, que pode chegar a 2,4 milhões de toneladas. A área plantada, de 2,3 milhões de hectares, cresceu 3,3%. Com os desafios provocados pelo clima, a produtividade recuou 4,7%, com rendimento médio por hectare de 5,6 toneladas. Conforme a Conab, a colheita da segunda safra de milho em Minas Gerais atingiu 89% da área no final de agosto, ritmo inferior aos 97% registrados no mesmo período do ano passado.

Chaves explica que em fevereiro, o excesso de chuva prolongou o período da soja em campo. “Houve um atraso importante na colheita da soja frente ao ritmo da safra anterior, trazendo uma problemática para os produtores do milho de segunda safra, que, em Minas Gerais, perderam a janela ideal de cultivo”.

Com o atraso e a restrição hídrica, já esperada para o período, os produtores reduziram investimentos nas lavouras, o que abriu margem para maior incidência de doenças de final de ciclo, impactando a produtividade das lavouras.

Feijão e algodão

Outro destaque positivo foi a produção de feijão, que, ao todo, somou 526,9 mil toneladas, aumento de 13,9% frente ao ciclo anterior. Na primeira safra, a colheita cresceu 2,8% e chegou a 211 mil toneladas. Ao longo da segunda safra e com o clima favorável, Minas produziu 177 mil toneladas de feijão, volume 19,4% maior. Alta também na terceira safra, que é irrigada e já está com índice de conclusão próximo a 70%. A estimativa é colher 27,1% a mais de feijão, alcançando 138,9 mil toneladas.

Alta também é esperada na produção mineira de algodão em caroço. Os dados da Conab apontam para um incremento de 3,3% na produção, somando, assim, 114 mil toneladas. A produção de pluma, de 81,6 mil toneladas, tende a aumentar 3,3%. No ciclo produtivo, a área caiu 11,3% enquanto a produtividade, favorecida pelo clima, cresceu 16,4%.

Por fim, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a colheita do algodão em Minas Gerais avançou para 65% da área cultivada, com foco nas áreas irrigadas e previsão de encerramento em meados de setembro. As operações de campo e o beneficiamento nas algodoeiras evoluíram sem intercorrências, confirmando produtividades dentro das expectativas e registrando melhor qualidade da fibra do que no ciclo passado.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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