CREDITO: ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

As vendas nos supermercados de Minas Gerais apresentaram um aumento de 9,34% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2019. Os dados são do Termômetro de Vendas, pesquisa realizada mensalmente pela Associação Mineira de Supermercados (Amis). Além disso, segundo a entidade, mesmo com todos os desafios da pandemia do Covid-19, o setor inaugurou 20 lojas no período no Estado e abriu mais 1.861 postos de trabalho.

Esse incremento nas comercializações do setor, segundo o presidente executivo da Amis, Antônio Claret, está relacionado à mudança de comportamento dos consumidores, embora essa transformação não tenha sido opcional, mas, sim, devido à crise na saúde e às suas consequências. O número maior de pessoas trabalhando em home office, as crianças e adolescentes por mais tempo em casa devido à paralisação das atividades escolares presenciais e o fechamento dos bares e restaurantes são alguns dos fatores que contribuíram para isso, segundo ele.

Outro motivo apontado para o avanço nas vendas do semestre, de acordo com a Amis, diz respeito ao auxílio emergencial de R$ 600 do governo federal. Com isso, argumenta a entidade, pessoas que estavam desempregadas conseguiram voltar ao consumo, ainda que de itens básicos.

Além disso, Claret relata que, no início da pandemia no Brasil, principalmente em março, houve uma corrida aos supermercados, pois as pessoas, inseguras com a situação, desejaram estocar alguns produtos. Tanto é que o terceiro mês do ano apresentou um crescimento de 11,93% na comparação com fevereiro. O presidente da Amis lembra, inclusive, da orientação que foi dada na época, de que não precisava haver uma procura tão intensa pelos itens desses estabelecimentos, pois havia estoque, e esse comportamento poderia pressionar os preços.

Já em junho, período  mais recente apurado pela entidade, a subida de preços em relação ao mês anterior não ocorreu, pelo contrário. Na comparação com maio, houve retração de 3,69%. Já em relação ao mesmo intervalo do ano passado, houve incremento de 9,97%. Segundo a Amis, o recuo frente a maio está relacionado ao efeito calendário, uma vez que no quinto mês do ano foram cinco fins de semana dito cheios, de sexta a domingo, enquanto junho somou quatro. Além disso, junho já costuma apresentar historicamente números mais baixos.

Novo normal – Se o novo comportamento e estilo de vida da população foram uns dos responsáveis pelo aumento das vendas, Claret lembra que as mudanças não estão relacionadas apenas a um consumo maior dos itens de supermercado. As compras também já não são as mesmas no que se refere ao conteúdo.

“Hoje, as vendas são mais de itens básicos, como arroz, feijão, óleo, leite e café. Os consumidores estão mais seletivos. A gente volta mais ou menos ao que vivemos no início da crise econômica do Brasil: as pessoas buscam preços melhores, acabam não sendo fiéis a marcas e procuram alternativas. Isso é bem perceptível neste momento”, pontua.

Do lado dos supermercados, a situação econômica também não está avançando tanto quanto os números sugerem. Claret ressalta que a elevação de custos está muito acentuada na pandemia. Esses estabelecimentos, diz ele, precisaram investir bastante em cuidados para evitar a disseminação do Covid-19 e, assim, garantir a segurança dos funcionários e consumidores. Algumas das ações tomadas nesse sentido têm sido a adequação dos espaços, com objetivo de evitar aglomerações, e disponibilização de grandes quantidades de álcool em gel para uso das pessoas nos locais.

Os dados da Amis também mostram que, no que diz respeito aos números por região, Central, Triângulo/Alto Paranaíba e Sul foram as que apresentaram maior crescimento no primeiro semestre deste ano, de 12,14%, 10,89% e 9,40%, respectivamente. Já o menor avanço foi registrado na região Centro-Oeste (4,64%).