Abertura de pequenos negócios cresce 10% em Minas e atinge maior patamar da série histórica
A abertura de pequenas empresas em Minas Gerais alcançou o maior patamar já registrado desde 2011, início da série histórica. Entre janeiro e maio deste ano, o Estado somou 261.418 aberturas, alta de 10% frente ao mesmo período do ano passado, consolidando-se também como o terceiro recorde anual consecutivo e o quarto ano seguido de crescimento.
Os dados são do Data Sebrae, a partir de informações da Receita Federal. Apesar do recorde, o ritmo de crescimento perdeu força: a alta de 2026 ficou bem abaixo dos 27% registrados entre 2024 e 2025, sinal de que o ciclo de aceleração começa a se estabilizar.
O setor de serviços puxou o resultado em 2026 e respondeu sozinho por cerca de 80% das novas aberturas. Até maio, 168.409 negócios foram criados. Frente ao ano passado, o segmento cresceu 12,5%.
A indústria registrou o mesmo ritmo, com alta de 12,5% e 21.431 aberturas, enquanto a construção avançou 8,4% (19.370). A agropecuária, de menor peso no total, somou 2.672 novos negócios, alta de 4,7%.
O destaque menos otimista para as pequenas empresas em Minas Gerais ficou com o comércio. Tradicionalmente uma das principais portas de entrada do empreendedorismo, o setor praticamente estagnou: foram 49.536 aberturas, crescimento de apenas 1,7% frente ao ano anterior.
De acordo com o economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinicius Carlos Silva, a força dos serviços se explica pela combinação de baixo custo de investimento inicial e alta demanda, especialmente em áreas como consultoria, tecnologia e saúde. “São atividades que exigem pouco capital para começar e têm procura crescente, o que abre espaço para mais gente empreender”, afirma.
O cenário, segundo ele, é diferente para o comércio. O desempenho fraco estaria ligado às origens nas margens apertadas, um problema que se arrasta desde a pandemia e foi agravado pela alta taxa de juros.
“Diferentemente dos serviços, o varejo precisa de mais estrutura para crescer. É um setor que demanda mais pessoas, precisa gerar emprego para dar ritmo aos negócios, e a margem apertada não permite esse fôlego”, explica.
Silva chama atenção ainda para o peso do calendário político. Por ser ano de eleição, 2026 traz um ambiente de incertezas econômicas e regulatórias que tende a deixar investidores mais cautelosos e retraídos. Ao mesmo tempo, o economista argumenta que esse mesmo cenário ajuda a explicar o recorde de aberturas, já que diante da insegurança, muitas pessoas passam a empreender em busca de uma renda mais segura e de maior autonomia.
Entre janeiro e maio deste ano, o levantamento aponta que quatro em cada cinco aberturas ocorreram no formato Microempreendedor Individual (MEI), que respondeu por 79% do total. As Microempresas (MEs) representaram 18%, e as Empresas de Pequeno Porte (EPPs), os 3% restantes.
O economista explica que a facilidade de formalização e o acesso ao crédito ajudam a explicar o predomínio do MEI. “Reduz a burocracia e é uma porta de entrada para muitos empreendedores”, afirma.
Juros menores podem fortalecer ambiente de negócios
Para os próximos meses, Silva avalia que uma redução gradual da taxa de juros pode dar novo fôlego ao ambiente de negócios. Ele argumenta que, com o crédito mais barato, melhoram as condições de financiamento e o acesso a capital de terceiros, o que tende a movimentar a economia e estimular a geração de emprego e renda.
O economista pondera, no entanto, que esse cenário para as pequenas empresas depende do controle da inflação. “Precisamos de políticas que atuem na normalização da inflação e em juros mais baixos. Sem inflação sob controle, esse movimento não se sustenta”, finaliza.
Raio-X das aberturas de pequenas empresas em Minas
- 261.418 pequenos negócios abertos entre janeiro e maio, recorde da série histórica;
- 3º recorde anual consecutivo e 4ª alta seguida
- Em 2011, início da série, foram 56.646 aberturas, alta de 4,6 vezes em 15 anos
- 79% formada por Microempreendedores Individuais (MEIs)
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