Economia

Alpen Energias pretende investir R$ 10 bilhões em Uberaba

Complexo envolve a instalação de uma termelétrica, bem como a produção e a comercialização de fertilizantes verdes
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Alpen Energias pretende investir R$ 10 bilhões em Uberaba
Vista aéra da cidade de Uberaba | Crédito Renata Miziara/divulgação

A Alpen Energias SA, sediada no Ceará, pretende investir R$ 10 bilhões em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Para isso, acaba de adquirir um terreno de 178 mil metros quadrados no Distrito Industrial III, junto à Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e também já protocolou um pedido de ampliação da área, em vistas de implantar um complexo sustentável na cidade, envolvendo a geração de energia renovável, bem como a produção e a comercialização de fertilizantes verdes.

O projeto, que inclui uma usina termoelétrica (UTE) a gás natural mais hidrogênio verde, e uma planta para produção de amônia, ureia verdes e outros derivados, é o primeiro de grande porte da companhia na região Sudeste, e já se encontra em licenciamento por parte do governo do Estado.

A expectativa é que apenas na fase de construção 1.350 empregos sejam gerados. Já quando estiver em operação, o complexo vai empregar 500 pessoas. A produção será destinada aos setores de mineração, siderurgia e agronegócio tanto do mercado interno quanto de outros países.

De acordo com o diretor-presidente da Alpen, Stefan Danzl, o prazo estimado para aprovação de todas as licenças é de oito meses. “Estamos dependendo exclusivamente do licenciamento ambiental, que já foi iniciado junto ao governo. As obras devem ter início em 2026 e nossa previsão é que a fase inicial das operações ocorra em 2028. Já a atividade plena deverá ocorrer a partir de 2030”, explica.

Localização de Uberaba contou na decisão da Alpen Energias

Sobre a escolha por Uberaba, o diretor-executivo da companhia, Epifânio de Carvalho, diz que ocorreu após minucioso estudo, que levou em consideração não apenas a localização estratégica do município, mas também as condições e infraestrutura locais, como universidades e disponibilidade de mão de obra.

“Existiam outras regiões, mas entendemos que o Triângulo Mineiro é a porta de entrado do desenvolvimento do interior do País. Temos hoje uma situação de logística na costa marítima já muito saturada e enxergamos a necessidade de interiorizar esse tipo de empreendimento deste porte”, afirma.

E o pontapé inicial para tirar o complexo do papel, para além da aquisição do terreno, está também em uma parceria firmada com a Universidade de Uberaba. Carvalho diz que se trata de um projeto-piloto para um convênio de cooperação técnico científica, pelo qual, a academia vai fazer uma consultoria técnica do empreendimento, por meio da Universidade do Agro.

“Essa parceria vai ser muito importante tanto para a capacitação de mão de obra, como para os projetos de pesquisa e desenvolvimento aliados ao complexo. A previsão é que seja inaugurada no início do ano que vem”, adianta.

Terreno foi negociado pela Codemge

Assinatura de compra e venda do terreno com a Codemge Crédito Divulgação Alpen Energias
Assinatura de compra e venda do terreno com a Codemge | Crédito Divulgação Alpen Energias

Da parte da Codemge, o grande investimento pode marcar o último projeto liderado pelo presidente Thiago Toscano, que está de saída do governo para a iniciativa privada. De acordo com o assessor da estatal, Franco Cartafina, são grandes as expectativas do governo estadual acerca do complexo da Alpen.

“É um investimento na área de energia limpa, que pode chegar a R$ 10 bilhões, e envolve inovação e tecnologia. E que vem contribuir com o Estado, mostrando, mais uma vez, a potência de Minas Gerais. E a escolha por Uberaba reforça a importância de sua logística privilegiada e o potencial de desenvolvimento de toda a região”, avalia.

Em relação ao negócio, Cartafina conta que a Codemge tomou conhecimento da demanda do grupo cearense por uma área na cidade do Triângulo Mineiro para a instalação de uma UTE, por meio diretor da BEM Consultoria empresarial, José Renato Gomes.

“Foi então que identificamos esse terreno próximo a um curso d’água, que é fundamental para a termelétrica. O DI III anda tem algumas áreas ainda sob a gestão da Codemge e negociamos com a empresa. Inclusive, acreditamos que outros terrenos no mesmo distrito deverão ser negociados a partir da instalação do complexo”, revela.

Por fim, o diretor da BEM Consultoria empresarial, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, fala sobre a importância da disposição do poder público em receber bem investidores como o Stefan Danzl.

“O poder público precisa ser ágil, transparente e facilitar a vida de quem quer trabalhar e gerar emprego. E é isso que temos encontrado no governo de Romeu Zema (Novo). Meu sentimento é de gratidão a toda equipe da Codemge, que se empenhou para viabilizar a negociação do terreno”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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