Economia

Anvisa alerta que testes em canetas contrabandeadas do Paraguai não comprovam eficácia de medicamento

Agência afirma que análises da Unicamp identificaram tirzepatida, mas não demonstram equivalência nem biodisponibilidade em relação aos produtos registrados
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Anvisa alerta que testes em canetas contrabandeadas do Paraguai não comprovam eficácia de medicamento
Imagem ilustrativa. | Foto: Adobe Stock

Após um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ter confirmado a presença da tirzepatida em canetas “emagrecedoras” contrabandeados do Paraguai, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou, nessa segunda-feira (6), que os testes feitos não comprovam a equivalência nem a biodisponibilidade do medicamento com os produtos registrados no Brasil.

Vendida comercialmente como Mounjaro, a tirzepatida é um remédio injetável de uso semanal que atua no cérebro e no intestino para controlar o apetite e a glicemia. Ela é aprovada pela Anvisa para o tratamento de diabetes tipo 2 e para o controle crônico do peso.

Sobre os testes na Unicamp, de acordo com a Anvisa, os pesquisadores do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da universidade fizeram apenas exames de presença, concentração e estrutura molecular do princípio ativo tirzepatida em medicamentos contrabandeados, o que é insuficiente para afirmar que os itens tenham a mesma segurança e eficácia de produtos liberados pela Anvisa.

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“Para garantir que um medicamento é equivalente a outro, são necessários testes específicos para assegurar concentrações e características idênticas. Além disso, os testes precisam avaliar se o medicamento funciona da mesma forma quando é aplicado em uma pessoa. Para isso, é necessário avaliar como o produto é absorvido pelo corpo, qual a concentração que atinge na corrente sanguínea e quanto tempo leva para ser eliminado”, afirma a agência, em nota.

Além disso, para se comprovar a equivalência, é necessário que o estudo seja feito em um centro de bioequivalência credenciado, que tem a responsabilidade de avaliar as etapas clínicas, analíticas e estatísticas do estudo.

Equivalência não existe nesse caso

A Anvisa reforça que o CIATox não é um centro de bioequivalência credenciado no Brasil, não realizou estudos de equivalência, e não faz parte da Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde.

“Os testes realizados pela Unicamp permitem dizer que havia presença de princípio ativo nos frascos. Entretanto, não é possível afirmar que são equivalentes, já que não foram feitas análises de impurezas, contaminantes, degradação do produto, esterilidade, presença de metais pesados, entre outros. O mais importante: o teste não avaliou a biodisponibilidade. Esse é o dado mais relevante para dizer que um medicamento funciona do mesmo jeito que outro”, completa a agência.

Como é o processo de registro de um medicamento?

Ainda conforme a Anvisa, o processo de registro de um medicamento é complexo e requer a apresentação de informações qualitativas e quantitativas completas sobre o produto, incluindo sua caracterização, formulação, impurezas, especificações, controle de qualidade, validação de metodologia analítica, processo produtivo, além de dados que comprovem sua eficácia e segurança clínicas.

Uma análise laboratorial, sem conhecimento de informações que só o fabricante detém acerca do produto (como processo de síntese, impurezas possíveis, perfil de degradação etc.), não traz informações confiáveis, principalmente sobre o conteúdo do fármaco e de impurezas. Um método de análise não detecta automaticamente qualquer impureza. Mesmo métodos descritos em farmacopeias não são automaticamente considerados adequados e precisam passar por um processo de validação.

Antes, é necessário entender quais impurezas podem estar presentes (impurezas em potencial) para, então, desenvolver um método capaz de detectar e monitorar essas impurezas. As empresas fabricantes dos produtos analisados pela Unicamp não foram avaliadas na linha de produção, o que afeta diretamente a qualidade do produto final. E não foram avaliadas pela Anvisa, que não teve acesso aos laudos nem às metodologias, quanto à certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF), etapa essencial para assegurar a qualidade da fabricação de medicamentos.

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