Até 56% mais barato, ‘Ozempic nacional’ começa a ser vendido em Minas; veja preços e condições
O primeiro estoque da Ozivy, primeira (e até o momento) única caneta injetável nacional feita à base de semaglutida, princípio ativo dos conhecidos Ozempic e Wegovy, começou a ser distribuído para as drogarias mineiras nessa segunda-feira (15). O produto, originalmente desenvolvido para tratar a diabetes mellitus tipo 2 e que ganhou fama por promover a redução de peso, custa até 56,8% a menos na versão brasileira, produzida pela EMS, o que gera expectativa de alta nas vendas entre todos os comerciantes de medicamentos consultados pela reportagem.
Na Pague Menos, a comercialização da classe de remédios GLP-1 (hormônio natural que regula o metabolismo da glicose e controla a saciedade), da qual a semaglutida faz parte, cresceu 153% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior. “A categoria passou a representar 9,1% do faturamento total da companhia. A expectativa é positiva, especialmente pelo potencial de ampliação do acesso ao tratamento. Com preços mais acessíveis, a tendência é que mais pacientes iniciem e mantenham o uso da medicação. A redução das barreiras financeiras deve contribuir para acelerar ainda mais esse crescimento”, afirma o diretor comercial da Pague Menos, Renan Vieira.
Na Araujo, a venda desses medicamentos tem recebido alta procura desde a chegada dos mesmos ao Brasil, em 2019. “É um medicamento de uma procura espontânea enorme. Hoje a gente tem uma venda muito grande de todos os produtos dessas linhas e imaginamos que o segmento vai crescer ainda mais considerando o preço mais acessível. Então, muitas pessoas que hoje deixam de usar poderão acessar”, diz a gerente técnica da Araujo, Isabel Dias.
Na Droga Raia, também é positiva a expectativa diante da chegada do ‘Ozempic brasileiro’. “Não sabemos estimar quanto, mas as vendas devem crescer, sim, porque temos ouvido muitos clientes que estão aguardando ansiosamente a chegada do Ozivy. O preço dele é drasticamente mais em conta, mas ainda há muita gente que prefere o Mounjaro (tirzepatida) ou prefere a marca que está utilizando e pode ter resistência em fazer a mudança (para o mais barato)”, declara atendente da loja da rua Rio Grande do Sul, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, Daniel Araújo.
A própria Associação dos Distribuidores Farmacêuticos do Brasil (Abafarma) pontuou que a expectativa do setor é de novo impulso de vendas com o fim da patente do Ozempic pela Novo Nordisk.
Quanto custa a caneta da EMS nas drogarias?
Na Araujo, uma caneta injetável Ozivy com 1 miligrama custa R$ 431,62 com o desconto da EMS (saiba mais abaixo), o que representa 56,8% a menos que o medicamento de referência (R$ 999). Veja abaixo:
| Drogaria | Ozempic 1mg (preço normal x preço com desconto) | Ozivy 1mg (preço normal x preço com desconto) |
|---|---|---|
| Araujo | R$ 1.314,38 x R$ 999 | R$ 664,02 x R$ 431,62 |
| Indiana | R$ 1.314,38 x R$ 999 | R$ 603,59 x R$ 422,51 |
| Pacheco | R$ 1.236,17 x R$ 999 | R$ 664,02 x R$ 464,81 |
| Pague Menos | R$ 1.279,99 x R$ 999 | R$ 609,49 x R$ 464,81 |
| Raia | R$ 1.314,38 x R$ 999 | R$ 664,02 x R$ 464,81 |
Os preços acima e a disponibilidade dos itens podem ser alterados sem aviso prévio. As consultas foram feitas pela reportagem aos portais das drogarias na tarde desta terça (16).
O desconto da EMS é uma estratégia da farmacêutica voltada para clientes que fazem um cadastro no site da empresa. Em Belo Horizonte, a Araujo, a Pague Menos, a Droga Raia e a Pacheco são alguns dos estabelecimentos participantes do chamado EMS Saúde. A lista completa de drogarias credenciadas pode ser vista aqui, a partir do CEP do cliente. Para comprar produtos da EMS com desconto, é necessário fazer um cadastro no Programa de Adesão ao Tratamento EMS Saúde. O processo, que exige dados obrigatórios, como o CPF e o número de WhatsApp, é feito diretamente com a farmacêutica, no site ou no aplicativo para dispositivos móveis.

A gerente técnica da Araujo, Isabel Dias, explica que a drogaria oferece a apresentação de 1 miligrama da caneta produzida pela EMS em mais de 360 lojas de 65 cidades de Minas Gerais. Ela reforça que o item só pode ser vendido com prescrição médica, física ou digital e que precisa ser mantido sob refrigeração (veja mais orientações e preços abaixo) para garantir sua eficácia.
“Para comprar, a gente precisa que o cliente apresente a receita original, que tem validade de 90 dias. A Ozivy está chegando em todas as unidades da Araujo. É um medicamento que traz a segurança de ser feito por um fornecedor nacional, que é o maior laboratório farmacêutico do Brasil. A gente sabe que muita gente tem comprado de fontes não confiáveis, sem garantia de onde está vindo, do transporte, da segurança”, afirma Isabel Dias.
Leia mais: Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic
Receita de Ozempic vale para Ozivy?
A gerente técnica da Araujo, Isabel Dias, explica que a Ozivy não é um medicamento genérico do Ozempic e, portanto, não pode substituir o remédio de referência na receita. Ou seja, uma pessoa que tem uma prescrição para Ozempic não pode trocar o produto por Ozivy, e vice-versa.
“A Ozivy não é genérica. Ela é um medicamento biossimilar equivalente. Então, uma receita de Ozempic só compra Ozempic. O cliente precisa vir com a receita no nome do novo medicamento. A gente não pode trocar, como a gente faz com genérico. Ele não é um genérico”, declara.

Outra orientação da especialista é relacionada à importância da orientação médica. De acordo com ela, a Ozivy, assim como qualquer remédio, oferece riscos e é preciso se consultar, fazer exames e obter acompanhamento profissional. “A questão da pancreatite é séria, é um dos maiores riscos e pode ser grave, pode levar à morte caso não seja tratado. Então, é importante cuidar, fazer exames para avaliar, entender a dosagem, a forma de usar, orientar o paciente”, diz.
Também é importante que o cliente armazene o produto em geladeira, o que não é necessário no Ozempic. Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Ozivy precisa ficar guardada em temperaturas de 2°C a 8°C antes e depois de iniciado o tratamento. “A temperatura muito alta ou muito baixa interfere na qualidade do medicamento”, completa.
EMS é primeira empresa a ofertar produto
A EMS foi a primeira, mas outros laboratórios brasileiros estão com documentação na fila na Anvisa para produzir canetas injetáveis à base de semaglutida, o que deverá gerar concorrência e, possivelmente, a diminuição nos valores desses produtos.
A liberação da Ozivy foi concedida pela Anvisa em 26 de maio. O produto, segundo a agência, é a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic, que é o produto biológico liberado para comercialização no Brasil.
“Ou seja, o novo medicamento é uma cópia em versão sintética de um medicamento originalmente biológico registrado na Anvisa. O medicamento usa o mesmo princípio ativo do Ozempic, que teve sua patente expirada em 20 de março. O pedido de registro do medicamento com semaglutida sintética chegou em 2023 e passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade feita por meio do registro na Anvisa”, declara a agência, em nota.
Ainda de acordo com a Anvisa, a Ozivy poderá ser usada para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e ao exercício em monoterapia, quando a metformina é considerada inapropriada devido a intolerância ou contraindicações; e em adição a outros medicamentos para o tratamento do diabetes.
Ouça a rádio de Minas