Ouro impulsiona alta na arrecadação da Cfem em Minas Gerais no acumulado até julho

O recolhimento de royalties do ouro cresceu 46,8% no período, segundo dados da ANM
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Ouro impulsiona alta na arrecadação da Cfem em Minas Gerais no acumulado até julho
O recolhimento da Cfem referente ao minério de ferro explorado pela Anglo American em Conceição do Mato Dentro caiu 18,8% de janeiro a julho | Foto: Divulgação Anglo American

A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) em Minas Gerais no acumulado de janeiro a julho deste ano aumentou 1,6% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 1,7 bilhão, de acordo com dados do Observatório da Cfem, da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Um dos principais responsáveis por esse resultado foi o ouro. O recolhimento de royalties da substância cresceu 46,8%, para R$ 170,2 milhões, refletindo o momento favorável do mercado para os produtores, com a forte valorização do metal em 2026.

A título de demonstração, o preço médio da onça chegou a US$ 4.695,98 na primeira metade do ano, o que representa alta de 52,9% na comparação interanual, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Como consequência, as exportações mineiras do metal subiram 64,5% em valor, além de 5,1% em volume.

O Estado concentra unidades de importantes mineradoras do segmento. Entre as empresas estão Kinross Brasil Mineração, AngloGold Ashanti e Jaguar Mining, que apresentaram avanços operacionais e financeiros no primeiro semestre, impulsionadas pela cotação.

Inclusive, essas três companhias pagaram mais Cfem nos primeiros sete meses de 2026 ante o mesmo intervalo do ano passado. Os pagamentos da Kinross subiram 47,7%, somando R$ 105,9 milhões; da AngloGold, 23%, para R$ 48,2 milhões; e da Jaguar (registrada como Mineração Serras do Oeste na plataforma da ANM), 5%, atingindo R$ 39,2 milhões.

Retração no minério de ferro

Na contramão do ouro, a arrecadação da Cfem de minério de ferro em Minas Gerais recuou 1,3% entre janeiro e julho deste ano contra o mesmo intervalo de 2025, para R$ 1,4 bilhão, conforme os números do Observatório da Cfem.

Uma das principais mineradoras do segmento que atuam no Estado, a Anglo American pagou menos royalties no período, o que ajuda a explicar o resultado. Os pagamentos da companhia, proprietária do sistema Minas-Rio, localizado em Conceição do Mato Dentro, totalizaram R$ 192,7 milhões, com queda interanual de 18,8%.

Por outro lado, outras produtoras de minério de ferro aumentaram os pagamentos, por exemplo, a Vale, que aumentou 13,7%, chegando a R$ 772,6 milhões; a CSN Mineração, 11,8%, somando R$ 187,9 milhões; e a Samarco, 44%, para R$ 62,1 milhões.

Estado lidera recolhimento

Minas Gerais liderou a arrecadação da Cfem entre as unidades da Federação nos primeiros sete meses de 2026. O Estado respondeu por 44,4% do recolhimento no Brasil, que chegou a R$ 3,8 bilhões, com aumento de 3,9% frente ao mesmo período do ano passado.

Na segunda posição do ranking ficou o Pará, que registrou queda de 11,4% no recolhimento de royalties, para R$ 1,5 bilhão, o que equivale a 32,9% do total nacional. O resultado paraense foi composto principalmente pelo minério de ferro (R$ 1 bilhão) e cobre (R$ 325,9 milhões), com destaque para pagamentos da Vale (R$ 1 bilhão) e Salobo Metais (R$ 298,1 milhões), empresa que pertence ao grupo Vale.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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