Economia

Após suspender US$ 1 bilhão em investimentos, Atlas desiste de complexo solar de 1 GW no Norte de Minas

Após suspender planos de investimento no País, companhia desistiu de 25 centrais fotovoltaicas do complexo Santa Rita, em Buritizeiro
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Após suspender US$ 1 bilhão em investimentos, Atlas desiste de complexo solar de 1 GW no Norte de Minas
A Atlas suspendeu planos de aportes de US$ 1 bilhão no Brasil | Foto: Divulgação Atlas Renewable Energy

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revogou, a pedido da Atlas Renewable Energy, as outorgas de autorização de 25 centrais fotovoltaicas do complexo Santa Rita, em Buritizeiro, no Norte de Minas Gerais. Cada central possui 41.244 quilowatts (kW) de potência instalada, o que totaliza aproximadamente 1 gigawatt (GW) de capacidade autorizada.

O despacho foi publicado pela Aneel no Diário Oficial da União (DOU). A decisão ocorre poucas semanas depois de a Atlas suspender planos de investir US$ 1 bilhão no Brasil, sob a justificativa de que a falta de capacidade de conexão à rede elétrica compromete a viabilidade dos projetos.

De acordo com a nota técnica da Aneel, que fundamentou o despacho, a Atlas protocolou o pedido de revogação em 24 de abril deste ano. A principal justificativa apresentada pela empresa foi a inviabilidade técnica do projeto em decorrência da ausência de margem de escoamento disponível para a conexão ao sistema elétrico, dentro do prazo de 48 meses estabelecido para a entrada em operação comercial.

A nota técnica também esclarece que os empreendimentos não estavam em atraso em nos cronogramas de implantação. O prazo de 54 meses previsto nas outorgas se encerraria apenas em novembro de 2027, destacando que a desistência partiu de decisão da própria empresa, e não de descumprimento de prazos.

A Aneel também afirma que não foram identificadas pendências financeiras da Atlas ou da cadeia societária nos sistemas. Além disso, não foram constatados registros de sanções no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU).

Dessa forma, o pedido de desistência da Atlas no projeto fotovoltaico no Norte de Minas Gerais se enquadra aplicável ao formato do empreendimento, que dispensa uso de bem público, sendo enquadrado como Produção Independente de Energia (PIE).

Procurada, a Atlas Renewable Energy não retornou até a última atualização da reportagem.

Desistência pode afetar avanço da matriz fotovoltaica em Minas

A desistência da Atlas no Norte de Minas Gerais coloca em alerta o avanço da matriz elétrica no Estado. O território segue perdendo ritmo de expansão, que já é 11,7% menor entre janeiro e maio deste ano quando comparado ao mesmo período de 2025.

A desaceleração é influenciada pela queda na demanda para absorver toda a geração disponível. A falta de capacidade de conexão à rede elétrica segue como o principal motivo para o encerramento de projetos, e processos como o curtailment (cortes controlados na produção) tornam-se cada vez mais frequentes.

Dentre as soluções apontadas estão a construção de hidrelétricas com reservatórios ou reversíveis, além do avanço na utilização de fontes solares e eólicas com baterias. Também espera-se maior fortalecimento da economia para aumentar a demanda, especialmente da indústria.

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