Bairro fora do eixo Centro-Sul ocupa pela 2ª vez o título de mais valorizado de BH; saiba qual
Com preço médio do metro quadrado a R$ 54 – o que representa uma valorização imobiliária de 75,7% em um ano – o Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte, aparece como o bairro que mais se valorizou na capital mineira nos últimos 12 meses. Os dados são do Índice de Aluguel Quinto Andar, divulgado nessa segunda-feira (18).
Essa é a segunda vez que o Camargos se destaca no levantamento da plataforma de compra e locação de imóveis. Em 2024, o bairro também já havia chamado a atenção pela valorização imobiliária, que naquele ano cresceu 42,1%.
Para o professor do curso técnico em transações imobiliárias e vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de Minas Gerais (Sindimóveis/MG), Leandro Chaves, o crescimento do interesse do mercado pelo Camargos está atrelado, principalmente, à chegada da Arena MRV, estádio de futebol inaugurado nas proximidades do bairro em agosto de 2023.
“A própria construção do estádio e as melhorias de infraestrutura que a região recebeu, como o recapeamento de várias ruas, reforma e criação de escolas e postos de saúde, além da melhoria das vias de acesso, fomentaram o olhar para o bairro, que vem recebendo muitos lançamentos imobiliários”, destaca.
O índice do Quinto Andar também aponta que o Serra, na região Centro-Sul, e Sagrada Família, na região Leste, figuram no segundo e terceiro lugares, com 33,5% e 22,6%, respectivamente, de valorização no período de um ano.
Veja abaixo o ranking completo:

Escassez de lançamentos pesa na desvalorização
Por outro lado, Luxemburgo, na região Centro-Sul, Itapoã (Pampulha) e Ipiranga (Nordeste) lideram a lista dos bairros que mais perderam valor de aluguel nos últimos 12 meses. Os três tiveram quedas de 30,1%, 15,6% e 11,1% respectivamente. (Veja a lista abaixo).
“Quando se fala em bairros desvalorizados, é preciso compreender que estamos falando apenas da análise de um indicador financeiro. Não quer dizer que os bairros não são bons”, afirma a vice-presidente da área das administradoras de imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Gabriela Lara.
Segundo a dirigente, a pesquisa mostra que, comparados a outros bairros, os valores dos aluguéis nos bairros desvalorizados, não acompanharam uma subida acelerada. “Isso pode ser ocasionado pela escassez de oferta de imóveis novos, que puxam os valores para cima. Encontramos mais oferta de aluguel de imóveis antigos nesses bairros”, explica.
Barro Preto perde valor
Chama a atenção ainda a queda do Barro Preto, na região Centro-Sul, que na pesquisa de 2025 apareceu como o bairro mais valorizado de Belo Horizonte e neste ano não só deixou a seleta lista como figura entre os sete mais desvalorizados.
Chaves explica que o bairro sofre atualmente com um grande volume de pessoas em situação de rua. “Isso tem afastado muitas empresas e pessoas da região. Temos inúmeros exemplos de prédios completamente vazios”, conta.
O vice-presidente do Sindimóveis também aponta que nos últimos anos houve uma mudança no perfil do comércio local, o que impactou a ocupação imobiliária no bairro. “O Barro Preto não é, nem de longe, aquela potência que era em relação à moda em anos anteriores”, conclui.

Infraestrutura da região afeta preços e procura por imóveis
Por fim, Leandro Chaves faz questão de explicar que a valorização e/ou desvalorização de um imóvel, bem como seu preço, não são definidos apenas pelas características físicas do espaço – como acabamento e metragem. Segundo ele, o impacto do entorno também influencia nesses parâmetros.
“O que a região tem de infraestrutura, de forma positiva ou negativa, como acesso a transporte público, escola, posto de saúde e área de lazer, também deve ser considerado. Então, o que a gente percebe é que os bairros que oferecem uma maior qualidade de vida elevam os preços de aluguel e os preços de venda”, explica.
Já aqueles que, segundo Chaves, deixam a desejar nesses aspectos, sofrem dois impactos. “O primeiro é o da liquidez. As pessoas deixam de procurar imóveis nesses bairros. É o primeiro cenário que acontece com um local desvalorizado. E a partir do momento em que a demanda cai, o segundo efeito, que nós temos, é exatamente a queda dos valores de locação e de venda”, completa.
Oito dos dez bairros mais caros de BH estão na região Centro-Sul
O Índice de Aluguel Quinto Andar também revela que os bairros de Lourdes (R$ 74,70), Savassi (R$ 70,60) e Santo Agostinho (R$ 68,20), todos na região Centro-Sul da capital mineira, registraram o metro quadrado mais caro de Belo Horizonte em abril deste ano.
Apenas dois bairros do ranking não estão na região Centro-Sul: Camargos e Buritis, na região Oeste. (veja a lista abaixo).

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