Biosolvit acelera expansão com inovação ambiental e mira R$ 700 milhões em receita até 2032
A empresa de tecnologia ambiental Biosolvit vive um novo ciclo de expansão e projeta praticamente dobrar de tamanho em 2026. Após faturar R$ 70 milhões em 2025, a expectativa é alcançar entre R$ 90 milhões e R$ 135 milhões neste ano, impulsionada por novos negócios e processos de fusões e aquisições (M&A). Para 2032, a meta é atingir R$ 700 milhões em receita, apoiada na expansão nacional e internacional, no avanço do saneamento básico e no fortalecimento de sua atuação em Minas Gerais.
Fundada com o objetivo de transformar resíduos orgânicos em materiais de alto valor agregado, a empresa nasceu de uma ideia bastante diferente da atual. O CEO da Biosolvit, Guilhermo Queiroz, conta que a inspiração surgiu quando descobriu que apenas 3% da palmeira utilizada para produção de palmito era aproveitada, enquanto o restante era descartado.
“A ideia inicial era montar uma indústria de palmito em conserva. Quando percebemos que 97% da matéria-prima era descartada, entendemos que havia uma oportunidade de criar novos materiais por meio da ciência. Nosso propósito sempre foi fazer algo que gerasse impacto positivo para a sociedade”, afirma.
Hoje, a empresa atua em cinco frentes de negócios: reaproveitamento de resíduos orgânicos, soluções para contenção de vazamentos de petróleo e derivados, elementos filtrantes para purificação de água, tecnologias digitais para monitoramento da qualidade da água e supressores de poeira produzidos a partir de garrafas PET recicladas.
Embora tenha atuação nacional, Minas Gerais ocupa posição estratégica nos planos da empresa. Uma das operações mais recentes foi a inauguração da fábrica em Itabira, na região Central do Estado, criada para atender um projeto desenvolvido em parceria com a Vale. A unidade produz supressores de poeira fabricados com plástico PET reciclado, uma tecnologia desenvolvida originalmente pela mineradora em conjunto com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e cuja produção foi licenciada à Biosolvit.
Segundo Queiroz, além do benefício ambiental, o projeto possui impacto social ao estimular a economia circular. “Hoje, cerca de 60% de todo o PET que compramos vêm diretamente de cooperativas de catadores. Isso gera renda e fortalece a cadeia da reciclagem nas regiões onde atuamos”, pontua.

Outra frente importante está no saneamento. A empresa fornece à Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) um sistema inteligente para monitoramento da qualidade da água dos córregos que deságuam na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Ao todo, são 20 pontos de monitoramento instalados nos afluentes, que acompanham em tempo real indicadores como oxigênio dissolvido e outros parâmetros que permitem avaliar o nível de poluição e orientar intervenções ambientais.
“A Copasa acreditou nesse projeto antes de outras empresas e isso teve um papel muito importante para nós. Nossa expectativa é ampliar essa parceria para outras aplicações, desde o tratamento nas estações até o monitoramento da água que chega ao consumidor”, conta.
Em Minas, a empresa também já forneceu produtos de decoração e jardinagem para a rede de Supermercados BH. “Os produtos de decoração e jardinagem tivemos que reduzir drasticamente, pois estávamos dependendo muito dos resíduos, e no atual contexto, estamos usando para fazer outros produtos”, explica.
Além desses projetos, a empresa fornece soluções que atendem clientes industriais, comercializando produtos voltados à contenção de pequenos vazamentos de óleo e combustíveis e outros com sistemas de filtragem. “Se você bebe água em purificador, possivelmente ali dentro tem um produto que é nosso”, observa Queiroz.
Expansão
A expectativa de crescimento para este ano está ligada, principalmente, aos processos de fusões e aquisições atualmente em andamento. Sem revelar os nomes das empresas envolvidas, devido aos acordos de confidencialidade, Queiroz afirma que duas negociações já entraram na fase de diligência. “Se todas as operações forem concluídas, podemos chegar a R$ 135 milhões em faturamento neste ano e superar R$ 240 milhões em 2027”, diz.
Além das aquisições, outro vetor de expansão será a criação de uma rede de biofranquias, modelo que distribuirá inicialmente as soluções de monitoramento da qualidade da água e, posteriormente, os produtos da divisão de remediação ambiental.
A empresa também aposta na universalização do saneamento básico como um dos principais mercados para os próximos anos. “O saneamento representa uma das maiores frentes de investimento do Brasil. Estamos muito bem posicionados para oferecer soluções de digitalização dos processos de monitoramento e tratamento da água. Estamos no lugar certo, na hora certa”, frisa.
Ciência – Desde sua criação, a Biosolvit mantém uma forte aproximação com universidades e centros de pesquisa. Segundo o CEO, boa parte das inovações nasce justamente da conexão entre pesquisadores e mercado.
Para fortalecer esse relacionamento, a empresa criou o BioColab, iniciativa voltada para aproximar pesquisadores, universidades e empresas interessadas em transformar pesquisas acadêmicas em produtos comercializáveis. “Ninguém pensa soluções novas melhor do que quem está dentro da universidade. Nosso papel é conectar essas pesquisas ao mercado e transformar conhecimento em inovação”, diz.
Segundo o CEO, embora a maioria dos projetos ainda surjam por demanda de empresas que buscam alternativas para reaproveitar resíduos, o potencial de novos materiais é muito maior. “O Brasil produz toneladas de resíduos que ainda podem ganhar aplicações de alto valor agregado. O desafio não é apenas reciclar, mas transformar esses materiais em produtos que realmente façam diferença para a sociedade”, finaliza.
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