Bolsa cai 3% com rumor sobre Mercadante na Petrobras ou no BNDES

Mercado busca pistas sobre a definição da equipe do próximo governo e qual será a política fiscal a ser adotada
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Bolsa cai 3% com rumor sobre Mercadante na Petrobras ou no BNDES
A semana também tende a ser de cautela global antes da reunião de política monetária nos Estados Unidos, quando o Fed vai divulgar sua última decisão do ano sobre a taxa de juros do país - Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

São Paulo – As negociações na Bolsa de Valores brasileira apresentavam nesta segunda-feira (12) forte desvalorização de ações importantes para a composição do índice de referência para o mercado acionário do país.

Às 12h30, o Ibovespa caía 3%, aos 104.289 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial à vista subia 1,77%, cotado a R$ 5,3380 na venda.

Na cena doméstica, a tramitação da PEC da Transição na Câmara e a diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nesta segunda-feira, estavam no foco dos investidores.

O mercado busca pistas sobre a definição da equipe do próximo governo e qual será a política fiscal a ser adotada. A expansão dos gastos públicos é um dos pontos mais sensíveis neste momento.

Parte importante das perdas nesta sessão do Ibovespa era atribuída a rumores de que o ex-ministro petista Aloizio Mercadante estaria cotado para assumir o comando do BNDES ou da Petrobras.

As ações preferenciais da estatal petrolífera despencavam 4,73%. O Banco do Brasil, outra empresa com peso na Bolsa e que é controlada pelo governo, tombava 3,20%.

“O Mercadante é mais voltado à ampliação da participação do governo nas estatais e, sobretudo na Petrobras, não é isso o que o mercado quer”, disse Gabriel Meira, especialista e sócio da Valor Investimentos.

“No caso do BNDES, há a preocupação da retomada de uma prática como era a do governo de Dilma Rousseff, que buscava construir campeões nacionais, ou seja, financiava grandes empresas que não precisariam desse suporte porque têm acesso ao mercado de capitais”, completou Meira.

A semana também tende a ser de cautela global antes da reunião de política monetária nos Estados Unidos, quando o Fed (Federal Reserve) irá divulgar a sua última decisão do ano sobre a taxa de juros do país, na quarta-feira (14).

Na China, relatos de caos provocado pelo avanço da Covid nos centros urbanos criam dúvidas sobre a continuidade do afrouxamento das regras de restrição a atividades econômicas.

A Vale, que tem no mercado chinês o principal destino para as suas exportações, tombava 3,49% e exercia a maior influência negativa sobre os Ibovespa.

“Não é só o Mercadante [que está derrubando a Bolsa], mas um conjunto de coisas. A própria incerteza quanto ao presidente da Petrobras e também o exterior negativo”, comentou Rodrigo Marcatti, economista e presidente da Veedha Investimentos.

Na sexta-feira (9), a valorização das ações de exportadores de matérias-primas metálicas sustentou uma ligeira alta da Bolsa de Valores brasileira e colaborou para moderar o avanço do dólar frente ao real.

O dia também foi marcado pelo anúncio do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os nomes de cinco ministros que irão compor o seu governo. Fernando Haddad foi confirmado para a Fazenda, como era amplamente esperado.

O dólar comercial à vista fechou com ganho de 0,53%, cotado a R$ 5,2450 na venda -a alta acumulada na semana ficou em 0,61%.

No mercado de ações, o Ibovespa avançou 0,25%, aos 107.519 pontos, em um dia em que o volume movimentado na Bolsa esteve abaixo da média devido ao jogo no qual a seleção masculina de futebol do Brasil foi derrotada pela Croácia e eliminada da Copa do Mundo.

Os ganhos da Bolsa ficaram basicamente concentrados no setor de mineração e de matérias-primas metálicas. As ações ordinárias da Vale saltaram 3,33%. Os papéis da CSN Mineração dispararam 10%.

Esse segmento vinha sendo beneficiado pela expectativa de aumento das exportações para a China, uma vez que o país vem afrouxando restrições contra a Covid e adotando outras medidas para aquecer setores da sua economia.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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