Busca de empresas mineiras por crédito cresce 11,9%, maior alta do Sudeste
A busca por crédito entre as empresas continua em alta, mesmo com os juros elevados no Brasil. Na região Sudeste, Minas Gerais apresentou crescimento de 11,9% no acumulado de 12 meses até julho, seguido por São Paulo, com 11,7%; Espírito Santo, com 6,2%; e Rio de Janeiro, com 2,2%. Os dados são do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian e foram divulgados na segunda-feira (21).
No País, a procura das empresas por recursos financeiros cresceu 10,4% no acumulado de 12 meses até julho. Na análise por porte, as micro e pequenas empresas (MPEs) apresentaram a maior variação, de 10,5%. Na sequência, aparecem as grandes empresas, com 8,5%, e as médias, com 7,3%.
Para o analista de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Pedro Fernandes, a manutenção da demanda em alta ocorre em um momento particularmente desafiador para as empresas. O movimento demonstra a importância do crédito para a manutenção do capital de giro e do fluxo de caixa em um cenário de desaceleração da atividade econômica.
Segundo Fernandes, os números indicam que as empresas não estão tomando empréstimos para crescer ou investir. “Elas estão tomando crédito por sobrevivência, para continuarem operando diante de uma queda de demanda”, diz.
As concessões, no entanto, vêm perdendo ritmo, e as instituições financeiras estão mais criteriosas diante do aumento da percepção de risco. “Por isso, temos uma combinação em que as empresas continuam demandando recursos, mas encontram condições financeiras ainda bastante restritivas para acessar esse crédito”, avalia a assessora da Serasa Experian Julia Bispo.
Fernandes acrescenta que, no ambiente macroeconômico, os números mostram uma desaceleração da economia em todos os setores. Esse cenário resulta em maior busca por crédito, acompanhada por restrições mais severas.
Em relação ao maior crescimento da procura por financiamento entre as MPEs, Julia Bispo explica que esses negócios são mais dependentes do crédito para administrar as atividades cotidianas. “Em geral, possuem menor reserva de caixa, menor capacidade de absorver oscilações de receita e menos alternativas de financiamento do que empresas maiores”, diz.
Segundo ela, as companhias de maior porte conseguem acessar instrumentos mais sofisticados, inclusive o mercado de capitais. Já as MPEs dependem mais das linhas tradicionais de crédito para financiar o capital de giro e equilibrar entradas e saídas. “Por isso, em um cenário de maior pressão financeira, a necessidade de buscar crédito tende a aparecer com mais intensidade nesse grupo”, avalia.
Na análise por setores, todas as categorias registraram crescimento no acumulado de 12 meses até julho no Brasil. Os serviços apresentaram a maior variação, de 16%, seguidos pela agropecuária, com 14,6%; indústria, com 8,2%; e comércio, com 6%.
Fernandes explica que os serviços são mais sensíveis às variações da economia. “Quando a economia está acelerando, o setor geralmente é o que mais cresce. Porém, quando desacelera, ele também sente”, diz.
“As despesas do negócio não diminuem. Então, se você quer continuar no mesmo nível de faturamento, tem que conseguir uma maneira de financiar isso”, conclui.

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