Transporte de cargas aéreas no Aeroporto de Confins cresce 12,8% até setembro

BH Airport aposta em cargas de maior valor agregado e busca ampliar voos cargueiros para fortalecer a conexão de Minas Gerais com mercados internacionais
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Transporte de cargas aéreas no Aeroporto de Confins cresce 12,8% até setembro
Foto: Divulgação/ BH Airport/ Pedro Nicoli

A movimentação de cargas no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), cresceu 12,8% de janeiro a setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, foram transportadas 38,8 mil toneladas, ante as 34,4 mil toneladas no ano passado. O avanço foi sustentado pelo mercado doméstico, enquanto a operação internacional registrou retração de 20%.

Segundo dados da BH Airport, concessionária que administra o terminal, a movimentação doméstica somou 31,2 mil toneladas no acumulado até setembro, alta de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as cargas internacionais totalizaram 7,5 mil toneladas, contra 9,4 mil toneladas em 2025.

De acordo com o gestor comercial da BH Airport, Geovane Medina, apesar da redução no volume internacional, a estratégia da concessionária tem sido atrair cargas de maior valor agregado, capazes de gerar mais receita mesmo com uma tonelagem menor.

“Estamos com cargas com maior valor agregado circulando pelo nosso terminal. O nosso processo de negócio funciona baseado no quanto vale a carga, mais até do que na tonelagem”, afirma. Segundo ele, a redução de parte das importações marítimas, de menor valor agregado, foi acompanhada pelo fortalecimento das operações aéreas internacionais.

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Medina explica que duas cargas com o mesmo peso podem apresentar valores comerciais muito diferentes e, consequentemente, gerar receitas distintas. Por isso, a concessionária considera tanto o volume transportado quanto o perfil das mercadorias na definição de sua estratégia logística.

A empresa também trabalha para ampliar a oferta de voos cargueiros. Atualmente, o aeroporto conta com uma operação da Latam e pretende avançar para uma segunda frequência. A previsão informada pelo executivo é de que essa operação movimente cerca de 900 toneladas ao longo do ano.

Além disso, a BH Airport busca desenvolver novas conexões cargueiras com a Europa e ampliar as possibilidades de transporte de mercadorias nos porões de aeronaves de passageiros, modalidade conhecida como belly cargo. A iniciativa pretende oferecer mais alternativas logísticas para as empresas mineiras, com ganhos de eficiência, segurança e custos.

Efeito das tarifas e das exportações

A retração internacional foi influenciada principalmente pela redução das exportações, que recuaram cerca de 37% no período. As importações apresentaram queda menor, de 8,6%, segundo os dados da concessionária.

Questionado sobre os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, Medina reconheceu impactos sobre parte das exportações mineiras, mas avaliou que a influência sobre a operação de Confins foi limitada. Segundo ele, os efeitos foram mais perceptíveis no transporte marítimo, especialmente em segmentos como café, aço e minério de ferro, não afetando de forma significativa o terminal.

O executivo ressalta que o aeroporto atua como um hub logístico multimodal, integrando operações aéreas, marítimas e rodoviárias. No transporte rodoviário internacional, as cargas utilizam a estrutura logística para chegar a mercados como Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Condomínio logístico busca atrair indústrias

Paralelamente à expansão das operações de carga, a BH Airport mantém negociações para atrair empresas para o entorno do sítio aeroportuário. A concessionária trabalha com modelos imobiliários alfandegados e não alfandegados, buscando atender às demandas identificadas no mercado.

Atualmente, a empresa Campler ocupa espaço no empreendimento e mantém conversas com a concessionária sobre uma possível ampliação. A BH Airport também negocia com outros interessados para desenvolver novos negócios na área.

Segundo Medina, a mudança de estratégia, com a oferta dos dois modelos, busca adequar o projeto às necessidades das empresas. No momento, a demanda tem se mostrado maior pelo modelo não alfandegado. A concessionária também mantém discussões com os governos estadual e federal para aprimorar aspectos relacionados ao formato alfandegado.

Conhecido no mercado como aeroporto industrial, o modelo alfandegado pode oferecer vantagens tributárias para empresas que importam insumos, industrializam produtos e os destinam à exportação. Nesse caso, há possibilidade de suspensão ou isenção de tributos, conforme as regras aplicáveis ao regime. Para mercadorias destinadas ao mercado interno, o recolhimento pode ocorrer no momento previsto pela legislação, favorecendo o fluxo de caixa das empresas.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.