Certificação digital de peças automotivas pode gerar receitas e reduzir a criminalidade
O mercado de peças automotivas é gigante no Brasil e em Minas Gerais. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), em 2025 foram movimentados mais de R$ 260 bilhões em peças novas e reutilizadas.
Esse mercado pode ficar ainda maior em 2026 com uma solução criada pela Trillia, linha de negócios da B3 dedicada a dados, analytics e inteligência artificial (IA). A empresa lançou um novo ambiente digital para emissão, registro e comercialização de Certificados de Desmontagem Veicular.
A desmontagem veicular é um ramo de negócios que recicla veículos usados, separando peças e componentes que podem ser reaproveitados no mercado automotivo. Em Minas Gerais, o Grupo Sada inaugurou recentemente a Igarapé Reciclagem (IGAR), recicladora integrada de veículos.
Com as duas soluções, o mercado de autopeças usadas estará mais protegido da criminalidade, pois todo veículo desmontado poderá ter cada peça certificada, gerando uma origem segura para o usuário final. Assim, o consumidor estará mais seguro ao comprar uma peça de reposição para o seu veículo.
De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Automóveis e Acessórios de Minas Gerais (Sincopeças-MG), o comércio ilegal gerou R$ 12 bilhões em prejuízos para o setor somente em 2025. Logo, identificar a origem das peças tornou-se uma necessidade para a atividade.
Programa Mover Brasil
Um dos principais desafios do setor automotivo é dar a destinação correta a veículos em fim de vida útil e contribuir para reduzir impactos ambientais, conservar recursos e gerar valor.
De acordo com dados do Sindipeças, a frota brasileira é uma das mais velhas do mundo, com idade média de 10 anos e 11 meses, refletindo a dificuldade de renovação e os desafios para a descarbonização.
Um incentivo para renovar a frota nacional pode incrementar o mercado de peças, gerando demanda pela certificação digital de veículos desmontados.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu nesta sexta-feira, 29, o protocolo para recebimento dos pedidos de financiamento do BNDES Mais Mobilidade, linha de crédito de até R$ 21 bilhões voltada à renovação da frota brasileira de veículos pesados e à modernização do transporte rodoviário e urbano de cargas e passageiros. O crédito faz parte do Programa Mover Brasil, focado em renovar a frota de veículos.
Os Centros de Desmontagem Veicular (CDVs) permitem que se emita um certificado confiável e único sobre a destinação de cada veículo após o desmonte, dando transparência a credores e reguladores sobre o cumprimento de pré-requisitos para a obtenção de incentivos, como o Programa Mover. “No fim, ganha o mercado inteiro, com mais transparência e menos risco”, afirma o diretor-geral da Trillia e vice-presidente da B3, Marcos Vanderlei.
Para o consumidor, segundo Vanderlei, conhecer a procedência das peças dos veículos desmontados vai significar mais proteção contra golpes, menor risco na transferência indevida do veículo e uma jornada mais clara das peças.
“Frotas mais novas e eficientes podem reduzir acidentes, emissões e consumo de combustível, ao mesmo tempo em que criam demanda por reciclagem de materiais e maior controle sobre a cadeia de desmontagem”, explica Marcos Vanderlei.
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