Crédito: Tânia Rego/ABr

O comércio por atacado e varejo, exceto veículos automotores, deverá apresentar os maiores impactos diretos e indiretos no Valor Adicionado (VA) da produção de Minas Gerais neste ano, sendo eles de -8,4% no cenário-base, de -10,6% em um cenário pessimista e de -6,2% em um cenário otimista. Vale lembrar que o setor tem uma participação de 10,7% no VA do Estado.

Os dados são da Fundação João Pinheiro (FJP), fazem parte do estudo Cenários de Impactos Econômicos Estimados pela Matriz Insumo-Produto de 2016 e trazem um retrato do que poderá ser o futuro do Estado diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

De acordo com a entidade, “a Matriz Insumo-Produto (MIP) permite identificar a interdependência das atividades produtivas no que concerne à compra de insumos e vendas de produtos utilizados e decorrentes do processo de produção. Essa representação mostra como cada setor impacta e é impactado pelos demais setores”, destaca.

Assim, a partir dos cenários de estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais para este ano, diz a FJP, foi possível projetar três cenários possíveis para o comportamento de 57 atividades em meio aos reflexos da pandemia. O estudo prevê uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,9% em um cenário-base, de 2,9% em um cenário otimista e de 4,9% em um cenário pessimista. Os cenários do PIB são revisados a cada quinzena, segundo a entidade.

A pesquisa revela que 13 setores econômicos de Minas Gerais representavam 73,7% do VA da produção do Estado, que, conforme a definição da própria entidade, “é o valor que se agrega no processo de produção. É a diferença entre o valor bruto da produção e o consumo intermediário. A soma do valor adicionado é o PIB descontado os impostos”.

Dessas 13, as quatro principais nesse sentido são “administração pública, educação e saúde públicas, defesa e seguridade social”, “comércio por atacado e varejo, exceto veículos automotores”, “atividades imobiliárias” e “construção”, com variações, considerando o cenário-base, de 0%, -8,4%, -4% e -4,2%, respectivamente.

Conforme destacou a pesquisadora da FJP Carla Aguilar, em live realizada pelo Instagram ontem, o comércio apresentará perdas bastante significativas, sendo que é uma atividade muito importante para a geração de VA. “As atividades imobiliárias também serão muito impactadas”, destacou ela, lembrando que, mesmo assim, a retração será menos intensa do que a verificada no comércio.

Continuando a observar o cenário-base (que está entre o mais pessimista e o mais otimista), a categoria intermediação financeira, seguros e previdência complementar deverá apresentar um recuo de 3,8%.

Ainda acompanhando a sequência das maiores representantes do VA em Minas para as menores e verificando o cenário-base, vêm agricultura, inclusive o apoio à agricultura e à pós-colheita (0%), atividades de vigilância, segurança e investigação e outras atividades administrativas e serviços complementares (-4%), transporte, armazenamento, atividades auxiliares dos transportes e correio (-1,6%), serviços técnicos e gestão não imobiliária prestados às empresas (-3,6%), extração de minério de ferro, inclusive beneficiamentos e a aglomeração (0%), saúde privada (-3,5%), energia elétrica, gás natural e outras utilidades (-1,2%) e alojamento e alimentação (-3,3%).

ICMS – A pesquisa da FJP também mostra que a queda no ICMS deverá ser de 5,76% em Minas Gerais no cenário-base, de 4,31% no cenário otimista e de 7,21% no pessimista. Já no emprego, o recuo poderá ser de 7,41% no cenário-base, 5,55% no otimista e 9,34% no pessimista. Na remuneração, nas mesmas bases de comparação, as retrações poderão ser de 4,12%, 3,09% e 5,19%, respectivamente, e no valor adicionado geral de 4,51%, 3,37% e 5,68%, respectivamente. As quedas no ICMS poderão somar R$ 4 bilhões.

Segundo Carla Aguilar, em relação ao ICMS, os maiores impactos deverão ser do refino de petróleo e bebidas. “No caso do ICMS, há uma concentração principalmente na indústria”, avalia. As perdas no refino de petróleo poderão ser de 1,8% a 2,9%.

Considerações – Em relação aos dados expostos pela entidade, Carla Aguilar frisou a participação do comércio na economia e sua retração. No entanto, ela também destacou que o comércio e a economia estão sofrendo neste momento, mas que a recuperação virá quando houver a garantia da vida preservada. “Claro que talvez o retorno seja um pouco mais lento, mas ele vai acontecer”, disse.

De acordo com ela, as estimativas feitas pela entidade nos diferentes cenários é para que se tenha um norte e para verificar quais medidas podem ser estabelecidas diante disso. A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), lembrou, deverá ser a mais impactada, sendo que 42% do valor adicionado da indústria está na região. “A gente vai se reerguer. É algo temporário. A gente precisa acreditar nisso”, ressaltou.