Comprar um imóvel ou alugar? Especialista explica a melhor opção com cenário de juros altos
Mesmo com a recente redução da taxa básica de juros para 14,25% ao ano, o cenário econômico atual ainda impõe desafios severos para quem depende de financiamentos de longo prazo. Essa realidade acentua uma dúvida histórica na mente de milhões de brasileiros, especialmente os de classe média: afinal, diante das condições atuais, vale mais a pena comprar um imóvel ou alugar? Qual dessas escolhas trará menos desvantagens para o bolso?
Para o especialista no mercado imobiliário, Pedro Ricardo Teixeira, a resposta exata para esse dilema vai muito além de uma simples planilha de cálculos de vantagens e desvantagens financeiras. “Essa decisão de alugar ou comprar passa muito pelo momento de vida da pessoa”, afirma.
A força desse desejo é comprovada por dados consolidados. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha apontou que impressionantes 93% dos entrevistados que viviam de aluguel tinham como o maior sonho de vida a aquisição de um imóvel próprio. O especialista reforça que, culturalmente, ter uma casa está diretamente ligado a uma grande realização pessoal e familiar.
O que há por trás do dilema financeiro?
A grande polêmica que alimenta a disputa entre o aluguel e a aquisição gira em torno dos juros cobrados nos financiamentos habitacionais. Muitos defensores do aluguel argumentam que compensa mais morar em um local locado e aplicar a diferença do dinheiro no mercado financeiro.
O executivo pondera que essa lógica de investimentos nem sempre se aplica à realidade da maior parte da população e desconsidera um fator vital: a valorização histórica dos imóveis.
“Por mais que tenha uma correção nas parcelas de financiamento, que tenha uma taxa de juros envolvida, ao mesmo tempo você também tem uma valorização desse imóvel. Mesmo que isso leve um longo prazo, no final, seu imóvel também valerá mais do que você pagou inicialmente. Já no aluguel, esse dinheiro investido não volta mais”, ressalta.
Além disso, o especialista lembra que os contratos de locação não são estáticos e também sofrem o impacto da inflação.
“O aluguel também tem correções envolvidas. Via de regra, a correção no aluguel é o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que também é bem alto, e anualmente é recalculado. Da mesma forma que você tem a taxa de juros envolvida com O financiamento, você tem a correção do aluguel”, explica.
Prós e contras: qual a melhor opção?
Para facilitar a escolha e identificar qual caminho faz mais sentido para o seu bolso e a sua rotina, o especialista aponta os seguintes itens:
- Vantagens de Alugar: é a alternativa ideal para quem busca mobilidade geográfica ou está vivendo transições rápidas na vida, como o início de carreira, mudanças de cidade por trabalho ou readequações familiares;
- Desvantagens de Alugar: o dinheiro pago mensalmente é considerado um custo fixo sem retorno financeiro ou formação de patrimônio futuro, além de deixar o morador sujeito a reajustes inflacionários anuais e à falta de estabilidade de permanência a longo prazo;
- Vantagens de Comprar: funciona como um investimento sólido de formação de patrimônio familiar com valorização quase garantida ao longo dos anos. Traz a segurança psicológica e a liberdade total para reformar e adaptar o espaço conforme os gostos do proprietário;
- Desvantagens de Comprar: exige um fôlego financeiro considerável para dar a entrada e envolve o risco de endividamento caso as parcelas do financiamento ultrapassem o teto recomendado de 30% da renda mensal da família.
Em suma, a escolha entre comprar um imóvel ou alugar não é puramente matemática, mas depende diretamente do grau de estabilidade que você busca e do planejamento financeiro desenhado para o seu futuro.
Colaborador
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