Empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA já podem pedir empréstimo; veja quem tem direito

Nova fase do Plano Brasil Soberano terá R$ 22,6 bilhões para exportadoras, fornecedores e setores estratégicos; empresas precisam cumprir critérios de faturamento e atividade econômica
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Empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA já podem pedir empréstimo; veja quem tem direito
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos já podem solicitar crédito da nova fase do Plano Brasil Soberano. O programa terá R$ 22,6 bilhões disponíveis, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os empréstimos poderão ser usados por exportadoras e companhias de setores industriais.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a nova etapa do Plano Brasil Soberano atende empresas brasileiras que ainda enfrentam o tarifaço imposto de forma unilateral pelos Estados Unidos. Além disso, contribui para que a indústria nacional diversifique mercados e também está voltado para setores indispensáveis, como fertilizantes e minerais críticos.

Exportação precisa representar ao menos 1% da receita

Três tipos de empresas têm direito ao crédito. No primeiro grupo, estão as exportadoras de bens (e seus fornecedores). Para ter acesso ao financiamento, a receita obtida com a exportação para os EUA, entre julho de 2024 e junho de 2025, precisa ter correspondido a pelo menos 1% do faturamento bruto total das companhias no mesmo período.

Também podem ser incluídos fornecedores dessas exportadoras. Nesse caso, a receita obtida com o fornecimento precisa ter representado pelo menos 1% do faturamento bruto do fornecedor no mesmo período.

Financiamento atende diferentes necessidades

O segundo grupo reúne setores considerados estratégicos para o comércio exterior e para a modernização da indústria brasileira, como companhias dos setores têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, de máquinas e equipamentos e de minerais críticos, entre outros.

O terceiro, por sua vez, é formado por empresas que exportam bens para países do Golfo Pérsico e por seus fornecedores. A lista inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã.

Para essas exportadoras e fornecedores, a receita obtida com as vendas ao exterior ou com o fornecimento de produtos precisa representar pelo menos 1% do faturamento bruto da empresa no período de janeiro a dezembro de 2025.

Segundo o BNDES, o programa oferece financiamento para diferentes necessidades das empresas, como capital de giro destinado à exportação, compra de máquinas e equipamentos e projetos de investimento. Os recursos também podem ser usados para ampliar a capacidade de produção, desenvolver novas tecnologias e adaptar produtos ou processos, entre outras finalidades definidas pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Saiba como solicitar o crédito

Para solicitar o crédito, as empresas do primeiro e do terceiro grupos precisam primeiro consultar se atendem aos critérios de elegibilidade. A verificação pode ser feita na plataforma do BNDES. O acesso exige autenticação no sistema Gov.br, exclusivamente com o certificado digital da empresa.

No caso das companhias do segundo grupo, a elegibilidade será verificada a partir do cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) na Receita Federal e avaliação da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).

Crédito dá fôlego, mas não resolve impacto das tarifas, afirma indústria mineira

Para a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Verônica Winter, a nova etapa do Plano Brasil Soberano é um instrumento importante para dar fôlego à indústria neste momento, mas não substitui a necessidade de avanços nas negociações para redução das tarifas que ainda impactam as empresas mineiras.

“Entendemos que para Minas Gerais precisamos atuar nas duas frentes: apoiar as empresas mais afetadas no curto prazo e acelerar a diversificação de mercados e o ganho de competitividade das indústrias do Estado”, afirma.

O que é o plano Brasil Soberano?

Lançado em agosto do ano passado pelo governo federal, o plano Brasil Soberano estabelece medidas de apoio a exportadores de bens (e seus fornecedores), impactados pela imposição de tarifas comerciais adicionais pelos Estados Unidos (o chamado “tarifaço”) a partir de 30 de julho de 2025.

Em março de 2026, a Medida Provisória 1345/2026 retomou o Plano Brasil Soberano, tendo sido convertida em lei em julho. A Medida Provisória nº 1379/2026 complementou o arcabouço legal garantindo recursos adicionais ao plano, que atualmente prevê um apoio mais abrangente ao enfrentamento dos impactos causados por razões geopolíticas e de instabilidade internacional.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

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