Scucato: ações sociais geram resultados econômicos positivos e este é o segredo do cooperativismo | Crédito: Divulgação

A pandemia do Covid-19 tem interferido de forma negativa em várias áreas da economia, porém, nas cooperativas, a expectativa é que os impactos sejam minimizados e que os resultados em 2020 se mantenham positivos.

Em 2019, o faturamento das cooperativas mineiras cresceu 13,3% e movimentou R$ 60,8 bilhões. Neste sábado (4) é comemorado o Dia Internacional do Cooperativismo.
De acordo com o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), Ronaldo Scucato, normalmente, as cooperativas em períodos de crises conseguem alcançar resultados positivos.

“É notório que as cooperativas, em momentos de crise, sempre avançam, enfrentam as crises com mais tranquilidade e muita competência. Geralmente, saímos mais fortalecidos. Isso porque, no cooperativismo, damos prioridade ao ser humano. A pessoa quando motivadas, capacitadas, bem instruídas e com a boa formação dos dirigentes, trabalham mais livres das pressões terríveis provocadas pelas crises. As cooperativas sempre saem com desempenho melhor do que os demais ramos da sociedade”.

Scucato ressalta que além de fazer negócios no mercado, as cooperativas aplicam parte dos resultados no social, o que também favorece os melhores resultados do setor. “Já está provado que ações sociais geram resultados econômicos positivos. Esse é segredo do cooperativismo”, explicou.

Mesmo com a pandemia e a crise econômica provocada pelas medidas de distanciamento social, vários segmentos de cooperativas mineiras estão com demanda elevada e mantendo o ritmo de trabalho.

Em 2019, do total de 756 cooperativas de Minas Gerais, 86,2% estavam concentradas nos ramos do agropecuário, crédito, transporte e saúde. Segundo Scucato, um dos principais setores, o agropecuário, está trabalhando a todo vapor e não parou de produzir.

“O setor agropecuário continuou ativo, produzindo, exportando alimentos e abastecendo o mercado interno. Isso tem acontecido em todos os segmentos agropecuário, não só em grãos, mas na fruticultura, hortigranjeiros, hortaliças, entre outros. E uma grande parte dessa produção é responsabilidade das cooperativas”.

Ainda segundo Scucato, as cooperativas de transporte de cargas também estão trabalhando normalmente. O setor que foi mais afetado são as cooperativas de transporte de pessoas, que tiveram a demanda reduzida em função da menor mobilidade, queda de movimento nos aeroportos e no turismo em geral.

Já as cooperativas de crédito estão funcionando com aumento da demanda e atendendo a um maior volume de cooperados.

“Foram feitos levantamentos junto às cooperativas que mostram que elas estão muito mais atuantes na liberação de recursos do que os bancos tradicionais. As cooperativas estão com uma participação de 35% ou mais da liberação de crédito, enquanto bancos oficiais estão respondendo por 17%”, explicou o presidente da Ocemg.

Outro segmento de cooperativas que está com demanda elevada são as de saúde. “As cooperativas médicas, odontológicas, de fisioterapia, de terapia ocupacional são as verdadeiras heroínas nesse momento de combate a terrível pandemia e estão atuando com uma expressividade fantástica. As cooperativas de psicologia também estão com demanda elevada, porque é preciso cuidar da saúde mental das pessoas e elas têm atuado com muita eficiência”.

Em relação ao desempenho do faturamento, a expectativa é de manter a alta, porém, devido às muitas incertezas provocadas pela pandemia, não é possível estimar qual índice pode ser alcançado.

“É muito difícil prever de quanto será o crescimento em 2020. Difícil saber o que é será o novo normal e o impacto dele nos negócios. Mas, a história tem demonstrado que em todas as crises, as cooperativas saem melhores”.

A tendência também é de aumento do número de cooperado e de novas cooperativas, uma vez que a união fortalece os setores e, em períodos de crise, esse fortalecimento se torna ainda mais importante.

Em 2019, o cooperativismo mineiro cresceu e ampliou em 10% o número de cooperados, o que equivale a 200 mil novos membros, totalizando 1,9 milhão de pessoas.

Números – Ao todo, são 756 cooperativas adimplentes com o Sistema Ocemg, que geraram R$ 1,7 bilhão em tributos no ano passado.

Com um faturamento de R$ 60,8 bilhões em 2019, o sistema teve uma participação expressiva de 9,6% no Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais. Houve um crescimento de 5% no quadro funcional, superando a marca de 45 mil pessoas empregadas.

Mudanças – A estimativa é que ocorram mudanças no sistema cooperativista no pós-pandemia e a tendência é que os trabalhos sejam ainda mais voltados para o social.

“O mundo, quando essa pandemia for superada, não será o mesmo em nada. Haverá mudança nos costumes, na moda, no comportamento, tudo será adaptado. É a hora da reinvenção, tudo terá que ser reinventado, inclusive as cooperativas. Nós, do sistema, estamos dando uma ênfase muito grande na preparação dos dirigentes porque a mudança exigirá cabeças preparadas. Teremos que nos reinventar levando em consideração a parte mais importante que é o ser humano, a preparação das pessoas. As cooperativas são construídas por pessoas, daremos atendimento total e, somente, assim entraremos na reinvenção com segurança”.