Descarbonizar indústria brasileira pode custar R$ 40 bi até 2050

Indústrias de cimento e siderurgia são os maiores consumidores de energia, e podem reduzir 499 mi de toneladas de CO² até 2050, diz estudo

4 de dezembro de 2023 às 19h53

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Documento também aponta que o Brasil pode atingir neutralidade climática em 2050 com adoção do mercado de carbono | Crédito: Adobe Stock

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que para descarbonizar a indústria brasileira, serão necessários, até 2050, investimentos da ordem de R$ 40 bilhões. O elevado custo de capital no País, combinado com o chamado “Custo Brasil”, torna os investimentos em novas tecnologias e processos de produção mais limpos especialmente elevados.

As informações constam do levantamento “Oportunidades e riscos da descarbonização da indústria brasileira – roteiro para uma estratégia nacional”. O documento, aliás, esteve na pauta desta segunda-feira (4), na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas, a COP 28. O evento é realizado em Dubai, nos Emirados Árabes.

Segundo a entidade, o montante foi apurado a partir da revisão de estudos feitos nos últimos anos no Brasil e de consultas a especialistas de cada segmento industrial. Porém, a CNI ressalta que alguns setores não consideraram no cálculo os valores de investimentos indiretos para aumentar a oferta de energia renovável, e alternativas, como portos, estradas e telecomunicações. Por isso, esse valor poderá ser ainda maior. 

“Com as condições adequadas, a indústria brasileira pode se tornar um ator significativo na economia global de baixo carbono. Para tanto, são necessárias condições econômicas e políticas claras e estáveis para que possamos atrair investimentos e impulsionar inovação em tecnologias”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban. 

Mercado de carbono é chave para a neutralidade climática | Crédito: Adobe Stock

Quais os compromissos assumidos para descarbonizar a indústria brasileira até o momento?

O governo federal afirmou, em setembro deste ano, que fez uma revisão da meta climática no País. O País se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 48% até 2025. Já até 2030, a meta é de reduzir em 53%, retomando a ambição apresentada em 2015, durante o Acordo de Paris.

Segundo o que apurou o CNI, a maioria dos setores estudados em todo o Brasil tem potencial de mitigação de emissões de GEE nos médio e longo prazos. Esse potencial ocorrerá com destaque para as indústrias de cimento, siderurgia, alumínio, além de ações com florestas plantadas. Por exemplo, os setores de cimento e siderúrgico, maiores consumidores de energia nos processos produtivos, podem reduzir 499 milhões de toneladas de CO² até 2050. 

O Brasil consegue atingir as metas acordadas?

A CNI simulou três cenários para saber se o Brasil consegue atingir as metas acordadas e entender se a precificação do carbono poderá ter algum impacto nos compromissos. E a conclusão, conforme a entidade, é por meio do mercado de carbono é possível chegar à neutralidade climática em 2050. E mais: ainda aumentar o nível de atividade econômica do País, reduzindo a taxa de desemprego. 

“Uma política de precificação de carbono adequada ao País, que use as receitas para reduzir distorções da economia brasileira e incentive a criação de empregos parece estar entre as melhores alternativas para o Brasil cumprir o Acordo de Paris, sem prejuízo ao crescimento econômico e social”, explica o diretor de Relações Institucionais, Roberto Muniz. 

O que os setores podem fazer para se descarbonizar

Para além dos instrumentos de precificação, melhorias de eficiência energética e processos de produção com tecnologias mais avançadas contribuem para a descarbonização e alavancam a economia.

No estudo, a CNI também listou opções tecnológicas de controle e eficiência para cinco setores.

Alumínio

  • Controle de motores e inversores de frequência
  • Caldeira a gás natural
  • Otimização do fluxo de ar da combustão
  • Isolamento em fornos
  • Recuperação de calor

Cimento

  • Queima melhorada usando mineralizadores
  • Otimização de controle e processos de recuperação de calor
  • Geração de eletricidade a partir da recuperação de calor 
  • Substituição de moinhos de bola por FPGR ou moinhos horizontais
  • Ciclones de baixa queda de pressão nos pré-aquecedores

Ferro-gusa e aço

  • Sistema de controle avançado
  • Drives dos ventiladores
  • Recuperação de calor das fornalhas
  • Injeção de carvão pulverizado
  • Controle da umidade do carvão 

Indústria química

  • Adoção de biomassa em fornos e caldeiras 
  • Recuperação de calor em caldeiras
  • Pré-reformador na produção de amônia e metanol
  • Adoção de gás natural em caldeiras
  • Eletrocatálise

Papel e celulose

  • Caldeira auxiliar com controle de processo, recuperação de vapor e retorno de condensado
  • Modificações no forno de cal
  • Caldeira de papel com controle de processo, recuperação de vapor e retorno de condensado
  • Secadores condbelt
  • Prensas mais eficientes

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