Desembargadora Mônica Sifuentes presidirá o TRF-6

Mônica Sifuentes foi eleita por aclamação ontem (19)
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Desembargadora Mônica Sifuentes presidirá o TRF-6
Entre as autoridades presentes estavam o presidente Bolsonaro e o governador Romeu Zema | Crédito: Elieth Carvalho / TV Trade / STJ

Discursos e citações de personalidades importantes para a política e para a magistratura marcaram a cerimônia de instalação oficial do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que ocorreu em sessão solene no Palácio das Artes em Belo Horizonte, na sexta-feira (19). Na ocasião, também foram empossados os 18 desembargadores federais que integrarão a composição inicial do novo tribunal.

A cerimônia contou com a presença de importantes autoridades políticas e jurídicas, como o presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD); o Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras; o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux; o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); entre outros.

A desembargadora Mônica Sifuentes foi eleita por aclamação presidente do recém-instalado Tribunal e o desembargador Valisney Oliveira, por critério de antiguidade, vice-presidente e corregedor-geral, ambos para o biênio 2022-2024.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, abriu o evento citando a importância da criação do novo tribunal para desafogar o número de processos do TRF-1. Ele argumentou que o Estado representava 30% dos processos desta região e lembrou que Minas é a segunda unidade federativa mais populosa do Brasil, daí a grande demanda judicial.

Martins lembrou em seu discurso, que o Poder Judiciário tem que ser um instrumento de distribuição e promoção da justiça para o bem de todos. Mas que, no entanto, a pacificação social, por meio das decisões judiciais, deve se efetivar em tempo socialmente adequado.

“Permanece viva e sempre atual a advertência do patrono da OAB, Rui Barbosa: a justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta. O TRF veio para dar celeridade e resposta ao jurisdicionado e ao povo brasileiro”, citou.

O ministro Luiz Fux, por sua vez, parafraseou Juscelino Kubitscheck: “Não nasci para ter ódio, rancores, nasci para construir”. Para o ministro, a frase sintetiza os objetivos que devem permear quem escolhe seguir pela vida pública. Disse em tom emocionado aos 18 magistrados empossados que o verdadeiro legado da vida pública reside na capacidade de erguer pontes e unir esforços no desenvolvimento nacional e na construção de um grande país justo e fraterno. E falou sobre a importância da criação do Tribunal.

“A criação de um tribunal após a Constituição de 1988 é, sem dúvida, um passo crucial de garantias de igualdade ao acesso à Justiça para todos os brasileiros nos termos da meta da Agenda 2030 da ONU. O Tribunal de número 6 garantirá maior acesso à Justiça ao conferir maior capilaridade à Justiça Federal em Minas Gerais, como também vai otimizar a tramitação, a análise e o julgamento dos feitos”, afirmou.

Desafios do TRF-6

A desembargadora Mônica Sifuentes em seu primeiro discurso já como presidente do TRF-6, admitiu que o Tribunal deverá se pautar por um modelo de gestão adequado às demandas e tecnologias do século XXI, de maneira que atue para dar respostas rápidas para uma sociedade cada vez mais líquida, volátil e apressada.

“O TRF-6 deverá ser um modelo de justiça ágil, consistente, construtivo e virtual. Nosso maior desafio será trilhar um caminho entre o mundo exterior – cada vez mais materialista e tecnológico – o interior – do sentimento, do coração e da atenção com o jurisdicionado e com aqueles que procuram a Justiça”, disse em alusão às transformações deixadas pela pandemia no convívio social.

A desembargadora também lembrou que o TRF-6 já nasce com uma mulher na presidência e que ela tem a sorte de encarnar essa figura. Citou o Padre Antônio Vieira com a frase “para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras” para dizer que a criação de um tribunal moderno, que utilize com segurança e eficácia as novas tecnologias da informação e ferramentas de inteligência artificial é o projeto que está na raiz da concepção do TRF-6.

“Não bastam palavras soltas ao vento. São necessárias obras. Somente os resultados que viermos alcançar falarão por si. Pela utilidade e oportunidade da sua criação”, ressaltou.

União dos três poderes na criação do TRF-6

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, definiu o momento como de alta relevância histórica para o judiciário brasileiro. Segundo ele, as dimensões continentais e a forte demanda sobre o TRF-1 impuseram a revisão de um sistema que foi concebido há muitos anos. Pacheco lembrou que a descentralização da segunda instância foi um avanço, mas que Minas Gerais ainda sobrecarregava a antiga regional. E ressaltou que, cientes da importância da criação do novo tribunal, as duas casas legislativas aprovaram o projeto, permitindo assim, sua estruturação.

“E não poderia ser diferente, considerando o mérito da matéria e os resultados que se alcançariam com a sua criação. Esse processo todo foi um exemplo salutar do ambiente de harmonia entre os poderes da República. O judiciário propôs, Câmara e Senado Federal aprovaram o projeto e o presidente Jair Bolsonaro sancionou sem vetos. Hoje é o dia da realização de um grande sonho de todos os mineiros e mineiras”, declarou.

Por fim, o presidente da República, Jair Bolsonaro, em breve discurso, recordou o processo de criação do TRF-6. Lembrou que o projeto teve início há alguns anos, com o ministro João Otávio de Noronha, que, presidente da Corte entre 2018 e 2020, iniciou as articulações do projeto junto às lideranças do Congresso Nacional.

De acordo com Bolsonaro, quis o destino que fosse ele o presidente a sancionar a criação. “Foi um trabalho longo e difícil, porque tínhamos no meio do caminho uma pandemia, um Congresso trabalhando em grande parte de forma virtual. Com a aprovação do projeto, veio a sanção. Mas sem um amparo legal, não poderia fazer, porque poderia ser imputado criminalmente”, ponderou.

A criação

Vale lembrar que a criação do TRF-6 foi aprovada em setembro do ano passado pelo Senado Federal, depois de apreciada na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei 5.919/2019, de iniciativa do Superior Tribunal de Justiça (STJ), criou o novo tribunal sem aumentar as despesas com o Judiciário federal.

Trata-se de um pleito antigo de Minas, uma vez que irá desafogar o TRF-1. Além de atender até então a Minas Gerais, a Corte engloba outros 12 estados: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins – e o Distrito Federal.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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