Desemprego fica em 5,6% e tem menor taxa até maio na série histórica
A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre até maio no Brasil. É o menor patamar para o intervalo na série histórica iniciada em 2012, apontou nesta sexta-feira (26) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O indicador mostrou relativa estabilidade frente à taxa de 5,8% dos três meses até fevereiro, que servem de base de comparação. Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
O levantamento investiga o mercado de trabalho formal, com carteira assinada ou CNPJ, e o setor informal, sem esses registros.
A taxa de 5,6% veio em linha com a mediana das previsões do mercado financeiro, que também era de 5,6%, segundo a agência Bloomberg.
William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, disse que o mercado de trabalho segue mostrando “respostas positivas” mesmo com o “cenário desfavorável” de juros altos no Brasil e impactos econômicos da guerra no Irã. “A taxa de juros vem alta há algum tempo, e o mercado tem se mostrado forte. O efeito [da política monetária] não tem sido intenso sobre o mercado de trabalho.”
O pesquisador afirmou que a estabilidade da taxa de desemprego pode ser considerada sazonal, já que setores da economia estão à espera da chegada do segundo semestre. Na avaliação do técnico, o desemprego na mínima para o intervalo até maio indica que o mercado mantém uma “tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”.
Considerando os diferentes trimestres da série histórica, a menor taxa de desocupação foi de 5,1% até dezembro do ano passado. A maior foi de 14,9% nos intervalos até setembro de 2020 e março de 2021, quando o país vivia a pandemia.
“O que os dados da Pnad sugerem é que, nos últimos meses, a taxa de desemprego ficou praticamente estável em um nível historicamente baixo para os padrões do país”, afirmou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank. “Mesmo que a desaceleração da economia possa afetar o ritmo de criação de vagas ao longo de 2026, o mercado de trabalho deve continuar aquecido”, acrescentou. Ela prevê taxa um pouco abaixo de 6% ao final do ano.
Brasil tem 6,1 milhões à procura de vagas
Nas estatísticas oficiais, uma pessoa de 14 anos ou mais sem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada. Não basta só não trabalhar. A população desempregada foi estimada em 6,1 milhões até maio.
O número mostrou relativa estabilidade ante o trimestre até fevereiro e teve queda de 9,3% (menos 624 mil pessoas) no confronto com o intervalo até maio do ano passado. Já a população ocupada com algum tipo de trabalho (formal ou informal) chegou a 102,7 milhões.
O contingente registrou alta de 0,5% frente ao trimestre imediatamente anterior (mais 558 mil). O aumento foi de 0,8% na comparação com o período encerrado em maio do ano passado (mais 840 mil).
Renda Estaciona
A renda habitual de todos os trabalhos foi estimada pelo IBGE em R$ 3.726 por mês. Isso significa uma variação negativa de 0,8% ante o trimestre até fevereiro (R$ 3.756). O instituto, porém, considera o resultado como estabilidade, por não representar uma mudança significativa para o indicador em termos estatísticos.
O órgão informou que a última variação negativa havia ocorrido no intervalo até setembro de 2024, quase dois anos antes. O rendimento vem de uma sequência em alta nos últimos anos e segue próximo do recorde da série. A máxima da pesquisa foi de R$ 3.777, observada no trimestre até março deste ano.
Conforme William Kratochwill, do IBGE, a entrada de trabalhadores sem carteira no setor público, principalmente na área escolar, pode ter contribuído para frear a renda na média até maio. “Normalmente, esse grupo apresenta um nível salarial mais baixo”, disse.
O que explica o desemprego atual?
Analistas afirmam que o desemprego reduzido reflete uma combinação de fatores. O principal, segundo eles, é o desempenho positivo da atividade econômica em meio a medidas de estímulo do governo federal nos últimos anos. Em outras palavras, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) contribuiu para uma demanda maior por mão de obra.
Outra questão citada é a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação. Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego.
Por outro lado, a situação desafia o sistema previdenciário, já que a demanda por aposentadorias tende a crescer. “Como, proporcionalmente, temos cada vez mais idosos na população brasileira, estruturalmente a taxa de participação e a taxa de desocupação são jogadas para baixo”, diz o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.
A taxa de participação mede a proporção de pessoas de 14 anos ou mais que estão inseridas na força de trabalho como ocupadas (empregadas) ou desempregadas (à procura de oportunidades). Esse percentual foi de 62% até maio na série do IBGE.
Se a participação estivesse em uma média anterior à pandemia (63,4% em 2019), a taxa de desocupação seria 1,9 ponto percentual maior do que a atual, ficando em 7,5%, estima Bruno. O patamar, pondera, ainda seria baixo para os padrões históricos.
O mercado de trabalho ainda é influenciado por vagas ligadas à tecnologia. Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou no ano passado que o trabalho em aplicativos reduzia o desemprego em 1 ponto percentual.
A divulgação da Pnad ocorre em um momento no qual o Brasil discute o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso na semana). O projeto divide opiniões. É celebrado por representantes dos trabalhadores, mas encontra resistência de parte do empresariado.
Troca no IBGE
A presidência do IBGE, ocupada pelo economista Marcio Pochmann, anunciou na terça (23) a troca de duas coordenadoras do órgão, incluindo Adriana Beringuy, à frente da Copad (Coordenação de Pesquisas por Amostra de Domicílios).
O departamento é o responsável pela produção da Pnad. A direção do IBGE, que protagonizou uma série de atritos com parte dos servidores desde 2024, não detalhou os motivos das mudanças.
Para a entidade sindical dos trabalhadores do instituto (Assibge), as alterações refletem uma política de substituição de nomes que manifestaram divergências em relação a iniciativas da atual administração.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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