Economia

Efeito positivo da abertura do Estreito de Ormuz levará de seis meses a um ano para ser sentido na economia, diz Fiemg

Notícia do acordo de paz entre EUA e Irã é celebrado, mas ainda gera cautela no empresariado quanto a melhorias imediatas no comércio mundial
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Efeito positivo da abertura do Estreito de Ormuz levará de seis meses a um ano para ser sentido na economia, diz Fiemg
A reabertura do Estreito de Ormuz pode reduzir os custos de fretes e de insumos para a cadeia produtiva | Foto: Stringer / Reuters

O acordo de paz anunciado pelo governo dos Estados Unidos com o Irã coloca, por enquanto, um ponto final no conflito que impactou todo o comércio mundial, já que o país asiático controla o principal corredor de transporte de petróleo do planeta.

Com o tratado de paz em vias de ser concretizado, há a previsão de reabertura gradual do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (19), permitindo que os navios petroleiros transitem com mais segurança e fluidez.

Essa boa notícia pode reduzir custos de fretes, de insumos e de produtos que atingem toda a cadeia produtiva da indústria mineira e brasileira. Todavia, a cautela impera, pois em 60 dias os dois países devem ter novas negociações para, quem sabe, enfim firmar um acordo definitivo de paz.

“A reabertura do Estreito de Ormuz é vista com expectativa positiva, mas também com cautela. A possibilidade de reabertura gradual tende a favorecer o comércio global e, principalmente, o comércio do Brasil, com impacto nos custos logísticos e em produtos como o enxofre e o minério de ferro, que foram mais afetados pela instabilidade na região”, disse a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Verônica Winter.

Segundo Verônica, o momento do acordo de paz é considerado propício, especialmente para o segundo semestre, quando se iniciam as compras para a próxima safra, principalmente de fertilizantes. “O setor industrial e o agronegócio receberam a sinalização do acordo de paz com grandes expectativas, ainda que acompanhadas de cautela, dado o histórico de avanços e retrocessos no processo envolvendo o Estreito de Ormuz. A regularização do volume de exportações e uma maior estabilidade nessa parte do comércio internacional são vistas com esperança, sobretudo pelo agronegócio, que tem sofrido com a alta dos preços dos fertilizantes, insumos essenciais para a safra e para toda a agroindústria”, completa.

Recuperação longa

A grande questão dos setores produtivos mineiros e brasileiros é quando os níveis comerciais, como exportações, compras e frete, voltarão a patamares anteriores à guerra, o que pode significar a recuperação das perdas recentes com o conflito, que afetou toda a cadeia produtiva mundial.

O Centro Internacional de Negócios da Fiemg analisou os fluxos comerciais entre o Brasil e oito países do Oriente Médio (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã, Bahrein, Iraque e Irã) durante o período de restrições logísticas. O comércio recuou para US$ 1,04 bilhão em maio, o menor valor mensal registrado desde janeiro de 2021, evidenciando os impactos da crise sobre as cadeias de suprimentos e os fluxos comerciais da região.

Em Minas Gerais, os efeitos também foram significativos. No acumulado de março a maio, as exportações mineiras para esses países caíram 44% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações registraram retração de 71%. Por tudo isso, o fim da guerra é sinal de esperança humanitária, mas também de normalização do comércio mundial.

De acordo com a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, o efeito prático do fim do conflito na região só será sentido no médio e longo prazo, sem perspectiva de recuperação imediata.

“Para que os efeitos sejam sentidos pelo empresariado mineiro, a avaliação é de que se trata de um impacto de médio prazo, entre seis meses e um ano. Isso porque ainda há consequências acumuladas dos períodos de instabilidade, questões sazonais ligadas à safra e outros fatores que vão além das decisões comerciais e geopolíticas, como as condições climáticas. O El Niño, por exemplo, representa uma variável adicional que pode afetar esse prazo de estabilização”, explica.

Curto prazo e União Europeia

No curto prazo, a cautela segue sendo a postura predominante entre os empresários, segundo Verônica Winter. Esse comportamento é motivado tanto pelo cenário externo instável quanto pelos juros elevados no mercado doméstico. A falta de previsibilidade gera insegurança e tem levado o mercado a buscar proteção em ativos mais seguros, como o ouro, cujas exportações têm crescido.

Em relação ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que entrou em vigor recentemente, ela afirma que as empresas já preparadas e com produtos habilitados para exportação devem se beneficiar de forma mais imediata do retorno da circulação pelo Estreito de Ormuz e da normalização do comércio mundial.

“As empresas que estão com negociações em curso ou com comércio já estabelecido com a região devem ter bons resultados de imediato. A abertura será gradual para alguns produtos, enquanto outros já têm desoneração tarifária imediata. Produtos de origem animal ainda demandam tratativas específicas com a União Europeia. No geral, o movimento aponta para uma diversificação da pauta exportadora mineira, o que é avaliado de forma positiva”, finaliza Verônica.

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