Economia

Nível de endividamento em Minas cai em abril e atinge 88,5% das famílias, diz CNC

89,5% das famílias mineiras estão endividadas, superando a média nacional e indicando maior uso do crédito
Nível de endividamento em Minas cai em abril e atinge 88,5% das famílias, diz CNC
Crédito: Reprodução Adobe Stock

O mês de abril trouxe mais um dado preocupante para a economia mineira e brasileira. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), houve um avanço do endividamento atingindo 80,9% das famílias brasileiras, o maior nível da série histórica medida pela CNC, iniciada em 2010.

Em Minas Gerais, o dado ainda é alarmante, com 88,5% das famílias mineiras em situação de endividamento no mês de abril. Esse percentual alto já vem sendo observado ao longo do primeiro trimestre de 2026, apesar da leve queda (89,5% de endividados em março), indicando uma tendência clara de uso mais intensivo do crédito pelas famílias para custear compromissos cotidianos. A inadimplência dos mineiros se manteve na casa dos 62%, como ocorreu no mês de março.

Apesar de ser realmente significativo, o endividamento por si só não é o único fator preocupante quando se fala da saúde financeira dos consumidores. O nível de pessoas com contas em atraso é um dos principais fatores de preocupação, porque quando uma família está inadimplente, ela tende a ter restrições ao uso do crédito e, consequentemente, passa a ter o consumo reduzido, o que gera um impacto direto e negativo para os setores do comércio de bens, serviços e turismo de todo o país.

Em abril, 29,7% das famílias brasileiras possuíam algum compromisso financeiro em atraso. Esse patamar não aumentou de maneira significativa nos últimos meses, mas ainda se encontra em um nível bastante elevado. Já o percentual de famílias que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso também se mantém estável em 12,3% em abril, o que é igualmente preocupante quando se observa o montante de consumidores que essa porcentagem representa.

“Temos um cenário de avanço do endividamento, mas sem uma piora proporcional da inadimplência. Isso acontece porque, de um lado, houve melhora na renda, com ganho real, e também nos níveis de ocupação, com o mercado de trabalho ainda muito aquecido, o que ajuda a sustentar a capacidade de pagamento das famílias. De outro, segue havendo pressão inflacionária em itens essenciais e um uso maior do crédito de curto prazo, principalmente do cartão de crédito e também dos carnês”, disse a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Gabriela Martins.

“Para frente, a tendência ainda é de manutenção desse quadro, visto as altas taxas de juros aplicadas no mercado atualmente. Uma queda mais consistente desses indicadores dependeria de uma série de outros fatores, como um aumento do poder de compra das famílias e condições financeiras mais favoráveis, com juros mais baixos”, comentou.

Ajuda, mas não resolve

Segundo Gabriela Martins, da Fecomércio, no curto prazo, programas como o Desenrola 2 tendem a ter um impacto positivo para os consumidores, principalmente no processo de renegociação de dívidas e na redução do número de consumidores negativados.

Isso ajudará a destravar o acesso ao crédito e permitirá que parte dessas famílias volte a consumir. “É importante destacar que esse é um efeito mais pontual. Ele melhora o fluxo no curto prazo, mas não resolve completamente o problema estrutural do endividamento, que está muito ligado à renda pressionada, ao custo de vida elevado e ao uso recorrente do crédito para despesas do dia a dia. O Desenrola é um programa muito importante e ajuda a aliviar o problema do endividamento, mas não elimina totalmente o risco de reincidência do alto endividamento e da inadimplência”, completou a economista.

Estratégia e juros

O comércio tem trabalhado para reduzir os impactos do endividamento e da inadimplência das famílias. “Como o consumidor está mais endividado, com acesso ao crédito mais restrito e mais cauteloso na hora de realizar suas compras, as empresas estão adotando estratégias para não perder vendas. Entre as principais estão o reforço do crediário próprio, principalmente considerando o aumento do uso do carnê por parte dos consumidores. O uso de parcelamentos e de outras facilidades de pagamento, além de descontos em pagamentos à vista, especialmente por meio do Pix, tem ajudado a mitigar o problema”, disse Gabriela Martins, da Fecomércio.

Outro ponto que pode ajudar a mudar o cenário é um ambiente mais favorável de juros. “Para uma melhora mais estrutural do endividamento e da inadimplência, no médio e longo prazo, é fundamental um ambiente com juros mais baixos, renda com maior poder de compra e condições mais equilibradas de financiamento, com o custo do crédito menos elevado”, concluiu a economista Gabriela Martins.

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