Energia, alimentos e habitação terão os maiores impactos na inflação de junho na Grande BH
Faltando menos de uma semana para o fim de junho e do primeiro semestre de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) deve trazer más notícias para a população da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A prévia do índice, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou um aumento de 0,33% nos preços.
O índice para a RMBH foi o quinto menor resultado mensal entre as 11 áreas pesquisadas. No País, a variação mensal correspondeu a 0,41%. Já a variação acumulada em 12 meses foi de 4,36% na RMBH, o segundo menor resultado entre as áreas de abrangência da pesquisa, e de 4,80% no Brasil.
Na RMBH, todos os grupos apresentaram aumentos na variação mensal de junho, sendo eles: habitação (1,31%), comunicação (0,47%), despesas pessoais (0,41%), vestuário (0,33%), alimentação e bebidas (0,16%), saúde e cuidados pessoais (0,13%), transportes (0,05%), artigos de residência (0,04%) e educação (0,02%).
Maiores altas
No grupo de habitação (1,31% de alta), está o maior destaque individual positivo, em termos de impacto, no índice geral do IPCA-15 em junho: a energia elétrica residencial, cujos preços registraram aumento médio de 3,53% e provocaram um impacto de 0,14 ponto percentual (p.p.).
Além da vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos, a alta reflete a incorporação do reajuste tarifário de 5,21% em Belo Horizonte, a partir de 28 de maio. Ainda no grupo, chama atenção o aumento do aluguel residencial (1,17%), com impacto de 0,04 p.p. no índice.
“Foram as principais pressões inflacionárias. O grupo habitação sofreu mais elevações de preços por conta, especialmente, do reajuste da energia elétrica, influenciado por fatores regulatórios nacionais, como a bandeira tarifária amarela e o reajuste da tarifa em Belo Horizonte”, comenta o economista e professor de gestão do UNIBH, Fernando Sette Júnior.
Impacto do inverno
No grupo alimentação e bebidas (0,16%), houve aumentos importantes na batata-inglesa (34,96%), no feijão-carioca (12,34%), na cebola (10,11%) e no lanche (1,26%), com impactos respectivos de 0,11 p.p., 0,03 p.p., 0,02 p.p. e 0,03 p.p. Por outro lado, destacaram-se as quedas do café moído (-6,03%), do arroz (-3,07%), do biscoito (-2,86%) e do leite longa vida (-1,67%), impactando o índice em -0,04 p.p., -0,02 p.p., -0,02 p.p. e -0,02 p.p., respectivamente.
A variação para cima nos preços dos alimentos é uma questão do momento climático, na avaliação do economista e head de Renda Fixa na Suno, Guilherme Almeida.
“Nós tivemos uma sazonalidade de inverno. Então, as culturas de alimentos de ciclo mais curto são muito sensíveis a temperaturas e geadas. E junho é historicamente o pico de pressão desses itens. Portanto, é uma questão climática, não tem relação com o custo de combustível. O feijão-carioca, que teve um crescimento de 12,34%, acredito que seja mais relacionado à relação entre a safra e uma demanda aquecida, que gera pressão nos preços. Então, é um padrão de sazonalidade, na minha visão”, explica o especialista.
Combustíveis em queda
No grupo de transportes (0,05%), está o maior destaque individual negativo em junho: a gasolina, com uma queda de 1,44% e um impacto de -0,07 p.p. Ainda no grupo, destacaram-se as quedas do etanol (-8,74%) e do seguro voluntário de veículo (-6,88%), com impactos respectivos de -0,06 p.p. e -0,04 p.p. Por outro lado, houve aumentos importantes na passagem aérea (10,18%), no ônibus urbano (7,20%), em razão de gratuidade aos domingos e feriados, e no conserto de automóvel (1,06%), com impactos de 0,05 p.p., 0,09 p.p. e 0,02 p.p. no índice geral.
“Os dados do IPCA-15 de junho ainda não permitem afirmar que os efeitos da guerra no Oriente Médio estejam sendo plenamente sentidos na inflação da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Pelo contrário, o grupo transportes apresentou alta muito modesta, de apenas 0,05%, e a gasolina registrou queda de 1,44%, enquanto o etanol caiu 8,74%, contribuindo para conter o índice geral. Isso indica que, até o período de coleta da pesquisa, realizado entre 16 de maio e 16 de junho, os preços internos dos combustíveis ainda refletiam um cenário de relativa estabilidade, sem repasses significativos das tensões internacionais”, explica Sette Júnior.
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