EPE defende leilão para contratação de térmicas

7 de agosto de 2018 às 0h00

São Paulo – Um plano do governo de promover ainda em 2018 um leilão para contratar novas térmicas a gás no Nordeste tem como objetivo aumentar a segurança energética da região e pode beneficiar os consumidores, que hoje são atendidos por usinas a óleo, mais caras e poluentes, defendeu, em entrevista à Reuters, o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Reive Barros. A ideia da licitação, que tem sido discutida no Ministério de Minas e Energia nas últimas semanas, ainda sem consenso, foi duramente criticada, na semana passada, pela influente consultoria do setor elétrico PSR, que avalia que a demanda por energia para os próximos anos já está atendida e a contratação poderia resultar em sobra no futuro, com sobrecusto para o consumidor. O próprio ministério admite que as distribuidoras, que atendem o cliente final, não têm necessidade de mais energia, em meio à queda de consumo com a crise no País. Nesse cenário, seria possível viabilizar as novas térmicas com um chamado “leilão de reserva”, em que o governo garante a contratação independente da demanda, mas, segundo Barros, essa alternativa está descartada. A eventual contratação como reserva faria o custo dessas usinas ser repassado aos consumidores por meio de um encargo. “Não será leilão de reserva, isso está descartado. Há uma preocupação com a segurança energética, e ao mesmo tempo temos uma preocupação de que o sistema seja operado com o menor custo global possível. Ninguém ia colocar uma solução que onere mais a tarifa”, disse Barros. Ele argumentou que o aumento da produção de energia eólica e solar no Nordeste exigirá a geração de usinas que possam ser acionadas a qualquer momento, como as térmicas, para compensar a variabilidade de produção das renováveis. Cobranças adicionais – Segundo Barros, se as termelétricas que o governo quer contratar para a partir de 2022 já estivessem em operação atualmente, o consumidor não estaria sofrendo cobranças adicionais com as chamadas bandeiras tarifárias, que elevam a conta de luz em momentos de menor oferta de energia. As contas de luz estão no momento com bandeira vermelha nível 2, que gera sobrecusto de R$ 5 a cada 100 kilowatts-hora, devido ao uso de térmicas a óleo para atender à demanda. “Hoje estou despachando térmicas que custam R$ 700 (por megawatt-hora). As usinas (que o governo quer contratar no leilão) seriam no máximo R$ 250. Se essas térmicas estivessem em operação, estaríamos na bandeira verde”, argumentou Barros.

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