Itens como o minério de ferro, café, soja e carne bovina estão entre os principais produtos exportados por Minas Gerais | Crédito: Divulgação

Mais do que trabalhar a diversificação econômica do Estado, assunto discutido há décadas, é preciso agregar valor às cadeias produtivas dos setores que historicamente ancoram a pauta exportadora mineira.

Para isso, entes públicos nas esferas federal e estadual trabalham em conjunto para expandir os horizontes e colocar Minas Gerais cada vez mais na vanguarda do desenvolvimento e atração de investimentos estrangeiros para o País.

Este foi o assunto central do webinar Investimentos e Comércio Exterior – Minas Gerais, promovido pela vice-governadoria do Estado, com participação da Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi).

De acordo com o Assessor de Investimentos Internacionais da Vice-Governadoria do Estado de Minas Gerais, Thiago Almeida, a proposta do encontro foi abordar a potencialidade econômica do Estado, bem como as ações das diferentes entidades do governo que atuam no fortalecimento do comércio exterior mineiro, como oportunidades de comércio e investimento realizados recentemente.

“A proposta inicial era mostrar o panorama destes temas. Num segundo momento, daremos continuidade ao debate com a participação de representantes dos mais diversos setores que compõem a cadeia produtiva de Minas Gerais, dando ênfase a questões como a internacionalização de empresas, a importância dos setores tradicionais e dos integrantes da chamada nova economia. Vamos incluir também outras entidades e entes federados”, adiantou.

Sob esta perspectiva, a Apex-Brasil apresentou um estudo inédito sobre as potencialidades econômicas de Minas, nos campos do investimento estrangeiro direto e comércio exterior, concluído em 2019, com panorama completo da economia mineira e seu potencial exportador.

Segundo o gerente de inteligência de mercado da Agência, Igor Celeste, o diagnóstico contribui para o processo de formulação de políticas públicas para o comércio exterior e setor de investimentos no Estado. Além disso, oferece conteúdo relevante para a tomada de decisões das empresas, ao relacionar os principais locais de destino das exportações mineiras, setores de maior potencial para exportação e análise do fluxo de investimento externo.

“Ao analisarmos os dados do comércio exterior de Minas, identificamos como o Estado é extremamente importante para o desenvolvimento internacional do País, ao passo que representa mais de 8,5% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e cerca de 16% do índice do Sudeste”, avaliou.

Commodities – Sobre as especificidades do mercado mineiro, Celeste destacou que cada vez mais a pauta exportadora estadual tem se aproximado da brasileira com ganhos de escala de produtos como carne bovina in natura, soja, e outros produtos agroindustriais. E disse que tanto em termos de destinos quanto de produtos, o Brasil possui uma concentração ainda maior do que a observada em Minas Gerais.

“Juntos, minério de ferro, café e ferro-ligas somam praticamente 50% de tudo o que o Estado vende mundo afora. A participação da soja vem crescendo a uma média de 30% ao ano, e da carne bovina, a 15%, ao ano. Ainda assim, permanece a forte concentração da pauta em commodities e a dependência de preços do mercado internacional”, observou.

Diversificação – Neste sentido, o presidente do Indi, Thiago Toscano, destacou as ações do governo do Estado em busca do fortalecimento de outras áreas que não apenas as tradicionais, como mineração, siderurgia e agronegócio.

Ele citou como potenciais áreas a aeroespacial, eletrônica, tecnologia da informação, ciências da vida (fármacos e medicamentos), todas, segundo ele, de elevado valor agregado, contratantes de mão de obra qualificada e produtoras de itens de menor volume.

“A necessidade da diversificação da economia mineira é debatida há anos. Já temos os caminhos, os setores e as regiões. Não é uma questão política, mas técnica. São áreas ancoradas e alavancadas pelo mundo global, dotadas de logística rápida e que contam agora, no caso de Minas Gerais, com o aeroporto indústria recentemente inaugurado no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte”, destacou.

De toda maneira, Toscano chamou atenção para a necessidade complementar do fortalecimento das cadeias produtivas dos setores tradicionais. “Não podemos nos esquecer destes setores. Há a força da mineração e o grande volume de café, por exemplo. Por isso, a necessidade de agregarmos valor a estas cadeias, criando um ambiente propício e atrativo em cada área de atuação”, alertou.

Já a diretora comercial de pessoas e produtos do BDMG, Marcela Amorim Brant, destacou a atuação da instituição financeira na realização de investimentos por parte das empresas, por meio de diferentes linhas de crédito. Ela citou como exemplo o apoio do banco às organizações no combate aos impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Entre as ações, a possibilidade de renegociação de dívidas, criação de novas linhas de crédito, redução de taxas de juros, ampliação de prazos e desburocratização na contratação de financiamentos.

“A primeira ação do banco foi a abertura de linhas de crédito com condições especiais para auxiliar empresas do setor de saúde. Depois lançamos condições de financiamento facilitadas para as micro e pequenas empresas (MPEs) da cadeia do turismo. Depois linhas multissetoriais para diversas atividades em todo o Estado. Sempre com o intuito de fazer o melhor por Minas Gerais”, finalizou.