Exportações de Contagem caem 1,4%, mas vendas aos EUA sobem 7,4%; veja os produtos
As exportações de Contagem, entre janeiro e julho deste ano, ante o mesmo período de 2025, recuaram 1,4%, totalizando US$ 269,2 milhões, conforme dados da plataforma Comex Stat, do governo federal. Com o desempenho, o município da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) perdeu duas posições no ranking estadual de exportadores, caindo de 21º para 23º lugar na comparação interanual.
Entre os principais produtos exportados por Contagem, dois registraram queda nas vendas e contribuíram para o resultado geral negativo. Foram eles: aparelhos para interrupção, seccionamento, proteção ou ligação de circuitos elétricos (os embarques diminuíram 33,9%, para US$ 15,3 milhões) e obras de pedra ou de outras matérias minerais, incluindo fibras de carbono e turfa (retraíram 32,8%, para US$ 11,3 milhões).
Em contrapartida, alguns produtos registraram alta relevante nas exportações e evitaram um resultado ainda pior. Por exemplo: transformadores elétricos, conversores estáticos, bobinas de reatância e autoindução, que lideram a pauta de embarques do município (subiram 26,9%, para US$ 119,1 milhões), e óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos, e preparações (cresceram 23,4%, para US$ 23,1 milhões).
Quanto ao destino das exportações de Contagem, a Argentina, por exemplo, reduziu as compras em 14,8%, para US$ 16,9 milhões, impactando o resultado geral. Os principais produtos exportados para o país foram tijolos, placas, ladrilhos e peças cerâmicas refratárias para construção, que apresentaram queda interanual de 17,8%, alcançando US$ 2,7 milhões.
Por outro lado, mitigando o resultado negativo, as vendas para os Estados Unidos (EUA), que ocupam a posição de maior cliente do município, à frente dos argentinos, aumentaram 7,4%, chegando a US$ 147,9 milhões. O crescimento foi impulsionado pelo valor importado de transformadores elétricos, conversores estáticos, bobinas de reatância e autoindução, que subiu 29%, para US$ 115,4 milhões.
Novas tarifas norte-americanas podem ter efeito limitado sobre o município
As novas tarifas dos EUA contra produtos brasileiros (uma de 25% e outra de 12,5%, em vigor desde o final de julho) têm potencial para afetar fortemente Contagem, sobretudo porque os transformadores elétricos não foram incluídos na lista de exceções. No entanto, contratos de longo prazo já firmados e uma oferta norte-americana insuficiente para atender à própria demanda pelos produtos tendem a conter os efeitos negativos sobre o município.
Conforme o Diário do Comércio mostrou no mês passado, a Tsea Energia, empresa que fabrica transformadores em Contagem e tem os Estados Unidos como um dos principais mercados de destino da produção, vê impacto limitado do tarifaço no curto prazo. A multinacional não espera uma alteração imediata do volume de negócios, visto que trabalha com bens de capital sob encomenda, equipamentos com ciclo produtivo longo.
Segundo o diretor de Relações Públicas da Tsea, Rafael Porteiro, o intervalo entre a formalização de um contrato até a entrega de um produto ou serviço pode variar de dois até cinco anos. “Então, imagina-se que vários contratos, vários produtos estão em operação e ainda são contratos vigentes”, explicou na ocasião da reportagem.
A subsecretária de Desenvolvimento Econômico de Contagem, Fernanda Machado, pontua que os Estados Unidos não conseguem suprir sua própria demanda por transformadores com produção interna. Isso porque o consumo norte-americano de energia está crescendo, puxado pela expansão dos data centers de inteligência artificial (IA).
“Isso tem tido um impacto significativo, e todas as indústrias de transformadores estão sendo procuradas pelos Estados Unidos para entrega, porque é um produto que no mercado interno americano estão pedindo um ano para poder entregar”, afirma. Ela ressalta que a prefeitura do município ainda não consegue medir o quanto as tarifas vão afetar as exportações, mas segue acompanhando e analisando o cenário para apoiar as empresas.
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