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Fabricantes de aparelhos elétricos perdem receita

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Crédito: Alisson J. Silva

As medidas de isolamento impostas para evitar a proliferação do novo coronavírus afetaram, de forma negativa, as indústrias de eletrônicos de Minas Gerais.

De acordo com dados do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (Sinaees), cerca de 56% das empresas tiveram perdas no faturamento.

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A retração média foi de 36% nos rendimentos. Mesmo com as perdas, 70% das empresas não demitiram e nenhuma suspendeu as atividades em função da pandemia.

De acordo com o presidente do Sinaees e diretor regional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Alexandre Magno D’assunção Freitas, os dados são da última pesquisa realizada pelo sindicato que compara a situação das empresas do setor no primeiro quadrimestre de 2020, frente ao último quadrimestre de 2019.

No período, 56% das empresas responderam que tiveram perdas no faturamento e essa retração ficou na faixa de 36%. O ponto positivo, segundo Freitas, é que 44% das empresas não tiveram impactos negativos no faturamento, sendo que 7% apresentaram alta na receita.

“Já esperávamos um resultado negativo em relação ao faturamento por todo o cenário de isolamento, o que suspendeu grande parte das atividades econômicas e pelo achatamento da renda da população. Não esperávamos que uma parcela significativa tivesse resultados positivos, fomos surpreendidos. Isso aconteceu porque parte do setor está muito envolvido com o setor da mineração, que manteve as atividades ativas. As empresas da área elétrica para a mineração e alguns outros setores, como o agroindustrial, por exemplo, não foram impactadas”.

Ainda segundo Freitas, as empresas que trabalham com eletrônicos – como celulares, tablets e computadores – foram as mais afetadas de forma negativa. Isso devido aos produtos serem destinados, em grande parte, para pessoas físicas e não jurídicas. Com o aumento do desemprego, a renda das famílias foi afetada. Além disso, o fechamento do comércio também prejudica as negociações.

No período, cerca de 41% das empresas enfrentaram cancelamentos de pedidos. Mesmo com a redução da produção, em torno de 70% das empresas não demitiram, o que é considerado importante por Freitas. Parte das empresas diminuiu a produção, diante de um mercado retraído, mas não houve suspensão completa das atividades.

Em relação à aquisição de insumos, somente 26% das empresas tiveram problemas.
“Isso é um dado animador, esperávamos bem mais pelo setor importar 80% dos insumos, principalmente da China. Há cerca de um mês, fizemos esta mesma pesquisa e as empresas ainda trabalhavam com estoques. A estimativa era de que poderia faltar material em maio. Não houve perda considerável de produção em função da falta de insumos”.

Para os próximos três meses, 67% das empresas acreditam que não haverá novos cancelamentos de pedidos, mas 33%, ainda acreditam na suspensão dos mesmos. Em relação ao faturamento, a maior parte do setor, 63%, espera retração. Outros 26% apostam em crescimento da renda e 11% em manutenção dos resultados.

“A queda da demanda, a redução da renda das famílias e parte do comércio fechado são fatos que justificam a estimativa de retração no faturamento. Os 23% que esperam expansão em função do mercado atendido, como a mineração e a agroindústria”.

Medidas – Freitas explica que as medidas de auxílio lançadas pelos governos federal, estadual e municipal não estão chegando de forma relevante aos empresários do setor.

Devido à crise e ao aumento do risco, as entidades bancárias estão com muitas exigências para aprovar os financiamentos, o que acaba restringindo o acesso.

Na pesquisa realizada pelo Sinaees, somente 15% dos empresários conseguiram aproveitar de forma razoável os auxílios e 15% de forma ampla. Outras 37% não estão se beneficiando das medidas e 33% estão com pouco acesso.

“É um número que surpreendeu negativamente. O empresário, neste momento, precisa de crédito e as exigências bancárias são tantas que se ele conseguisse atender, não precisaria do financiamento”, explicou Freitas.

Fortalecimento – Avaliando a crise hoje vivenciada, Freitas ressalta que é fundamental que sejam feitos investimentos no parque fabril nacional, evitando a grande dependência dos setores em relação às importações de insumos. O fortalecimento do parque fabril é visto como essencial para superar a crise.

“Não podemos mais ficar com 80% do nosso insumo na mão de empresas estrangeiras, como dos chineses, por exemplo. Essa crise serviu para a gente ver que o Brasil precisa investir no parque fabril, colocar fábricas e reaparelhar nosso parque para não depender tanto de produtos externos. Havendo investimentos, a gente entende que conseguiremos recuperar logo. Já a recuperação da nossa capacidade produtiva dependerá da retomada do comércio, da recuperação da renda das famílias e reativação das indústrias, como a automobilística, por exemplo”, disse.

O trabalho de orientação prestado aos empresários pelo Sinaees e pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) foi considerado essencial para evitar maiores perdas.

“Levar as informações de forma correta e direta aos empresários e ajudar a encontrar soluções foi importantíssimo para que a crise não prejudicasse ainda mais as empresas”, disse Freitas.

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