Facebook tira do ar contas ligadas ao MBL

26 de julho de 2018 às 0h00

São Paulo – O Facebook retirou do ar ontem páginas e contas ligadas a coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL) como parte da política de combate a notícias falsas. Também foram alvos outras páginas como a do Movimento Brasil 200, ligado ao ex-pré-candidato à Presidência Flávio Rocha (PRB). Pelo comunicado, a empresa diz que desativou dezenas de contas no Brasil por sua participação em “uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. De acordo com a rede social, os perfis foram removidos após uma investigação que apontou violações à política de autenticidade da plataforma. Pelo comunicado, a empresa diz que desativou 196 páginas e 87 contas no Brasil por sua participação em “uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. O comunicado não identifica as páginas ou usuários envolvidos. O líder do MBL e pré-candidato a deputado federal pelo DEM, Kim Kataguiri, admitiu que apenas uma das páginas retiradas do ar pelo Facebook ontem, Brasil 200, é ligada ao MBL. Ele negou as acusações de fake news e disse que vai entrar na Justiça. A página Movimento Brasil 200 é do empresário Flávio Rocha, que desistiu de concorrer à Presidência na semana passada. Ele era apoiado pelo MBL na disputa pelo Planalto. “Tinha uma que era, sim, ligada à gente, que é a Brasil 200. Mas a do Diário Nacional e do Jornal Livre não, são parceiros nossos”, disse Kim, após participar na plateia do Fórum Reconstrução Brasil, promovido pelo grupo Estado. “São infundadas as acusações”, completou. O jovem, que participou das manifestações pró impeachment, disse ainda que o grupo vai entrar na Justiça contra a ação. Segundo Kim, perfis de membros do MBL que não administravam a página Brasil 200 também foram tiradas do ar. Ele alega ainda que o Facebook não avisou que tiraria as páginas do ar por alegação de fake news. “Quebra contratual a partir do momento que promete tratar os usuários de maneira isonômica. Tem uma violação de direito privado patente”, completou. O procurador da República Ailton Benedito de Souza cobrou explicações do Facebook no Brasil quanto à remoção de 196 páginas e 87 perfis da rede social. Benedito solicita a relação de todas as páginas e perfis removidos e a justificativa sobre essa providência para cada página e perfil excluído. O procurador estabeleceu o prazo de 48 horas para que a empresa acate o pedido, por meio eletrônico. “Por oportuno, assevero que os dados requisitados são imprescindíveis à atuação do Ministério Público Federal, inclusive eventual propositura de ação civil pública, ao teor do artigo 10 da Lei federal nº 7.347/85, pelo que a falta injustificada ou o retardamento indevido implicará a responsabilidade de quem lhe der causa”, escreveu em sua decisão. Procurado, o Facebook afirmou que ainda não tinha um posicionamento oficial sobre o tema. CPI – O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), coordenador da recém-criada Frente Parlamentar Mista Brasil 200, quer propor a criação de uma CPI do Facebook. “Vivemos em um País democrático”, disse ele à reportagem. Goergen chegou a gravar e divulgar um vídeo ontem propondo a apuração da ação da rede social que retirou do ar páginas e contas ligadas aos coordenadores do MBL como parte da política da empresa de combate a notícias falsas. “Isso é inaceitável. Estamos estudando a possibilidade de buscarmos assinaturas para a criação de uma CPI do Facebook”, afirmou o deputado no vídeo. Goergen disse que vai agendar uma reunião com os deputados da frente na próxima semana para avaliar a situação. “Não tivemos nenhum aviso prévio e quero entender a situação para não fazer algo precipitado”, disse. O ex-presidenciável Flávio Rocha usou justamente sua página no Facebook para criticar a situação. “Conclamo a bancada do Brasil 200 no Congresso Nacional a tomar posição sobre essa arbitrariedade. Nem no tempo da ditadura se verificava tamanho absurdo”, escreveu Rocha. O líder do PRB na Câmara, deputado Celso Russomanno (SP) disse à reportagem que iria conversar com o partido para definir quais providências devem ser tomadas.

Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Conteúdo Relacionado

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail