Crédito: Adão de Souza / PBH

Planejamento e retomada. Essas têm sido algumas das palavras de ordem em um cenário tão afetado, de diversas formas, pela pandemia do Covid-19. Diante desse quadro, a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas) preparou uma série de propostas para a recuperação econômica do Estado que envolve medidas em várias áreas.

De acordo com o presidente da entidade, Valmir Rodrigues, em relação às propostas, houve uma busca por contemplar diferentes questões. Algumas delas estão ligadas ao desenvolvimento, como o investimento nos arranjos produtivos locais (APLs) e em startups. “O mundo tecnológico vai ajudar muito as empresas a alavancarem”, salienta.

Não ficaram de fora, ainda, as questões tributárias. Para o presidente, é importante pensar em reformas como a administrativa para a redução de custos. Isso porque, historicamente, afirma ele, quando o governo precisa bancar as suas contas, aumenta impostos.

“Já vinha sendo discutido que era necessário avançar em diversos itens, porém, tínhamos certo tempo para avançar. Agora, não temos mais esse tempo. É preciso sentar e ter um bom planejamento de recuperação para ajudar as empresas a voltarem”, salienta ele.

Histórico – O presidente da Federaminas lembra que os desafios para as organizações não são de hoje, embora tenham sido agravados pela pandemia do Covid-19.  Valmir Rodrigues destaca que o quadro já era de dificuldades, com problemas econômicos no Brasil.

Atualmente, as relações de consumo estão ainda mais afetadas, lembra, com pessoas receosas de comprar aquilo que não é urgente. O medo do desemprego é um dos fatores que levam a esse sentimento.

Se as pessoas estão sem dinheiro – ou gastando-o com moderação – também tem faltado crédito para as empresas, afirma Valmir Rodrigues. De acordo com ele, a ajuda financeira não está chegando para os pequenos negócios. Aqui entra, aliás, outra proposta da Federaminas, ligada ao acesso ao crédito.

Entre as medidas sugeridas pela entidade estão uma linha de crédito pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) com garantia real e carência de no mínimo seis meses, em especial para os empreendimentos mais afetados pela pandemia.

A revisão de taxa de juros cobrada pelo banco também compõe o pacote de propostas. A entidade sugere ainda carência para começar os pagamentos de tributos estaduais pós-pandemia.

Riscos – Caso medidas não sejam tomadas, os resultados poderão ser bastante negativos, segundo Valmir Rodrigues.

“Se as empresas não têm acesso a recursos, se têm dívidas tributárias ou de operações, se a economia não está aquecida, se não houver uma união de forças por parte do governo e da iniciativa privada, muitas empresas vão fechar. Outras já estão fechando e há aquelas que nem irão abrir”, afirma ele.

Já se as empresas não estão bem, mas pelo menos conseguem enxergar um futuro, por meio de ações como as propostas pela entidade, os resultados poderão ser bem melhores.

“Se a empresa tem dívidas e não enxerga um futuro que a ajude a chegar à conclusão de que vai conseguir, fechará as portas. É importante neste momento que os setores público e privado tenham iniciativas em prol das empresas. Só vamos encontrar caminhos se estivermos juntos no mesmo ideal”, diz Valmir Rodrigues.

Mais propostas – Entre as propostas da Federaminas também está a redução ou adiamento da cobrança de impostos por um período temporário, principalmente para os mais afetados pela crise. A entidade ainda defende a diminuição nas contas de água e energia das micro e pequenas empresas por um ano após a reabertura do comércio. Outro pleito é a revisão do ICMS nos combustíveis.

Além da reforma administrativa, a Federaminas também ressalta a relevância de uma reforma fiscal, dando mais segurança jurídica aos empresários.

No que diz respeito aos investimentos, a entidade sugere entre as suas propostas a criação de um marketplace e o fomento de negócios on-line, do turismo, de feiras e eventos.

Polos de Inovação e Desenvolvimento de Novas Empresas também podem ser criados, defende a entidade, com a disponibilização de imóveis por parte do Estado.

“Um dos principais e mais significativos custos nos primeiros anos de atividade empresarial consiste em dispêndios com espaços físicos. Para o desenvolvimento dessa proposta, seria necessária a criação de projetos para a formalização de parcerias público-privadas para o desenvolvimento de espaços para o acolhimento de empreendedores, com apoio de instituições como o Sebrae, Senai, Sesi, dentre outras instituições”, destaca a Federaminas.