Financiamento de veículos em Minas Gerais cresce 7,6% em maio
O financiamento de veículos em Minas Gerais somou 56,4 mil unidades em maio, entre novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e veículos pesados, de acordo com levantamento da Trillia, linha de negócios de dados e analytics da B3. O volume representa alta de 7,6% na comparação anual e marca o melhor resultado para o mês de maio desde 2018 no Estado, quando foram registrados 40,5 mil financiamentos. No acumulado de janeiro a maio, as vendas financiadas somaram 168,3 mil unidades, registrando alta ainda maior, de 61,8%, em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os automóveis leves, o financiamento atingiu 40,7 mil unidades em maio, alta de 10,5% em relação ao mesmo mês de 2025. O destaque ficou com os modelos zero quilômetro, que cresceram 34,1% na comparação anual, enquanto os usados avançaram 5,8% no período.
O financiamento de motocicletas somou 13,1 mil unidades em maio de 2026, crescimento de 13,4% na comparação com maio do ano passado. As motos novas puxaram o resultado em Minas, com alta de 23,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No caso dos veículos pesados, o financiamento totalizou 2,4 mil unidades em maio, queda de 16% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho foi influenciado pelo recuo dos modelos novos (21,3%) e dos usados (13,5%).
Para o especialista em varejo e comportamento do consumidor, Paulo Brenha, o mercado se adaptou ao cenário de juros altos. “Ele [o mercado] encontrou formas de sustentar o crédito por meio de prazos mais longos, maior valor de entrada e produtos financeiros mais adequados ao perfil de risco de cada cliente”, ressalta.
Cenário que só é possível, na visão de Brenha, principalmente em função do mercado de trabalho aquecido, que deixa o consumidor mais atento ao valor da parcela que cabe no orçamento do que à taxa de juros em si. “Quando há estabilidade de renda e confiança na capacidade de pagamento, a decisão de compra continua acontecendo”, destaca.
Comportamento do consumidor
O economista e professor do UniBH, Fernando Sette Júnior, acrescenta que o comportamento do consumo não depende exclusivamente da taxa de juros. “O veículo é um bem durável que, em muitos casos, deixa de ser uma escolha de consumo e passa a representar uma necessidade, seja para deslocamento ou para a geração de renda, especialmente no caso das motocicletas”, comenta.
Segmento que Sette Júnior destaca. “A motocicleta deixou de ser apenas um bem de consumo para se transformar em um instrumento de geração de renda e inclusão produtiva”, diz.
Brenha acrescenta ainda a necessidade reprimida de renovação de frota em função do cenário econômico mais incerto e a ampliação da oferta de veículos e marcas que aumentam a concorrência e sustentam o interesse dos consumidores. “Além disso, o automóvel continua sendo visto como um bem essencial para mobilidade, trabalho e geração de renda, o que reduz a sensibilidade da demanda ao custo do crédito”, afirma.
O professor do UniBH destaca também a diferença entre o comportamento das famílias e o das empresas. Enquanto os financiamentos de automóveis leves e motocicletas apresentam crescimento consistente, os de veículos pesados registram retração, especialmente em Minas Gerais.
“Isso indica que o consumo das famílias continua aquecido, mas os investimentos empresariais ainda enfrentam maior cautela. Em geral, caminhões e ônibus representam decisões de investimento de longo prazo e são muito mais sensíveis ao custo do capital. Esse contraste é típico de economias que crescem sustentadas pelo mercado de trabalho, mas que ainda convivem com juros reais elevados”, destaca.
Outro fator importante ressaltado pelo head de Produtos Regulados na Trillia, da B3, Bruno Saldanha, é o próprio veículo ser a garantia da operação. Conforme detalha, o Sistema Nacional de Gravames gera essa segurança jurídica e operacional para correlacionar o veículo financiado ao contrato de financiamento. Uma vez feito o gravame deste veículo, o banco tem uma segurança maior. Eventualmente, se ele tiver alguma intercorrência no meio desse financiamento, o banco tem o veículo como garantia daquele crédito.
“O sistema que ampara essa operação é o sistema da B3, por isso que a gente é uma das maiores infraestruturas aqui para apoiar o mercado financeiro e, consequentemente, consegue levar esse benefício para o cidadão”, comenta.
Financiamento de veículos no Brasil tem o melhor resultado em 15 anos
No Brasil, o financiamento de veículos somou 630,1 mil unidades em maio, entre novos e usados, incluindo todas as modalidades. O volume representa alta de 4,6% na comparação anual e marca o melhor resultado para o mês de maio desde 2011, quando foram registrados 682.129 financiamentos.
Ainda de acordo com os dados da B3, a região Sudeste segue como o principal polo de financiamento de veículos no País, concentrando 42,1% das operações de janeiro a maio de 2026.
No acumulado de janeiro a maio, o número de veículos financiados chegou a 3,158 milhões de unidades, entre novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e pesados. O crescimento de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025 foi impulsionado principalmente pelos veículos novos, que avançaram 24,4%, enquanto os usados cresceram 7,5%.
“Os dados indicam que há uma consolidação de oferta de crédito. Isso impulsiona o crescimento do setor automotivo. Mesmo em um contexto de juros elevados, o consumidor está tendo acesso ao crédito para aquisição de veículos”, finaliza.
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