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Economia

Ford vai fechar fábrica em São Bernardo do Campo este ano

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Montadora informou que vai continuar as vendas de caminhões até encerrar os estoques - Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

São Paulo – A Ford anunciou ontem que vai sair do negócio de caminhões na América do Sul e fechar neste ano sua fábrica em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. A unidade, que produz também o compacto Fiesta, emprega cerca de 3 mil funcionários, e o impacto da decisão será “significativo” sobre o número de demissões da unidade, afirmou a montadora.

A unidade, a primeira da montadora norte-americana no Brasil, foi inaugurada em 1967, e, em 2001, passou também a produzir caminhões. A Ford afirmou que vai continuar as vendas do carro e dos caminhões da linha Cargo, F-4000 e F350 até o final dos estoques.

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“Não faz sentido manter produção em São Bernardo sem manter a produção de caminhões”, afirmou a empresa. Procurado, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não pode comentar o assunto de imediato.

A Ford, que em caminhões compete no Brasil contra os grupos Volkswagen, Daimler e Volvo, teve vendas de 9.300 caminhões em 2018, crescimento de 19% sobre o ano anterior. O desempenho, porém, ficou abaixo da expansão de vendas do segmento no período, de 46%, segundo dados da associação de montadoras de veículos, Anfavea.

Já o Fiesta acumulou vendas de 14.505 veículos em 2018, queda de cerca de 24% sobre 2017, segundo dados da associação de concessionários Fenabrave.

O anúncio da Ford ocorre após a General Motors ameaçar em janeiro não continuar a operar da mesma forma no Brasil e negociar incentivos tributários com o governo do estado de São Paulo, onde mantém fábricas em São Caetano do Sul e São José dos Campos. A montadora fechou acordo com metalúrgicos, congelando salários este ano e promovendo reajuste abaixo da inflação em 2020.

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“O Brasil era um dos maiores mercados de caminhões para Ford. Mas o anúncio não se relaciona ao momento atual da indústria de veículos do País, que projeta crescimento este ano, após um forte crescimento das vendas de caminhões no ano passado”, disse o gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria automotiva Jato Dynamics, Milad Kalume Neto.

“É uma decisão estratégica deles para focar em carros e comerciais leves (SUVs)”, acrescentou.

Demissões – A Ford também tem uma fábrica de veículos e motores em Camaçari (BA), inaugurada em 2001, onde produz o Ka e o utilitário EcoSport, e uma unidade de produção de motores e transmissões em Taubaté (SP), que não foram atingidas pelo anúncio de ontem. Em Camaçari, a empresa está negociando uma redução de 700 funcionários com sindicato local, informou a entidade.

A montadora norte-americana havia informado, em 10 de janeiro, que iria demitir milhares de funcionários e fechar fábricas na Europa como parte de um plano para voltar ao lucro na região. Os fechamentos na Europa e em São Bernardo do Campo, segundo a Ford, fazem parte de um plano de reestruturação de US$ 11 bilhões. Em comunicado, o presidente da Ford América do Sul, Lyle Waters, afirmou que a montadora segue comprometida com a região, onde não é lucrativa atualmente.

A Ford vai registrar encargos de US$ 460 milhões com a decisão de fechar a fábrica em São Bernardo, com a maior parte do impacto sendo registrado neste ano. Desse total, US$ 360 milhões referem-se a compensações de funcionários, concessionários e fornecedores.

O presidente da associação de concessionários da Ford (Abradif), Luiz Albuquerque, afirmou que a decisão da montadora “nos dá tranquilidade, porque a Ford estava perdendo dinheiro na região nos últimos quatro ou cinco anos e o encerramento da produção de caminhões vai quase que completamente zerar o prejuízo que tiveram nos últimos anos”.

Albuquerque comentou que se reuniu com a liderança da Ford na semana passada e recebeu garantia de novos investimentos da montadora em carros no País nos próximos três ou quatro anos. (Reuters)

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