Greve de bancários segue em Belo Horizonte após recusa de propostas da Caixa e do Banco do Brasil
Os bancários da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco do Brasil (BB) de Belo Horizonte e região metropolitana iniciaram, nesta quinta-feira (10), greve por tempo indeterminado. A classe de ambas instituições financeiras não aceitou as propostas de acordo salarial para o período de 2026 e 2028.
O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região (SEEB/BH e Região) realizou, na manhã de hoje, um protesto em frente à Agência Século da Caixa, na rua dos Carijós, nº 218, no Centro de BH. O presidente da entidade, Ramon Silva Rocha Peres, declara que outro ato deverá ser realizado no mesmo local, nesta sexta-feira (11), às 10h.
Ele relata que o BB apresentou uma proposta, nessa quarta-feira (9), que não foi aprovada por grande parte dos funcionários. Já a Caixa apresentou a proposta durante a realização do ato de hoje, que também foi rejeitada pelos bancários. Os empregados consideram as propostas insuficientes.
As negociações entre a Caixa e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) do banco foram retomadas com a apresentação de uma proposta final da instituição financeira para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico dos empregados e empregadas, com validade até esta sexta.
A Caixa informou que, caso os termos não sejam aprovados pela categoria dentro do prazo, poderá retirar a proposta e ingressar com dissídio coletivo. Nesse tipo de situação, as questões não são mais definidas por meio de negociação entre as partes, mas por decisão judicial.
No caso do Banco do Brasil, o dirigente explica que a principal demanda dos bancários é a melhoria da proposta envolvendo o custeio da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), a garantia de mais concursos públicos e o encerramento do processo de fechamento de agências.
“Nós precisamos que os bancos nos escutem e melhorem os programas de remuneração próprios, porque eles estão sendo fonte de assédio moral e de adoecimento dos bancários. Nós queremos uma maior valorização da classe”, diz o presidente do sindicato.
Quanto ao cenário na Caixa, Peres afirma que a grande questão a ser solucionada é o plano de saúde dos funcionários, o Saúde Caixa, que está com um elevado déficit. A classe está negociando com a CEF para que a instituição possa realizar um grande aporte financeiro para viabilizar a sustentabilidade do plano, além de uma melhoria na gestão e no atendimento prestado.
“Esse é o ‘calcanhar de Aquiles’ dos bancários, eles declararam greve por conta da proposta sobre o Saúde Caixa, que ainda é insuficiente”, completa.
Ele relata que, até o momento, 13 unidades de trabalho do Banco do Brasil foram parcialmente paralisadas, com uma parcela dos bancários aderindo à greve e outros trabalhando normalmente. No caso da Caixa, o dirigente destaca que a adesão foi maior, com 50 agências paralisadas e mais 15 operações back office, ou administrativas.

A estimativa, segundo Peres, é de cerca de 300 bancários presentes no protesto desta quinta-feira. “Nosso movimento é nacional, outros lugares do País também fizeram greve e nós vamos avaliar essa iniciativa em nível nacional. Amanhã faremos um novo ato para reavaliar o movimento”, pontua.
Adesão e risco de judicialização
O presidente do SEEB/BH e Região afirma estar muito otimista quanto à adesão dos funcionários a essa greve. Ele ressalta que a participação dos bancários é fundamental para que a classe obtenha uma proposta melhor de ambos os bancos. No entanto, o dirigente menciona a possibilidade de não haver uma proposta melhor e demonstra estar receoso quanto ao risco de o tema ser judicializado.
Peres explica que, apesar de se tratar de um movimento nacional, existe a possibilidade de haver acordos em determinadas regiões do Brasil, enquanto outras seguem em greve. Segundo ele, já há alguns lugares onde o acordo foi aprovado, outros que solicitaram a abertura de uma nova negociação e alguns que não aprovaram e entraram em greve.
“Na Caixa Econômica Federal, 90% dos bancários do País reprovaram o acordo e decidiram entrar em greve. É possível que algumas regiões aprovem o acordo atual, enquanto outras não”, completa.
No caso da capital mineira, o dirigente garante que a classe está sempre disposta a negociar e evitar a judicialização. Ele pontua que o SEEB/BH e Região insiste em seguir negociando para chegar a um acordo que seja benéfico para as partes envolvidas.
Portanto, a expectativa é que os bancos sigam dispostos a negociar e não levem o tema para a Justiça. Peres esclarece ainda que as negociações, assim como a paralisação, podem estender para a semana que vem ou até mesmo por mais 30 dias. O sindicato pretende fazer uma avaliação dos atos a cada dia de greve.
Resposta dos bancos
Em nota, a Caixa Econômica Federal afirma que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e retornou à mesa de negociação com o objetivo de construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas.
Já o Banco do Brasil destaca sua participação na mesa única da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), com presença de todos os bancos, nas quais são debatidas as questões gerais da categoria bancária, incluindo o índice de reajuste. A instituição financeira também possui uma mesa específica com as entidades sindicais nas quais são tratadas as questões do funcionalismo do BB.
“Para a data-base de 2026, foram realizadas várias rodadas de negociação, que resultaram na proposta apresentada às entidades sindicais e aprovada em diversas assembleias em todo o País”, informa.
Bancários do setor privado
No caso dos funcionários dos bancos privados, o Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários e a Fenaban assinaram, nessa quarta-feira (9), em São Paulo (SP), a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. O novo documento tem vigência até 31 de agosto de 2028. Dessa forma, os trabalhadores receberão a primeira parcela da participação nos lucros e resultados (PLR), referente ao adiantamento do exercício de 2026, até o fim de setembro.
“Os bancários de bancos privados já aceitaram o acordo e não irão aderir à greve”, esclarece.
De acordo com a SEEB/BH e Região, a nova CCT garante a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado de setembro de 2025 a agosto deste ano, que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11). O valor inclui vales alimentação (VA), refeição (VR), auxílio creche ou babá e PLR, tanto na regra básica, quanto na parcela adicional.
O aumento real acumulado em dois anos será de 1,2% em todas as verbas. A entidade pontua que a assinatura do acordo também preserva todos os direitos da convenção e avança em novas conquistas relacionadas à saúde, melhores condições de trabalho e proteção ao emprego.
Resumo das propostas da CCT 2026-2028
Cláusulas econômicas (reposição do INPC + 0,6%) sobre os salários e todas as demais verbas econômicas nos dois anos de vigência da nova CCT, incluindo:
- PLR (tanto na regra básica, quanto na parcela adicional);
- Vales-alimentação e refeição;
- 13ª cesta-alimentação;
- Auxílio creche/babá;
- Auxílio filhos com deficiência;
- Verba de requalificação profissional na demissão, etc.
Canais de atendimento durante a greve

Quanto ao funcionamento das agências, a Caixa informa que os clientes podem utilizar normalmente os canais digitais e remotos do banco, como o aplicativo Caixa. A instituição financeira também disponibiliza seu internet banking e os aplicativos Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS, além do WhatsApp 0800 104 0104.
O atendimento telefônico está disponível pelo Alô Caixa, nos números 4004 0104 para capitais e regiões metropolitanas; e 0800 104 0104 para as demais localidades. Também estão disponíveis os caixas eletrônicos e a rede Banco24Horas. A empresa ainda disponibiliza o atendimento presencial em unidades lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui (CCA) em todo o País.
A localização das lotéricas e CCAs pode ser consultada na página de atendimento no site do banco.
O Banco do Brasil ressalta que os clientes contam com atendimento via aplicativo, internet banking, correspondentes bancários e Central de Relacionamento pelo telefone 4004-0001 para as capitais e regiões metropolitanas, e 0800 729 0001 nas demais localidades, além do WhatsApp no número (61) 4001-0001.
O presidente do SEEB/BH e Região destaca que os bancários pedem desculpas à população pelos impactos desse movimento grevista no atendimento. “Infelizmente a população acaba sendo impactada com as agências que estão fechadas. Nós não temos uma estimativa das agências que fecharam o caixa eletrônico, onde o atendimento também pode ser impactado”, acrescenta.
Peres ainda esclarece que o atendimento via aplicativos também pode sofrer com os efeitos da paralisação. Segundo ele, há o risco dessas plataformas ficarem fora do ar, já que o pessoal da área de tecnologia de ambos os bancos também aderiram ao ato. “Nós garantimos que a população não ficará sem atendimento, mas os atendimentos serão reduzidos”, conclui.
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